A pouco, enquanto observava as minhas atualizações do Facebook, encontrei um vídeo lindo, lindo, lindo da Ana Bacalhau, vocalista do Deolinda. Ela foi entrevistada pela querida Xana Alves para um projeto da marca Vigor.
Esse é o primeiro vídeo de uma série de 15 em que a Xana vai conversar com jovens adultos sobre seus modos de tocar a vida.
Na semana passada, o humorista português Ricardo Araújo Pereira esteve no Brasil para participar do Risadaria - o maior evento de humor da América Latina. E, para a minha "infelicidade", as datas de suas apresentações calharam com as comemorações do meu aniversário de 30 anos. Ou seja, perdi todos os detalhes de sua passagem por aqui e a oportunidade de entrevistá-lo. Ok, dez chibatadas, por favor. Gato Fedorento ♥
Para marcar sua vinda ao Brasil, deixo aqui a brilhante entrevista dele no Jô. Espero que sua volta seja breve :)
Miguel Falabella presenteou os amantes da terrinha com um núcleo português em sua novela "Aquele Beijo". Formado por Ricardo Pereira, Marina Mota e Maria Vieira, o trio está dando o que falar. E é com grande prazer que trago a exuberante Amália, de "Aquele Beijo", aqui para o Cultuga.
Essa é a primeira vez que Marina Mota trabalha em uma novela brasileira. Entretanto, lá em Portugal, já soma 30 anos na TV e no teatro e 40 na música. Deixar Lisboa para viver no Rio de Janeiro não deve ter sido uma tarefa fácil. Será que as belas praias e a nova experência por aqui conseguem dar uma pequena disfarçada na saudade? Veja como foi o nosso bate-papo!
Cultuga: Como foi feito o convite para "Aquele Beijo"?
O convite para fazer parte do elenco de “Aquele Beijo” foi feito pelo autor, Miguel Falabella. Acredito que o Miguel tenha procurado uma atriz para o papel e o meu nome foi sugerido por alguns colegas, tanto quanto sei, pela Maria Vieira e pelo Joaquim Monchique - que já tinham trabalhado com o Miguel em outro projeto. Posteriormente, o Miguel pesquisou o meu trabalho e gentilmente me convidou. Esta foi a minha primeira experiência. Nunca tinha tido contato anterior com colegas do Brasil.
Foto: Divulgação
Cultuga: E a mudança para o Rio de Janeiro? O que sente mais falta de Portugal?
Estou a viver no Rio de Janeiro desde 14 de Agosto de 2011. Pena não poder ter trazido a família na bagagem. Foi o que mais doeu nesta mudança! Sinto falta de peixe assado no carvão mas, principalmente, sinto falta de abraçar quem amo.
Cultuga: Com um currículo tão vasto e aplaudido em Portugal, como está sendo "navegar" por novos mares aqui no Brasil, onde ainda estão conhecendo o seu trabalho?
Senti-me uma estreante, o que não deixa de ser divertido. Com 40 anos de carreira, 30 dos quais dedicados ao teatro e a televisão, senti-me a começar de novo. Tem sido uma experiência muito gratificante. Embora seja muito recente o meu trabalho aqui, o público tem sido muito carinhoso e generoso comigo.
Foto: Aquele Beijo/TV Globo
Cultuga: Qual é a grande diferença e a maior semelhança em fazer novela aqui no Brasil e em Portugal?
A maior diferença é, com certeza, a TV Globo ser uma das maiores estações televisivas do mundo, com muito mais visibilidade e que se dedica a esta indústria há muito mais anos para um universo muito superior de telespectadores. Portugal tem apenas cerca de 10 milhões de habitantes e o Brasil aproximadamente 200 milhões. Ainda não existe um espaço em Portugal como o Projac. Há estúdios, claro, mas não com a mesma grandeza. Não temos nenhuma cidade cenográfica. Outra grande diferença é exatamente o fato de ser uma “novata” aqui, logo, as regalias, bem como as responsabilidades, são diferentes das que tenho em Portugal, como é normal. A maior semelhança é talvez o mesmo respeito entre atores, entre colegas. E aqui, tal como lá, novela é um “produto” que o público gosta de consumir, nas devidas proporções geográficas.
Cultuga: Você já tinha vindo ao Brasil se apresentar?
Já tinha cantado no Brasil, em 1979, quando a minha carreira ainda era só dedicada ao fado. Trabalhei numa casa de fado que existia em São Paulo e que se chamava "Adega Lisboa Antiga". Nunca fiz teatro no Brasil e claro que tenho todo o interesse. Se a oportunidade surgir, será um privilégio. Nada como ver o público e sentir o seu calor.
Foto: Divulgação
Cultuga: Observando o sucesso de sua personagem, de Ricardo Pereira, de Maria Vieira e de Paulo Rocha nas telenovelas brasileiras, esse intercâmbio entre as duas terras pode ser uma tendência?
Gostaria muito que assim continuasse. Todos crescemos a trocar experiências, a partilhar culturas...
Cultuga: No final deste ano, teremos o "Ano de Portugal no Brasil", programado pelos governos dos dois países. O que você acha que poderia ser feito para melhorar o contato, principalmente na cultura, entre essas duas pátrias irmãs?
Talvez fosse interessante aprendermos as grandes diferenças existentes na mesma língua. Quer queiramos ou não, embora falemos português, há palavras, expressões e formas gramaticais que são tão diferentes de cá para lá e de lá para cá que, por vezes, criam uma pequena barreira que seria bom amenizar - isto sem despersonalizar nenhum dos países. Acho que, com a partilha, com a troca, tudo se aprende. Que se mantenha este intercâmbio cultural, entre atores, escritores, pintores, músicos etc... Mais samba em Portugal e mais fado no Brasil!
Entre as ruas estreitas da cidade de Óbidos, uma senhora olha desconfiada pela janela de sua residência. Talvez uma falsa calmaria, já que a pequena cortina de renda não é capaz de esconder sua privacidade. Ela estava ali, para quem quisesse ver.
Essa imagem faz parte da nova seção do Cultuga intitulada "Olhar". Quer ver o que já foi postado? Clique aqui!
A família é de artistas; sua mãe trilhou os passos na música, enquanto seu pai preferiu os pincéis. O destino não poderia ser diferente com Amilcar Cabral, o Boss AC. Esse rapper português de raízes cabo-verdianas é considerado um dos maiores nomes do Hip Hop tuga. Na ativa desde meados dos anos 1990, ele já firmou parcerias importantes no Brasil e em diversos cantos do mundo. Além do rap, também se aventurou no rock e no fado.
Acompanhe o bate-papo concedido ao Cultuga!
Cultuga: Você já esteve em dois momentos distintos se apresentando no Brasil, em 2005 e, agora, em 2011 durante o Rock in Rio. Quais foram as diferenças entre esses dois shows?
Em 2005, no Festival Hutuz (Rio de Janeiro), foi a minha primeira apresentação ao vivo no Brasil e tinha alguma expectativa em relação à forma como seria recebido. Para além disso, havia a responsabilidade de partilhar o palco com os maiores nomes do Hip Hop brasileiro. A forma carinhosa e emotiva como fui recebido foi uma agradável surpresa. O público fez-me sentir em casa. Lembro-me de subir ao palco e ver alguém no público segurando um cartaz com o meu nome e, logo ali, senti-me em casa. O concerto do Rock in Rio, por não ser a primeira vez, já esperava uma boa recepção do público. Mas uma vez mais, fui surpreendido porque superou as expectativas. Para além da grande promoção que houve à volta do evento, que teve vários concertos de bandas portuguesas, senti que o público brasileiro ficou muito curioso em conhecer o que se faz em termos de música em Portugal. Também noto essa curiosidade por meio das redes sociais onde sou muito solicitado e pelos imensos e-mails de apreço que recebo do Brasil.
Boss AC divide o palco com Paula Lima e Afrika Bambaataa durante o Rock in Rio
Cultuga: O que você absorveu da cultura brasileira enquanto passou por aqui?
A forma de estar do povo brasileiro, a alegria e a sua hospitalidade são imagens de marca. Sou um grande apreciador da cultura brasileira, principalmente da música e, desde sempre, muito por influência da minha mãe, estive em contacto com o que de melhor se faz no Brasil.
Foto: Divulgação/ Paulo Segadães
Cultuga: Durante a sua carreira, você já fez algumas parcerias com músicos brasileiros...
No álbum "Preto no Branco", o tema "Rimas de Saudade" foi gravado no Rio de Janeiro com Max Viana e a participação de Toni Garrido. Neste novo álbum, "AC Para Os Amigos", no tema "Um brinde à Amizade", tenho a participação do Gabriel O Pensador. Para além disso, já partilhei o palco com Sandra de Sá e Paula Lima. Este ano, em Lisboa, vou partilhar o palco mais uma vez com a meu amigo Zé Ricardo, mas desta vez num concerto único no Rock in Rio onde vamos tocar músicas do meu reportório e do dele.
Assista ao vídeo de "Sexta-feira (Emprego Bom Já)
Cultuga: Com o "Ano de Portugal no Brasil", firmado pelos governos dos dois países, o que você acha que poderia ser feito para reforçar o intercâmbio cultural?
A relação Portugal-Brasil tem sido uma relação muito desequilibrada e, como costumo dizer, uma estrada com um só sentido. É muito mais fácil a cultura brasileira se expôr em Portugal do que o inverso. Aos poucos, acho que essa situação tende a mudar e sinto que o desconhecimento da cultura portuguesa por parte do público brasileiro em geral começa a desvanecer-se. Acho que devia haver mais apoio a nível oficial de modo a dar a conhecer a realidade portuguesa aos brasileiros. Porque a imagem que perdura está completamente desfasada da realidade. O fato de, por exemplo, já haver atores portugueses bem sucedidos no Brasil, também contribui para, aos poucos, dar a conhecer Portugal ao Brasil.
Cultuga: Como foi escrever uma música para o fadista Marco Rodrigues? O fado é algo que está nas suas raízes? Qual é o ponto de encontro entre o fado e o rap?
Foi uma experiência gratificante que já repeti e tenciono continuar a repetir no futuro. Tal como no fado, o rap é a voz do povo e eu, que vivi a minha infância e adolescência na zona típica e central de Lisboa, sempre convivi de perto com o fado. Talvez, por isso, tenha sido muito intuitivo escrever para o Marco Rodrigues - que, para além de ser um dos mais talentosos fadistas da nova geração, é também um amigo. E isso torna tudo mais fácil.
Encontro de Boss AC com a fadista Mariza
Cultuga: Quais outros artistas do hip hop português você indicaria para quem quer conhecer mais o gênero?
Portugal tem muita música e muita qualidade em todos os estilos e, ao contrário do que se possa pensar, não se resume só ao fado. Há música para todos os gostos, desde o pop, ao rock, ao hip hop, à música eletrônica, etc. Eu aconselho uma pesquisa para descobrir, via Internet, a música feita em Portugal. Artistas de hip hop, mas não só.
Mais um concurso agitou o nosso espaço. Desta vez, a Universal Music ofereceu a um leitor do Cultuga o último trabalho do cantor português Pedro Abrunhosa, "Longe". Para concorrer a esse superdisco, era preciso acessar o Facebook, "curtir" (gosto/like) as páginas do Cultuga e da Universal Music Brasil, clicar na aba "Promoções" - dentro do perfil do Cultuga - e seguir as instruções. E o resultado sai agora!
Já está no ar o comercial da Renault que contou com as participações do Grupo Folclórico da Casa de Portugal e do cantor Roberto Leal. O roteiro do vídeo faz um trocadilho entre virar a chave do veículo e o vira, estilo musical português, já que a marca está fazendo uma promoção com o mote "girou, ligou, ganhou". Assista ao vídeo!
No próximo domingo, dia 18, a montagem teatral portuguesa "Um Punhado de Terra" encerra o V Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo, no Memorial da América Latina. A única peça portuguesa do encontro já foi apresentada no Brasil em 2011, durante o VI Circuito de Teatro em Português.
O espetáculo conta a história de um escravo trazido à força da África para Portugal - um local ainda desconhecido por ele. O homem contará como um dia chegaram a sua aldeia os homens brancos “feios, com cabeças de metal e pele de ferro, por sobre a pele cor de leite velho estragado”. O ator é o narrador, um contador de histórias. Dança, suja-se de terra, lava-se na água, gesticula, ritualiza, emociona-se.
A entrada é gratuita. Entretanto, cada pessoa tem direito a retirar dois ingressos nas bilheterias do Memorial da América Latina no próprio dia do evento, a partir das 14h.
Um Punhado de Terra
Portugal - Porto
Autor: Pedro Eiras Diretor: José Leitão
Cia Art’Imagem: Flávio Hamilton
Data: 18 de março de 2012 Horário: 21h Local: Auditório Simon Bolivar - Memorial da América Latina (ao lado do metrô Barra Funda)
Tenho alguns amigos portugueses que são verdadeiros fãs da banda lusa Linda Martini. É algo como uma grande paixão, de curtir o show, reunir os amigos e brindar a cada som. E foi por uma das minhas últimas andanças pela terrinha, no ano passado, que uma amiga sugeriu que eu conversasse com eles.
No finalzinho de 2011, recebi um belo pack de Natal dessa mesma amiga com alguns mimos. Parte deles eram discos "dos Linda" - como eles dizem. Ela agilizou o nosso contato e segui o papo com a querida Cláudia Guerreiro, baixista do grupo. Não foi uma surpresa perceber tamanho carisma e bagagem - já que a banda faz um rock bem autêntico.
Veja como foi o nosso papo e conheça mais uma banda que vale a pena colocar na sua playlist tuga.
Cultuga: Achei bacana quando vi que o nome da banda foi inspirado em uma amiga do guitarrista Pedro Geraldes que fez intercâmbio em Portugal. De onde ela é?
A Linda Martini é italiana e estará sempre presente com o seu nome, mas consta que nem sequer gosta da nossa música. Na verdade é só um nome como qualquer outro, mas que nos soou bem.
Cultuga: O MySpace de vocês diz que em "Casa Ocupada" vocês estão com portas e janelas abertas. É como se a banda tivesse finalmente encontrado seu espaço, junto aos fãs, para tocar sua música. O Linda, por ser uma banda que é bastante elogiada no palco, mudou após esse lançamento?
Continuamos os mesmos, tanto em palco como em estúdio. Mas o "Casa Ocupada" marcou, para nós, uma espécie de comunhão, como se a música nos tivesse encontrado a nós em vez de sermos nós a encontrá-la a ela. Pelo caminho, o Sérgio Lemos (guitarrista desde o início da banda) saiu, e o som, naturalmente, mudou um pouco.
Foto: Divulgação
Cultuga: Em Portugal, noto algo diferente do que acontece na indústria musical brasileira. O "Casa Ocupada", por exemplo, conta com o apoio da Fnac e da Antena 3. Isso significa uma distribuição e divulgação melhores do trabalho musical? O que significa, para uma banda portuguesa, ter esses parceiros?
O fato de termos tido estes parceiros na edição do disco, prende-se com estratégias de marketing. Tendo a Antena 3 como parceiro, acabamos por ter um destaque alargado na estação e na promoção do disco. E, na verdade, a Antena 3 (por meio de Henrique Amaro) foi quem primeiro passou a nossa música, por isso já há uma relação longa. Quanto à Fnac, quando editámos o disco, fizemos uma pré-venda em que cada disco dava direito a um dos quatro concertos de lançamento do mesmo. A Fnac, por toda a sua logistica nacional e por ser quem cobre uma maior distribuição no país, acabava por ser o parceiro acertado para por em marcha esta ideia do disco-bilhete. Não houve, no entanto, qualquer apoio financeiro, quer da parte da Antena 3, quer da parte da Fnac.
Cultuga: Vocês já ultrapassaram as barreiras portuguesas, ganhando destaque e tocando em outros países europeus. O público europeu - de países que não falam o português - parece receptivo. Como eles absorvem a música do Linda Martini e qual é o grande desafio diante deles?
Demos apenas quatro concertos fora de Portugal. Infelizmente não se repetiu desde 2006, embora tenhamos tido contatos nesse sentido, mas que, por alguma razão, nunca chegaram a se concretizar (curiosamente, a maior parte deles no Brasil!). Tocamos em Inglaterra e Irlanda e o resultado foi inesperadamente bom, principalmente em Dublin. Diziam que não percebiam nada do que dizíamos mas que era exótico! Tendo em conta que a nossa motivação é muito mais musical que literária, o desafio é o mesmo para um publico português ou estrangeiro. Mas como cada vez temos menos musicas apenas instrumentais, o desafio vai aumentando. A esperança é de que as pessoas não queiram ver um concerto apenas pelas letras, mas sim pela musica e pelo espectáculo em si.
Cultuga: Recentemente, um jornal brasileiro listou o Linda Martini como uma das bandas portuguesas que valeria a pena conhecer. Como vocês lidam com o público deste outro lado do oceano? A partir de setembro, teremos o "Ano de Portugal no Brasil"... Qual parece ser a maior dificuldade de chegar com a música ao Brasil?
Não me parece haver dificuldade nenhuma, apenas falta de financiamento da nossa parte para irmos aí, e da vossa para nos levarem. É compreensível que não se arrisque num investimento tão grande para se levar uma banda que não tem público aí. Como te disse anteriormente, já houve algumas propostas para irmos tocar ao Brasil, mas nunca foram para a frente. Da nossa parte, estamos há espera disso há muito tempo. É esperar que esse "Ano de Portugal no Brasil" traga algo de bom!
Cultuga: O que poderia ser feito para estreitar ainda mais o intercâmbio das culturas portuguesa e brasileira? Sei que há muito de Brasil em Portugal, mas vejo pouco de Portugal no Brasil. Temos muito para conhecer da cultura lusa, mas qual seria um bom canal para que esse fluxo corresse de maneira mais direta?
De fato, em Portugal ouve-se muita música brasileira, sempre se ouviu. Mas acredito que o fato de o Brasil ser um país tão grande e Portugal tão pequeno, tenha alguma relevância. A cultura americana (seja do sul ou do norte) é muito mais viral do que a europeia, e suponho que também aí seja assim. Não acredito que o Brasil consuma muita música europeia, e é natural que Portugal esteja incluído nisso. Por outro lado, Portugal deve ter andado a fazer algo de errado estes anos todos porque nem Espanha, que é aqui ao lado, sabe o que se faz por cá! Acho que toda essa comunicação está a melhorar agora, e espero que isso se note em breve.
Cultuga: Ao término das entrevistas, gosto de pedir sugestões de artistas, poetas, escritores, diretores, músicos, músicas, filmes, obras, etc. portugueses. Quais são os nomes que influenciam vocês direta ou indiretamente?
Somo influenciados por muita coisa, desde a literatura ao cinema. Mas somos influenciados também pela música daqueles que nos rodeiam. Felizmente temos muitas bandas boas à volta, e acabamos todos a participar nos projectos uns dos outros. Falo de bandas como PAUS, Filho da Mãe, Riding Pânico, Dead Combo, etc.. Estamos rodeados de uma série de gente que gosta de fazer música, e que a faz bem, e isso é altamente motivador.
O tradicional Festival Internacional de Óbidos elegeu um tema bem especial para as esculturas de chocolate desse ano. Desde o dia 2 de março estão espalhados zona da Cerca do Castelo diversos personagens (apetitosos) inspirados nos 20 anos da Disneyland Paris. Bela Adormecida, Nemo, Mickey, Minnie e Peter Pan são apenas alguns dos nomes presentes. Astros dos filmes "Carros" e "Piratas do Caribe" também têm seus representantes produzidos de chocolate. Todas as obras foram realizadas por profissionais da doçaria portuguesa.
Quem estiver passando pela terrinha nesse mês, já coloca a dica no roteiro. A exposição está aberta ao público sextas (das 14h às 22h), sábados (das 10h às 22h) e domingos (das 10h às 20h), até o dia 25 de março. Adultos e crianças a partir dos 12 anos pagam 7 euros, enquanto crianças dos 6 aos 11 anos pagam 5 euros. Bar de Gelo, Casa de Chocolate das Crianças e cursos de chocolateria estão incluídos na programação e podem ter custos adicionais.
No fim do ano passado, a cantora brasileira Maria Gadu lançou seu novo disco, "Mais uma Página". Nele, contou com a participação especial de seu amigo luso Marco Rodrigues. Na faixa "Valsa", composta por ela, há uma clara influência da música portuguesa, além do belo sotaque e estilo fadista de Marco. Em função disso, a TV Globo de Portugal entrevistou o cantor durante um passeio a Belém, em Lisboa. Ele falou da grande amizade que formou com Maria Gadu e como foi sua primeira visita profissional ao Brasil.
Em maio, Maria Gadu volta a Portugal para duas apresentações, uma no Coliseu do Porto e outra no Coliseu de Lisboa. Ambas contarão com a presença de Marco Rodrigues. Esperamos que, para esse ano, eles ainda possam apresentar esse dueto ao vivo também do lado de cá do oceano. Só nos resta torcer!
Nessa semana, o cantor português Lucenzo - responsável pelo hit "Vem Dançar Kuduro" - foi até os estúdios da rádio Jovem Pan FM, em São Paulo, para parcipar do Pânico. No intervalo do programa, o repórter Rafael Boro aproveitou para conversar com ele sobre sua presença no Carnaval baiano e as impressões da capital paulista. Ouça!
Divertida, autêntica, inteligente, profissional. Assim é Manuela Azevedo, vocalista da banda portuguesa Clã. Ela, que já esteve com seu grupo no Brasil algumas vezes e firmou boas parcerias por aqui, é um dos grandes exemplos de músicos que sabem como fazer um intercâmbio Portugal-Brasil funcionar.
Clã e Pato Fu cantam "Depois" no Sesc Pompeia
Já tive a oportunidade de vê-la ao vivo com o Clã em São Paulo. Esse foi um grande show que contou com a participação de Fernanda Takai e John, da banda brasileira Pato Fu. Em outra noite, Arnaldo Antunes foi quem subiu ao palco para uma jam session.
Foto: Priscila Roque
Nesse ano, a banda Clã completa 20 anos de existência com seis álbuns inéditos de estúdio, sendo o último deles um lindo projeto infantil, o "Disco Voador". E, aproveitando o "Ano de Portugal no Brasil", convidei a Manuela para um bate-papo... E como rendeu! Ela tem boas experiências para contar e uma enorme bagagem sobre o assunto. Acompanhe!
Cultuga: Você é uma das figuras da cultura portuguesa moderna que mantém um contato direto com o Brasil. Depois de alguns shows no País, parcerias com músicos brasileiros - como Arnaldo Antunes e a banda Pato Fu - e até a regravação de músicas brasileiras, como você descreve esse intercâmbio?
Julgo que este intercâmbio está ainda no começo. Na verdade, há muito tempo que Portugal (os seus artistas e o seu público) está atento ao que se faz musicalmente no Brasil, mas a mesma atenção não é dispensada em sentido inverso. Nos últimos anos, isso tem mudado, quer porque o encontro entre artistas brasileiros e portugueses se tem intensificado, quer porque tem havido um esforço de divulgação da música portuguesa no Brasil. Seja como for, ainda há muito a fazer para que os brasileiros percebam que a música portuguesa que se faz hoje não é só fado e Roberto Leal, mas antes uma música muito variada em estilos e propostas, rica nos seus textos e intérpretes.
Foto: Priscila Roque
Cultuga: Quando começou essa conexão na sua carreira?
A conexão dos Clã com o Brasil começou na altura em que estavamos a compor o nosso 3º álbum de originais – "Lustro".Tinhamos conhecido o trabalho do Arnaldo Antunes (solo) e ficamos apaixonados pela sua poesia. Enviamos-lhe então os nossos 2 álbuns ("LusoQualquerCoisa" e "Kazoo") e atrevemo-nos a convidá-lo a ser nosso parceiro. O Arnaldo, generosamente, aceitou o convite e assim nasceu a nossa primeira canção juntos – "H2OMEM", uma das canções mais fortes na história dos Clã.
Foto: Divulgação
Cultuga: O que lhe rendeu de mais especial até hoje em manter esse contato com o Brasil?
A música brasileira sempre foi fonte de inspiração e admiração de todos os músicos dos Clã – principalmente a forma livre e rica como trabalham a língua portuguesa (matéria prima de todas as nossas canções). Este encontro com artistas brasileiros – do Arnaldo aos Pato Fu, passando por Zeca Baleiro também – ensinou-nos muito e enriqueceu o nosso vocabulário musical e a nossa experiência enquanto intérpretes e compositores. E trouxe-nos também bons amigos!
Clipe da música "Tira a Teima"
Cultuga: Quais são os músicos brasileiros que você mais admira?
São muitos os artistas brasileiros que admiramos – de Caetano Veloso a Marisa Monte, Noel Rosa a Cassia Eller, Gilberto Gil a Dorival Caymmi, João Gilberto ou Roberto Carlos, a lista de artistas, compositores e intérpretes é muito longa….
Foto: Priscila Roque
Cultuga: Em setembro, os governos português e brasileiro darão início ao projeto "Ano de Portugal no Brasil". Qual é o foco cultural que mais precisaria ser explorado, na sua opinião?
Vejo o quanto ainda há brasileiros que pensam que a música portuguesa se resume no trabalho de Amália Rodrigues ou Roberto Leal... Puxando a brasa à minha sardinha, diria que a música – entenda-se a música mais moderna que se faz actualmente em Portugal – seria um foco muito importante e interessante a explorar. Até pelo fato de o potencial comunicacional da música, enquanto expressão artística, ser muito maior aqui – quer pela ligação à lingua, quer pelas características especiais da música enquanto arte tendencialmente mais universal. E, mais uma vez, seria ocasião para semear novas possibilidades de parcerias e encontros entre músicos portugueses e brasileiros. Julgo que o teatro seria outra arte a potenciar neste encontro, mais uma vez pela possibilidade de “contágio” e colaborações que poderiam surgir entre os agentes teatrais de ambos os países.
Ouça Manuela Azevedo cantando "Carinhoso"
Cultuga: Com esse projeto, há chances de termos a presença do Clã novamente no Brasil ou o lançamento de alguns discos por aqui?
Vontade não nos falta! Surgindo a oportunidade, regressaremos com muita alegria ao Brasil.
Cultuga: Depois da experiência que já tiveram com o Clã no Brasil, como você identifica o público brasileiro? Quais são as maiores diferenças entre os públicos brasileiro e português?
O Brasil é um país gigantesco! Não temos a pretensão de conhecer o público brasileiro, até porque isso deve mudar de estado para estado, de região para região… Para já, tivemos contacto com o público paulista (estivemos em São Paulo já em várias ocasiões) e com o público nordestino. Nos dois casos, fomos muito bem recebidos e entendidos. Não sentimos grande diferença entre o público português e o brasileiro – a maior será, claro, o fato de sermos uma novidade para o público brasileiro e os portugueses já nos conhecerem melhor. Mas a empatia, a ligação que se consegue não é assim tão diferente. Afinal, falamos a mesma língua, apesar das diferenças de sotaque…
Foto: Divulgação
Cultuga: O que poderia ser feito para que a música portuguesa atual fosse melhor absorvida pelo público brasileiro - assim como acontece o inverso em Portugal, estabelecendo um verdadeiro contato de pátrias irmãs?
Teria que haver uma maior divulgação da música portuguesa no Brasil, concertos, edição de música, presença de música portuguesa nos media, etc. Ou seja, há muito trabalho a fazer! É certo que grande parte desse trabalho terá que partir dos músicos e da sua vontade de construir algo no Brasil. No entanto, é absolutamente essencial que, institucionalmente, haja também algum apoio a este esforço. Não estou a falar de subsídios! Estou a falar de cooperação institucional que ajude a agilizar coisas práticas como, por exemplo, emissão de vistos, descontos em voos, divulgação da música portuguesa pelos canais culturais do estado português, protocolos de colaboração, enfim, olhar para a criação de um “verdadeiro contato de pátrias irmãs” como uma grande oportunidade!
Manuela Azevedo durante o projeto Humanos, que também contou com a participação de músicos do Clã, David Fonseca e Camané
Cultuga: Por fim, gostaria que você deixasse algumas sugestões de músicas, livros ou filmes... Nomes da cultura portuguesa que poderiam cruzar o oceano.
Aqui vão algumas dicas (mas há muito mais!):
Música – Deolinda, Virgem Suta, Nuno Prata, B- Fachada, Samuel Úria, Buraka Som Sistema, Sam the Kid, entre outros. E ainda 2 dos meus fadistas favoritos – Camané e Carminho.
Livros – julgo que nesta área, já há mais trabalho feito… não vou falar dos autores incontornáveis como Pessoa, Saramago, Eça de Queiroz, etc. Estes têm já, concerteza, lugar cativo no vosso país. Aproveito para aconselhar autores mais recentes como Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, entre outros.
Filmes – "Sangue do meu sangue", de João Canijo é um dos filmes mais recentes e mais interessantes da cinematografia portuguesa. Mas há muito a descobrir nesta área! Para além dos nossos cineastas mais antigos, como o incrível e centenário Manoel de Oliveira, há uma nova geração de realizadores portugueses a fazerem um excelente trabalho. O cinema português de animação, por exemplo, tem autores maravilhosos como Regina Pessoa, Pedro Serrazina, Nuno Beato, João Fazenda, Abi Feijó, José Miguel Ribeiro, entre outros. E jovens realizadores como João Salavisa, Miguel Gomes, Pedro Costa, Sandro Aguilar, premiados e reconhecidos internacionalmente, são garantia de um sólido futuro para o cinema português.
Clipe de "Os Embeiçados", que faz parte do projeto infantil do Clã - "Disco Voador"