terça-feira, 27 de março de 2012

Entrevista com o rapper Boss AC

Foto: Divulgação/ Paulo Segadães
A família é de artistas; sua mãe trilhou os passos na música, enquanto seu pai preferiu os pincéis. O destino não poderia ser diferente com Amilcar Cabral, o Boss AC. Esse rapper português de raízes cabo-verdianas é considerado um dos maiores nomes do Hip Hop tuga. Na ativa desde meados dos anos 1990, ele já firmou parcerias importantes no Brasil e em diversos cantos do mundo. Além do rap, também se aventurou no rock e no fado.

Acompanhe o bate-papo concedido ao Cultuga!

Cultuga: Você já esteve em dois momentos distintos se apresentando no Brasil, em 2005 e, agora, em 2011 durante o Rock in Rio. Quais foram as diferenças entre esses dois shows?
Em 2005, no Festival Hutuz (Rio de Janeiro), foi a minha primeira apresentação ao vivo no Brasil e tinha alguma expectativa em relação à forma como seria recebido. Para além disso, havia a responsabilidade de partilhar o palco com os maiores nomes do Hip Hop brasileiro. A forma carinhosa e emotiva como fui recebido foi uma agradável surpresa. O público fez-me sentir em casa. Lembro-me de subir ao palco e ver alguém no público segurando um cartaz com o meu nome e, logo ali, senti-me em casa. O concerto do Rock in Rio, por não ser a primeira vez, já esperava uma boa recepção do público. Mas uma vez mais, fui surpreendido porque superou as expectativas. Para além da grande promoção que houve à volta do evento, que teve vários concertos de bandas portuguesas, senti que o público brasileiro ficou muito curioso em conhecer o que se faz em termos de música em Portugal. Também noto essa curiosidade por meio das redes sociais onde sou muito solicitado e pelos imensos e-mails de apreço que recebo do Brasil.


Boss AC divide o palco com Paula Lima e Afrika Bambaataa durante o Rock in Rio

Cultuga: O que você absorveu da cultura brasileira enquanto passou por aqui?
A forma de estar do povo brasileiro, a alegria e a sua hospitalidade são imagens de marca. Sou um grande apreciador da cultura brasileira, principalmente da música e, desde sempre, muito por influência da minha mãe, estive em contacto com o que de melhor se faz no Brasil.

Foto: Divulgação/ Paulo Segadães
Cultuga: Durante a sua carreira, você já fez algumas parcerias com músicos brasileiros...
No álbum "Preto no Branco", o tema "Rimas de Saudade" foi gravado no Rio de Janeiro com Max Viana e a participação de Toni Garrido. Neste novo álbum, "AC Para Os Amigos", no tema "Um brinde à Amizade", tenho a participação do Gabriel O Pensador. Para além disso, já partilhei o palco com Sandra de Sá e Paula Lima. Este ano, em Lisboa, vou partilhar o palco mais uma vez com a meu amigo Zé Ricardo, mas desta vez num concerto único no Rock in Rio onde vamos tocar músicas do meu reportório e do dele.


Assista ao vídeo de "Sexta-feira (Emprego Bom Já)

Cultuga: Com o "Ano de Portugal no Brasil", firmado pelos governos dos dois países, o que você acha que poderia ser feito para reforçar o intercâmbio cultural?

A relação Portugal-Brasil tem sido uma relação muito desequilibrada e, como costumo dizer, uma estrada com um só sentido. É muito mais fácil a cultura brasileira se expôr em Portugal do que o inverso. Aos poucos, acho que essa situação tende a  mudar e sinto que o desconhecimento da cultura portuguesa por parte do público brasileiro em geral começa a desvanecer-se. Acho que devia haver mais apoio a nível oficial de modo a dar a conhecer a realidade portuguesa aos brasileiros. Porque a imagem que perdura está completamente desfasada da realidade. O fato de, por exemplo, já haver atores portugueses bem sucedidos no Brasil, também contribui para, aos poucos, dar a conhecer Portugal ao Brasil.

Cultuga: Como foi escrever uma música para o fadista Marco Rodrigues? O fado é algo que está nas suas raízes? Qual é o ponto de encontro entre o fado e o rap?
Foi uma experiência gratificante que já repeti e tenciono continuar a repetir no futuro. Tal como no fado, o rap é a voz do povo e eu, que vivi a minha infância e adolescência na zona típica e central de Lisboa, sempre convivi de perto com o fado. Talvez, por isso, tenha sido muito intuitivo escrever para o Marco Rodrigues - que, para além de ser um dos mais talentosos fadistas da nova geração, é também um amigo. E isso torna tudo mais fácil.


Encontro de Boss AC com a fadista Mariza

Cultuga: Quais outros artistas do hip hop português você indicaria para quem quer conhecer mais o gênero?
Portugal tem muita música e muita qualidade em todos os estilos e, ao contrário do que se possa pensar, não se resume só ao fado. Há música para todos os gostos, desde o pop, ao rock, ao hip hop, à música eletrônica, etc. Eu aconselho uma pesquisa para descobrir, via Internet, a música feita em Portugal. Artistas de hip hop, mas não só.

Acesse o Facebook oficial do Boss AC para acompanhar as novidades :)
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