quinta-feira, 31 de maio de 2012

Olhinhos puxados e coração luso


Foto: Débora Midori
Nas minhas andanças pela Internet descobri a Debora Midori e o seu Na Terra dos Bules que Babam. Uma brasileira, de olhinhos puxados, que tem o coração lá em Portugal. No blog ela divide suas experiências lusas - por viver em Lisboa - e conta algumas curiosidades da terrinha.

Seu capricho, sua tamanha dedicação em mandar um depoimento para cá e a história linda que ela tem para contar me encantaram. Os Bules da Debora já viraram parceiros do galinho do Cultuga :)

Minha vida portuguesa

Sem nunca imaginar viver em Portugal, resolvi conhecer o país e me mudar para Lisboa em 2009. Meu objetivo era realizar a pós-graduação em Turismo e voltar para São Paulo, minha cidade natal. Fiz a pós, mas acabei me encantando por Portugal e por um português, que não me deixa retornar.
Com essa vista, foi amor a primeira vista

Portugal é uma Graça

A paulistana aqui, que de Portugal só conhecia as castanhas, as azeitonas e o Roberto Leal, ficou apaixonada pela cidade assim que colocou seus pés nela. O ar puro, a arquitetura, os vinhos e a culinária fizeram eu ter a certeza que era aqui que queria viver. Meus primeiros dias foram num hostel de um dono sueco no miradouro da Graça e foi aquela vista da cidade que me conquistou.
Com um guia de bolso e um mapa, fui me perdendo pelas ruas e pelos sabores da cidade, sem medo nem preconceitos. Depois de Lisboa, parti à descoberta do país que, embora pequeno, encerra em si uma enorme diversidade paisagística. O que me fascinou foi o fato de em uma hora de viagem podermos saltar de uma das muitas belas praias até ao verde das montanhas, descer o rio Douro de barco, visitar um castelo medieval ou simplesmente passear no parque EXPO com a sua arquitetura de vanguarda.

Hoje em dia

Nesses últimos três anos, presenciei um período difícil na economia do país e de toda a Europa, onde muitas pessoas tiveram e ainda estão a aprender a viver de forma mais comedida. Cheguei a retornar à São Paulo, frente a tantas dificuldades e a falta de oportunidades, mas meu coração falou mais alto e resolvi enfrentar de peito aberto e de mãos dadas com meu marido essa enorme crise europeia.
Como boa brasileira, não desisto jamais, e no meio de tantos obstáculos, encontrei meu caminho. Hoje em dia, dirijo a Mileva Lisboa, minha empresa de serviço de transfer privativo para turistas brasileiros, sou empreendedora social através de serviço de acompanhamento de idosos, sou voluntária e fundadora da Associação Plantar Uma Árvore e continuo firme e forte com o meu blogue Na Terra dos Bules que Babam.
Sou muito feliz em Lisboa, onde encontrei o amor, qualidade de vida, saúde e paz de espírito. Recomendo a todos que venham visitar Portugal e sentir os sabores dessa terra magnífica e encantadora.

Um abraço a todos de Lisboa,

Debora Midori
dmidori@gmail.com

Shows de Cristina Branco no Brasil

Foto: Augusto Brázio
Depois de Ana Moura, chegou a vez de Cristina Branco vir ao País para comemorar o Dia de Portugal. A fadista fará duas apresentações no Brasil, uma em São Paulo e a outra em Brasília. Programe-se para não perder esse lindo show!

São Paulo
Local: Casa de Portugal - Av. Liberdade, 602
Data: 10 de junho
Hora: às 18hrs
Informações: (11) 3342-2104

Brasília
Local: Teatro Unip - 913 Sul
Data: 11 de junho
Hora: às 21hrs
Informações: (61) 3346-3738

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Orelhão português na Call Parade


Foto: Priscila Roque
Desde a semana passada, a empresa de telefonia Vivo mudou alguns orelhões da Av. Paulista e arredores, além de bairros como Liberdade, Moema e Pinheiros. Ao todo, são 100 obras colorindo a cidade.

Como não poderia deixar de ser, um deles presta homenagem a comunidade lusa, com as cores verde e vermelha e um lápis na transversal - como o estereótipo do padeiro. Ele se chama "Ora Pois!" e foi produzido por Julia e Ricardo, o "Los Paoliello". Para conhecê-lo, anote o endereço: Av. Paulista, 1294.

Biografia dos artistas: Los Paoliello é o codinome da dupla Julia e Ricardo Paoliello, filha e pai. Julia cursa o último ano de arquitetura no Mackenzie. Ricardo é redator publicitário com mais de 30 anos de profissão e realiza trabalhos para grandes clientes. Também já conquistou alguns dos principais prêmios da propaganda. Filho e neta de artistas plásticos - a família Dutra, sendo o avô João Dutra um renomado pintor, inclusive com obras no acervo da Pinacoteca de São Paulo.

Saiba mais sobre a exposição: http://callparade.com.br

terça-feira, 29 de maio de 2012

Castelbel: um cheirinho de Porto no Brasil

Foto: Priscila Roque
Na última semana, recebi um telefonema animado da minha mãe. Ela tinha acabado de conhecer uma loja na Vila Nova Conceição, em São Paulo, cheia de produtinhos trazidos de Portugal. Era a Castelbel.

Foto: Priscila Roque
Como estava à caminho do mesmo local, passei por lá para conhecer. Fui recebida por uma das responsáveis pela marca no País, a Bárbara Duarte. Ela me mostrou tudo o que eles têm por lá e contou um pouco da ideia de trazer essa marca ao Brasil.

Foto: Priscila Roque
Na verdade, os produtinhos da Castelbel são revendidos por lojas diversas no mundo todo. Por aqui, essa é a primeira loja exclusiva da marca. A Castelbel é uma fabricante de sabonetes, velas aromáticas e fragrâncias caseiras do norte de Portugal, nos arredores do Vale do Rio Douro.

Foto: Priscila Roque
Junto daquele cheirinho delicioso que a local tem, por conta da variedade de produtos que aguçam o olfato, também há os papéis higiênicos coloridos da Renova. Um charme! Dá vontade de levar tudo :)

Castelbel - Brasil
Rua Afonso Braz, 349A
Vila Nova Conceição - SP
Tel: +55 1183 691 291
barbara.duarte@castelbel.com.br
Facebook: http://www.facebook.com/Castelbel

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Encerramento do especial sobre fado



Depois de dois meses de entrevistas, o especial sobre fado contemporâneo do portal SaraivaConteúdo chega ao fim. Foram oito entrevistas com fadistas da atualidade comentando o assunto.

Na semana passada, conversei com Margarida Guerreiro. Ela falou sobre todos os projetos que já participou e suas influências na música brasileira. O bate-papo que saiu hoje foi com o Camané, um dos maiores nomes do gênero.

O Príncipe do Fado fechou o especial com chave de ouro. Ele comentou sobre as mudanças que o estilo musical sofreu ao longo desses anos, principalmente com a nomeação a patrimônio da humanidade pela UNESCO.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Banda Mais Bonita no Cultuga

Foto: flckr.com/rosanomauro
Para encerrar o especial de aniversário do Cultuga, convidei mais um grupo brasileiro - que também é apaixonado pela terrinha -, A Banda Mais Bonita da Cidade.

Depois de estourar com o clipe de "Oração" por aqui, eles viajaram para o outro lado do oceano e enriqueceram ainda mais o repertório. De Portugal, trouxeram na bagagem a música "Capitão Romance", da banda lusa Ornatos Violeta, e incluiram no setlist brasileiro.

Acompanhe o bate-papo com a vocalista Uyara Torrente!

Cultuga: No final de 2011, vocês estiveram em Portugal para algumas apresentações. Como foi a estadia por lá? Deu tempo de conhecer um pouco do país e da cultura lusa?

Foi uma grande felicidade! Na verdade foi bastante corrido, fizemos três shows em três cidades diferentes, tivemos pouco tempo pra turismo exatamente, mas claro que a gente deu um jeito de conhecer alguns lugares, mesmo que poucos e com pouco tempo.

Cultuga: Assim que foi lançado do clipe de "Oração", o cantor português David Fonseca postou o vídeo no Facebook - demonstrando grande admiração. Vocês estreitaram contatos com músicos e produtores da terrinha?
Somos admiradores do trabalho do já extinto Ornatos Violeta, fizemos inclusive uma versão da música "Capitão Romance".  Mas o nosso contato mesmo feito em Portugal foi com o ator/roteirista João Moreira. O contato se deu porque todos da banda acompanham e adoram os vídeos do Bruno Aleixo - personagem criado por João. Quando soubemos da nossa ida pra Portugal, divulgamos na nossa página "queremos conhecer o Bruno Aleixo!". Então, o João nos escreveu. Foi surreal! Saímos todos juntos duas noites. Foi muito divertido e até trocamos idéias para futuras parcerias.

A Banda Mais Bonita da Cidade toca "Capitão Romance", do Ornatos Violeta

Cultuga: O público português tem facilidade em absorver a música brasileira. Entretanto, não é fácil atravessar o oceano. O que mais impressionou vocês nessa ida a Portugal e o sucesso tão imediato?
Tudo que já vinha nos acontecendo parecia um filme, um sonho, mesmo. E quando a gente achava que já estava tudo muito bom, a coisa nos surpreendia ainda mais. Eu estava muito nervosa no primeiro show, em Lisboa. Era um festival, tinha um monte de coisa acontecendo, achei que poucas pessoas fossem ficar pro show, e talvez alguns curiosos. Quando subi no palco, vi que estava lotado e quando começamos percebi que as pessoas conheciam as músicas, cantavam junto, pediam música! Foi muito emocionante! Os outros show que fizemos foram igualmente emocionantes e surpreendentes. Eu sempre pensava: "Ta, se prepara, dessa vez ninguém vai saber nada, ou não vai ter muito público, ou vai ser um show difícil", e então eu entrava no palco e estava lotado, as pessoas vibrando e tudo correria lindamente. Acabei deixando de lado o ditado "quando a esmola é demais o santo desconfia" [risos].

Cultuga: Aqui no Brasil, a música "Oração" ganhou uma porção de paródias. Em Portugal, além do carinho do público, a canção também recebeu versões?
Não encontramos nenhuma paródia portuguesa, seria divertido se acontecesse. Acho que a maior  manifestação de carinho a gente sentiu pelos shows mesmo.

Cultuga: Em entrevista a um veículo português, você comentou que tem um irmão que mora em Lisboa e nunca tinha visitado o local. Como foi esse reencontro?
BAH! Muito muito emocionante! Como se não bastasse tudo o que estávamos vivendo com a banda, ainda pude abraçar meu irmão que eu não via tinha uns anos. Estávamos muito a flor da pele. Durante o primeiro show, eu olhei pra ele e ele estava chorando muito, não consegui me segurar. Ele sempre acreditou muito em mim, no meu trabalho. Sempre acompanhou minha luta pra conseguir viver da minha arte, seja como atriz ou cantora. Sabíamos que o fato da minha banda estar fazendo um show ali, era muito significativo pra minha carreira, uma grande conquista, e pudemos comemorar da melhor maneira. Juntos.

A Banda Mais Bonita da Cidade

Facebook: http://www.facebook.com/abandamaisbonitadacidade
Site: http://www.abandamaisbonitadacidade.art.br
Twitter: http://twitter.com/bandamaisbonita

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Bruno Gouveia fala sobre os Xutos e Pontapés

Foto: Reprodução/ Fotolog/ Biquíni Cavadão
Não é de hoje que artistas brasileiros formam boas parcerias com bandas lusas. Um encontro que julgo bem especial foi em 2006, quando os Xutos e Pontapés vieram ao Brasil para um festival no Ceará. Por lá, encontraram com os músicos do Biquini Cavadão para uma jam session no palco.

O Biquini, por sua vez, também já lançou um disco em Portugal e teve uma experiência bacana por lá. Pensando nisso, convidei o vocalista Bruno Gouveia para participar das comemorações de 2 anos do Cultuga em mais um bate-papo. Veja como foi!

Cultuga: O Biquini Cavadão teve a oportunidade de conhecer os músicos da banda Xutos e Pontapés em 2006, no Ceará. Como foi esse encontro?
Já conhecia o trabalho do Xutos há muitos anos. O encontro foi muito rápido e quisemos fazer uma parceria. Convidamos todos para cantar "We Will Rock You". Foi ótimo trocarmos idéias com uma banda tão representativa do rock português.

Foto: Divulgação
Cultuga: A primeira vez que a banda foi a Portugal foi em 1999, com o lançamento do disco "biquini.com.br"? Como foi a divulgação de "Janaína"? O que você achou da recepção do público português?
Foi um trabalho muito bem organizado pela BMG. Fizemos muitos programas de TV, rádio e imprensa. Infelizmente não tenho registro de nada, sequer uma matéria. "Janaína" tocou bem, mas faltou uma continuidade no trabalho para que pudéssemos estar mais presentes em Portugal. Do público, recebemos o carinho e foi um charme ouvir as portuguesas cantando nossa música!

Cultuga: Você já viajou para Portugal em outras oportunidades? O que você achou do país?
Eu viajei outras vezes, sem contar que, em 1999, fiz uma longa viagem até o Minho, passando por Óbidos, Leiria, Coimbra, Porto e Braga. Aproveitei muito a oportunidade de conhecer o país de onde viemos. Trouxe discos de algumas bandas e artistas, como Rui Veloso, Entre Aspas, Delfins, etc..

Cultuga: No final deste ano, teremos o início do projeto "O Ano de Portugal no Brasil", confirmado pelos dois governos. O que você acha que poderia ser feito para aumentar esse intercâmbio entre as duas pátrias, principalmente no campo musical?
Acho que seria ótimo podermos ter festivais nos dois países em que houvesse uma integração artística tal que as bandas ao final do evento se misturassem, que um participasse no show do outro. Creio que isto chamaria a atenção de fãs dos dois lados.

Cultuga: Você pensa em estabelecer algum projeto com músicos portugueses ou lançar mais algum material do Biquini em Portugal?
Interesse sempre existiu. Falta estabelecermos o canal para isso. Quem sabe a partir desta entrevista? ;-)


Acompanhe as novidades do Biquini Cavadão:

Site: http://biquinicavadao.uol.com.br
Facebook: http://www.facebook.com/biquinicavadao


Acomapanhe as novidades dos Xutos e Pontapés:


Site: http://www.xutos.pt
Facebook: http://www.facebook.com/XutosePontapes

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dia de Portugal: Ana Moura no Brasil

Foto: Paulo Segadães
Em celebração ao Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, comemorado no dia 2 de junho, a Secretaria de Cultura (Secult), em parceria com o Vice-Consulado de Portugal em Belém e do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira no Estado do Pará, traz à capital paraense a cantora Ana Moura, para uma apresentação única, às 20h, no Theatro da Paz. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro.

A fadista Ana Moura vai mostrar o espetáculo “Leva-me aos Fados”, com interpretações dessa expressão de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o fado, gênero musical marcante e característico em terras lusas. O reconhecimento do fado como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade se deu em novembro do ano passado.

Ana Moura nasceu em Santarém, Portugal, e cresceu num núcleo familiar em que todos cantavam em reuniões e acontecimentos particulares. Cedo desenvolveu gosto por vários estilos musicais, mas o fado foi sempre uma presença constante. Com uma banda formada por  Angelo Freire (guitarra portuguesa), Pedro  Soares (viola de fado) e André Moreira (baixo acústico), Ana Moura vai mostrar, em cerca de 75 minutos de espetáculo, um repertório que faz um apanhado dos CDs “Guarda-me a vida na mão”, “Aconteceu”, “Para além da saudade”, “Leva-me aos fados” e do DVD “Coliseu”.

* Com informações da Agência Pará.

Susana Ventura faz um convite à navegação

Foto: Editora Peirópolis
Para comemorar o 2º ano do Cultuga no ar, convidei a escritora e professora brasileira Susana Ventura para um bate-papo. Ela acabou de lançar um livro dedicado a formação da literatura portuguesa chamado "Convite à Navegação - Uma Conversa Sobre a Literatura Portuguesa", pela Editora Peirópolis.

Com enorme carinho e dedicação, ela aceitou o convite e me surpreendeu com sua história. Confesso que essa entrevista foi muito marcante para mim. Pude perceber em suas palavras o cuidado em produzir essa obra e a paixão que tem pelo assunto.

A Susana Ventura é doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Como professora e pesquisadora das literaturas de língua portuguesa, tem trabalhado em diferentes universidades brasileiras, portuguesas e francesas ministrando cursos e palestras.

Cultuga: Quando e como surgiu o seu interesse pela literatura portuguesa?
Surgiu ali pelos 10 anos de idade. Minha mãe era professora da Rede Estadual e se preparava para um concurso público para progredir na carreira. Então ela voltou a estudar, começou a fazer um curso aos finais de semana e a trazer muito material para casa. A família se envolveu no projeto dela: ouvíamos as narrativas das aulas, muito animadas, ministradas por grandes professores, como Antonio Medina Rodrigues, da USP, e a ler em conjunto parte dos textos literários. Era uma delícia ouvir os relatos das aulas – animadas, plenas, instigantes e poder partilhar da leitura. Eram professores muito bons, capazes de motivar um público que já trabalhava muito e que nos finais de semana se dedicava a estudar para o concurso. Na minha casa, fazíamos leituras em voz alta de poemas e trechos de romances e meus pais lembravam de outros textos -  que haviam declamado ou pelos quais haviam passado na escola. Lembro-me de uma mistura das literaturas portuguesa e brasileira e do meu encantamento com Castro Alves, Manuel Bandeira, Camões, Camilo Castelo Branco entre vários outros.

Cultuga: Para reunir um assunto tão amplo em uma única obra, foi preciso fazer um recorte de seus estudos, certo? Como você fez essa delimitação?
Sim, sem dúvida  foi preciso escolher sobre o que falar – o que seria mais importante para realmente convidar alguém a começar a conhecer a literatura portuguesa? A opção recaiu sobre o período que vai do início da formação de língua e literatura até o marco representado pela obra de Camões, com laçadas para escritores muito presentes no leitor contemporâneo: Fernando  Pessoa e José Saramago sobretudo. Achei que mapear bem o início e dar relevo a obras significativas para o leitor do Brasil – como aquela de Gil Vicente, tão presente e revivida no trabalho de Ariano Suassuna – seria um caminho seguro.

Cultuga: Qual é o seu autor português preferido? Por quê? E a obra que você tem como referência?
A literatura portuguesa é muito rica e não consigo escolher apenas um deles. Somente no tempo presente há dezenas de ótimos escritores em atividade, cada um com um projeto próprio e muito bem definido. Pensando em termos de literatura ocidental,  a literatura portuguesa é, no momento, das mais ricas e fecundas. E há todo o passado literário português, com autores que fazem parte de minha vida, como Gil Vicente, Camões, Mariana Alcoforado, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Fernando Pessoa... é muita gente interessante, muita obra instigante, não dá para escolher um autor só mesmo.

Cultuga: O livro traz no título a palavra "convite". Ou seja, nos dá a impressão de que a obra possa ser lida por todos, desde aqueles que já conhecem bastante do assunto até os "marinheiros de primeira viagem". Gostaria que você comentasse.
A palavra convite é mesmo uma boa chave de entrada para o livro – convite para uma conversa, para uma aproximação. E pensando em marinheiros de primeira viagem e até em marinheiros antes da primeira viagem, quando navegar sequer era um sonho.  Por isso tentei fazer um livro que fosse interessante para todos os leitores fluentes que queiram saber mais sobre a literatura portuguesa e que contasse sobre sua história, a história dos homens e mulheres que a construíram e sobre seus sonhos, como aparecem também nas obras literárias. Tentei manter um clima de conversa, num registro simples e preciso, mas sem perder o sabor de um bate-papo.

Cultuga: A partir de setembro, teremos "O Ano de Portugal no Brasil". Na sua opinião, o que poderia ser feito para que houvesse a popularização de novos autores portugueses no País e novos nomes brasileiros em Portugal?
Muito já tem sido feito, embora não seja tão evidente à primeira vista. O trabalho de formiga dos professores do Ensino  Médio e dos cursos de Letras que pacientemente  e há muito tempo aproximam os escritores portugueses dos alunos.  Os últimos anos foram também marcados pela ampliação do espaço dado aos escritores portugueses – especialmente os contemporâneos - nos catálogos de editoras brasileiras. O Prêmio Nobel concedido a Saramago em 1998 abriu caminho para a entrada de vários escritores novos – como Dulce Maria Cardoso, e mais recentemente Valter Hugo Mãe e José Luís Peixoto - e a dinamização da publicação e visibilidade de  vários escritores que já eram publicados aqui, como Helder Macedo, Teolinda Gersão, Lídia Jorge e especialmente Lobo Antunes. No que diz respeito à literatura para crianças e jovens, o já expressivo catálogo da Editora Peirópolis ganhou estofo em anos recentes e pode ser hoje considerado a melhor maneira para o jovem leitor brasileiro entrar em contato com a literatura portuguesa feita especialmente para ele ou que pode por ele ser usufruída em plenitude. Acho que o Ano de Portugal no Brasil nos trará uma grande dinamização em termos de conhecimento mútuo e trocas culturais por meio da literatura. É esperar para ver!

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terça-feira, 22 de maio de 2012

Tiago Tejo fala do projeto Pixelejo

Foto: Facebook/ Pixelejo
Seguimos com mais uma entrevista especial dentro do aniversário de 2 anos do Cultuga. O bate-papo de hoje é com o artista plástico luso Tiago Tejo, que tem 26 anos. Mesclando pixels com os tradicionais azulejos portugueses, ele criou o Pixelejo.

O projeto, que nasceu em 2008, já está se espalhando pelo mundo. Recentemente, ele ganhou uma mostra em Toulouse, na França. Por lá, apresentou paineis e até enromes sardinhas estampadas com sua ideia.
Foto: Facebook/ Pixelejo
Cultuga: Em que consiste o seu trabalho Pixelejo?
É o cruzamento de dois mundos que, num olhar fugaz, poderíamos dizer nada ter a ver, mas o meu trabalho é encontrar esses pontos de contato. O começo ocorre em 2008, há quatro anos. O projeto Pixelejo não gira em torno de um material próprio, mas sim de um conceito e dos desafios que o mesmo coloca. Dessa forma, qualquer material ou suporte é válido, desde que sustente os diálogos e objetivos que o conceito me coloca. Inicialmente, o suporte, se assim lhe podemos chamar, não era mais que pequenos ficheiros de computador. Entretanto foi usado em papel, porque assim me serviu numa abordagem cruzada com a arte de rua, ou em LEGO, pois nesses brinquedos de construção há a mesma gênese do mosaico, da composição pela repetição de parte iguais que só se tornam algo no conjunto.
Foto: Facebook/ Pixelejo
Cultuga: Você faz grandes intervenções artísticas com esse projeto em Lisboa. Como é essa experiência?
Em Lisboa e não só. A primeira grande parede que fiz foi no Porto e agora vou ter dois painéis aqui em Toulouse, onde estou a preparar uma nova exposição. A experiência é, obviamente, diferente de pequenos pedaços aqui e acolá pela cidade. De forma geral, prefiro os grandes formatos. A reação das pessoas tem sido boa.
Foto: Facebook/ Pixelejo
Cultuga: Agora, você está com uma mostra em Toulouse. Você já teve esse projeto exposto em outro país?
Começando pelo fim, não. É a primeira vez que este projeto sai comigo para fora de Portugal. Há imensa gente que o conhece fora de Portugal, mas esta é a primeira oportunidade de o expôr além fronteiras. Assim sendo, tomei esta ocasião para fazer uma espécie de balanço, ver se as fórmulas até aqui concebidas e aplicadas ainda fazem sentido ou se se aplicam da mesma forma num contexto onde não há uma tão grande tradição azulejar. Por outro lado, interessou ver como se adaptam as ideias que até agora ganharam forma na rua dentro de uma galeria.
Foto: Facebook/ Pixelejo
Cultuga: Como juntar algo tão antigo, como os azulejos, e algo tão moderno, como os pixels?
Há, acima de tudo, desafios nisto. É como um enorme laboratório dentro da minha cabeça. Talvez daqui saía algo, tanto pode sair de proveitoso como a maior porcaria de sempre, mas vamos testando e experimentando.
Foto: Facebook/ Pixelejo
Cultuga: Esse projeto traz algo relacionado diretamente as suas raízes. Isso pode ser uma forma de homenagem ou referência?
São, sobretudo, tanto para o azulejo como para o píxel, duas realidades com que convivo muito de perto e continuo a conviver. Vivo numa cidade (Lisboa) carregada de fachadas azulejadas e continuo a jogar jogos desenhados em píxel, diariamente. Tinha de pegar em algo. Por que não fazê-lo através de coisas que gosto e conheço bem? Antes houve o "Arrepio Cardíaco", um livro de poesia. A relação não é tanto com Portugal, mas com a língua portuguesa.

Cultuga: E o próximo passo como artista? Você tem um novo projeto?
Não faço a menor ideia... Há muita coisa a decorrer neste momento, na minha vida. Tudo coisas boas, felizmente. Isto é, não tenho tido sequer oportunidade de estar arredado de tudo para deixar tudo assentar, decompor e voltar a germinar.

Acompanhe trabalho de Tiago Tejo:

Facebook:
http://www.facebook.com/pixelejo
http://www.facebook.com/tiagotejo

Twitter: http://twitter.com/pixelejo

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Entrevista com o fadista Marco Rodrigues

Foto: Juliana Pereira
Promessa é dívida! Recentemente, comentei que haveria uma surpresa com Marco Rodrigues por aqui, não foi? Pois bem, que rufem os tambores... Nessa semana, o Cultuga completa 2 anos e, para comemorar, teremos um especial somente de entrevistas.

Para começar, Marco Rodrigues marca também a estreia de entrevistas em vídeo do Cultuga. Esse bate-papo foi gravado em São Paulo, durante sua passagem pelo Brasil, quando se apresentou com Maria Gadú. Eu e a jornalista Juliana Pereira fomos encontrá-lo e gravamos a entrevista a seguir. Acompanhe!


Nos próximos dias, Marco Rodrigues estará no Porto e em Lisboa para cantar novamente com Maria Gadú. Além de sua participação em "A Valsa", ele também será responsável pelo show de abertura.

Lisboa
24 de maio
Coliseu dos Recreios

Porto
26 de maio
Coliseu do Porto

Saiba mais sobre o Marco Rodrigues:

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Adidas cria hino para jogadores de Portugal

Foto: Reprodução

"Portugal a saltar vai fazer tremer o chão/ Bandeiras no ar, Portugal campeão", diz o hino criado pela Adidas em homenagem e apoio aos jogadores patrocinados pela marca que vão representar Portugal na competição Europeia de Futebol. São eles: Fábio Coentrão, Nani, Carlos Martins, Quaresma, Postiga, Rui Patricio, João Moutinho, Ruben Micael e Hugo Almeida.

A letra foi escrita pelo embai­xa­dor da marca Pedro Fernandes com as cola­bo­ra­ções de António Raminhos e Luís Filipe Borges. Já a música é de Agir e Cifrão. O vídeo teve a direção artís­tica de Paulo Vintém e par­ti­ci­pa­ção espe­cial do comen­ta­dor es­por­tivo Luís Freitas Lobo.

O vídeo ainda conta com a participação de Rui Unas, António Raminhos, Pedro Fernandes, Luís Filipe Borges, Yen Sung, DJ The Fox, Inês Folque, Andreia Dinis, Pedro Teixeira, Sofia Ribeiro, Ruben Rua, Agir, Klepht (Marco, Mário e Diogo), Filipe Gonçalves, Débora Monteiro, Pedro Miguel Ramos, Catarina Limão, Cifrão e Vintém.



Acompanhe a letra:

Bora lá Portugal!

Pra bola entrar, qual é o pin
4 – 4 – 2 estamos todos all in

Em Paulo Bento eu creio
Para acertar em cheio
Passar pelos defesas
Como quem faz um risco ao meio

Levo adidas nos pés
Quero ouvir os olés
Portugal mostra-me quem és

As pisadas que eu sigo
São do Eusébio e do Figo
À conquista da Europa
faço o caminho contigo

Por isso vem daí
A caminho da Polónia
Sem medo do que aí vem
Até jogamos na Amazónia

Pra bola entrar, qual é o pin
4 – 4 – 2 estamos todos all in

Golo Golo
Portugal a saltar vai fazer tremer o chão
Golo Golo
Bandeiras no ar, Portugal campeão

Quem vai jogar de início
Na baliza o rui Patrício
Se o avançado vai a linha
O rui sai e grita é minha

Mete na frente
Não sejas ‘fossão’
Olha pra esquerda
Já corre o Fábio Coentrão

Agora aperta as chuteiras
E faz um laçarote
Remata com força
Ja mandei 2 ao barrote

Cruza para a área
Já estamos perto do fim
Dá de cabeça
Faltou-me um bocadinho assim

Pra bola entrar, qual é o pin
4 – 4 – 2 estamos todos all in

terça-feira, 15 de maio de 2012

As raízes brasileiras de "Barco Negro"

Caco Velho e Amália Rodrigues
Foto: Reprodução/ Internet
Uma canção antiga que se mantém atual em Portugal e no Brasil. A história de "Barco Negro", que ficou popular na voz de Amália Rodrigues, tem raízes brasileiras. Pouca gente sabe, mas ela já foi chamada - originalmente - de "Mãe Preta".

Caco Velho, um compositor brasileiro dos anos 1930, escreveu essa música com referências a escravidão. Anos mais tarde, na década de 50, a fadista Maria da Conceição a gravou e fez grande sucesso em terras lusas. Entretanto, ao descobrir a enorme propagação, a ditadura vetou sua execução nas rádios.

Para driblar a censura, David Mourão Ferreira escreveu uma outra letra, dessa vez sobre uma história no mar, e Amália Rodrigues deu nova vida àquela música, agora chamada de "Barco Negro". A canção conquistou diversos cantos do mundo e foi trilha sonora do filme "Amantes do Tejo".

A "nova" versão ganhou tanta projeção que ainda nos dias de hoje saem gravações de artistas de gêneros, gerações e nacionalidades bem diferentes.

Veja algumas dessas referências:

Amália Rodrigues canta "Barco Negro", em 1955, no filme "Amantes do Tejo"

Maria da Conceição canta a versão original, "Mãe Preta"

O grupo vocal Colletive Gospel canta "Barco Negro", no Centro Cultural de Belém

A versão pop rock da banda Amor Electro

Margarida Guerreiro apresenta uma versão de "Barco Negro" com músicos de seis nacionalidades diferentes

Mariza apresenta uma versão de fado tradicional para "Barco Negro"

Ney Matogrosso interpreta "Barco Negro" com uma roupagem similar a de "Mãe Preta"

Dulce Pontes apresenta sua versão para "Mãe Preta"

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Lisboa fadista de Marco Rodrigues

Foto: Universal Music Portugal
Até o fim do mês de maio, entrevisto um fadista por semana para o portal de cultura da Livraria Saraiva, o SaraivaConteúdo, em um especial dedicado aos músicos do fado da atualidade. Hoje, a entrevista foi com Marco Rodrigues, com quem estive pessoalmente na véspera de suas apresentações no Brasil ao lado de Maria Gadú.

Portanto, além desse bate-papo bem bacana no SaraivaConteúdo, na próxima semana - que coincide com o aniversário de dois anos do Cultuga - teremos uma surpresa exclusiva por aqui também relacionada aos Marco. Garanto que será imperdível :)

Ah, e continua rolando aquele sorteio da coletânea dupla "Fado" no Cultuga. O Marco Rodrigues é apenas um dos vários fadistas incríveis do line-up. Veja como concorrer no Facebook do Cultuga.

sábado, 12 de maio de 2012

Marcelo Jeneci e seu galo do tempo


Foto: Reprodução/ YouTube
A edição lisboeta do Rock in Rio vai reunir uma porção de músicos brasileiros e portugueses no Palco Sunset para jam sessions. Em função disso, hoje, Marcelo Jeneci aproveitou para postar um vídeo bem especial. Junto com um galinho do tempo (igualzinho ao do Cultuga!), ele faz um convite para sua apresentação ao lado de Mafalda Veiga, no dia 26 de maio.


Veja quais serão os outros encontros luso-brasileiros:

+ Xutos e Pontapés com Titãs
+ Rita Redshoes com Moreno Veloso
+ Mafalda Veiga com Marcelo Jeneci
+ Boss AC, Zé Ricardo e Paula Lima
+ Carminho com Pedro Luís
+ Amor Electro com Paulinho Moska
+ Rui Veloso com Erasmo Carlos
+ David Fonseca com Mallu Magalhães

Line-up completo do Rock in Rio Lisboa 2012 (site oficial)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Uma homenagem a Bernardo Sassetti

Foto: Reprodução/ Facebook
Hoje a minha timeline do Facebook amanheceu triste, arrasada, atordoada. Quando abri os meus e-mails e redes sociais para trabalhar, fui surpreendida com a notícia de que o pianista e compositor lisboeta Bernardo Sassetti havia falecido.

Ele, que completaria 42 anos no próximo mês, era casado com uma das atrizes de cinema mais respeitadas da atualidade no país, Beatriz Batarda, e era bisneto do 4º presidente de Portugal, Sidónio Pais.

Foto: Reprodução/ Facebook
Bernardo começou a estudar piano ainda na infância e foi com esse instrumento que ganhou reconhecimento mundial, principalmente no jazz, anos mais tarde. Com 25 anos de carreira profissional, deixa em seu legado deixa quase 20 discos gravados e uma porção de composições para o cinema. Entre suas parcerias estão Carlos do Carmo, Mário Laginha, Rui Veloso, Kátia Guerreiro e até Sting.


O inaceitável é que, de acordo com o jornal Expresso, Bernardo caiu de uma rocha na tarde de ontem, enquanto tirava fotos em uma praia na região de Cascais.

Essa será, certamente, uma manhã difícil de apagar da memória dos fãs da boa música.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O diário de Mafalda Arnauth


A série de entrevistas sobre fado contemporâneo que estou produzindo para o portal SaraivaConteúdo continua! Quem ilustra o bate-papo dessa semana é a fadista Mafalda Arnauth.

Essa apaixonada por animais transformou a música em um espaço para guardar suas memórias e desejos.

Sobre o fado feito na atualidade, ela disse: "É um fado de horizontes abertos, mas com uma necessidade constante de beber na essência. Sinto que todos os artistas atuais são fruto das mais diversas influências, não somente da sua cultura, mas buscam na raiz da tradição uma fonte incontornável de inspiração e de aprendizagem. O resultado, para mim, é um universo renovado de figuras carismáticas, impressionantes e de confiança renovada, com argumentos e talentos diversificados e reconhecidos por todas as gerações, que estão enriquecendo a cultura com novo repertório, que conta a história da vida atual com a mesma profundidade e entrega que as gerações anteriores".


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Destak: Ano de Portugal no Brasil


A edição do jornal Destak de hoje trouxe um especial sobre o "Ano de Portugal no Brasil" usando como gancho as ideias do ator luso Ricardo Pereira, que vive no País desde 2004. Além do galã, também há entrevistas com os comissários gerais do Brasil e de Portugal. Vale a leitura :)


Para ler, acesse a versão online do jornal (clique aqui para visualizar).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Vai uma dose de caracóis à portuguesa?

Foto: Priscila Roque
Não é difícil encontrar um turista brasileiro assustado quando vai pela primeira vez a Portugal. Ao sentar em um boteco, encontra com a placa que diz: "dose de caracóis". E, então, ele pensa: "Ah, deve ser somente o nome de algum prato típico". Não, não. São caracóis mesmo, de jardim, cozidos e temperados com azeite, alho, cebola e pimenta. Para emendar na especialidade, uma Cola ou uma Imperial. A escolha é do freguês!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Língua e herança portuguesa no Estadão


Nessa terça-feira, dia 8 de maio, o caderno Viagem do Estadão faz um tour pelos países que preservam heranças portuguesas, como o idioma, a arquitetura e a cultura. O especial contou com a colaboração da jornalista Nathalia Molina, do blog Como Viaja!. Imperdível :)

Clique aqui para ver a versão online.

sábado, 5 de maio de 2012

Lançamento: "Fado - World Heritage"

Foto: Priscila Roque
Os fãs da música portuguesa que vivem no Brasil sofrem frequentemente com a escassez de discos lusos no País. Além de poucos serem lançados por aqui, aqueles que vêm importados chegam a custar R$ 100 - algo inviável para os colecionadores.

Porém, para a alegria de muitos, acabou de chegar ao mercado brasileiro o disco "Fado - World Heritage" - uma coletânea dupla que reúne os grandes nomes do gênero de diversas fases. Uma homenagem ao estilo que foi recentemente reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

O primeiro CD é composto pelos fadistas ainda ativos, como Ana Moura, Carlos do Carmo, Carminho, Mariza, Camané, Marco Rodrigues, Cristina Branco, Mafalda Arnauth, Dulce Pontes, Helder Moutinho, Mísia, entre outros. No total, são 20 canções.

Já o segundo, são aqueles fadistas que fizeram história, como Amália Rodrigues, Tony de Matos, Argentina Santos, Maria da Fé, Francisco José, Manuel de Almeida, Lucília do Carmo e muito mais - a maioria falecidos, infelizmente. Aqui, são mais 20 faixas.

O encarte é uma preciosidade. Até aqueles que não conhecem bem o fado vão se apaixonar. As páginas trazem uma explicação bem didática sobre a importância do estilo para a cultura portuguesa. Em um primeiro tópico, a guitarra portuguesa é protagonista.

Na sequência, o processo de composição e a interpretação são abordados. Há espaço até para as raízes respingadas do fado no Brasil e também para a chegada dele nas maiores salas do mundo.

Amália Rodrigues e Carlos do Carmo, os maiores ícones do fado no mundo, ganharam duas belas fotos no disco, em página inteira, e um tópico especial para cada um, contando seu valor para o que chamamos hoje de World Music.

Foto: Priscila Roque
O fado é mostrado de maneira brilhante nesse álbum. Um disco capaz de reunir boas composições que trilham Lisboa e evidenciam uma porção de sentimentos com poesia.

A arte do disco também é lindíssima. Há três corações portugueses que ligam o livreto aos dois CDs, um vermelho, outro preto e, por fim, um branco. O lançamento não é exclusivo do Brasil. Portanto, o texto, além de português, também vem em inglês e francês - cobrindo uma vasta gama de países que consomem a música feita por fadistas.

CD 1:

1. Ana Moura - Caso Arrumado
2. Carlos do Carmo - Fado da Saudade
3. Carminho - Meu Amor Marinheiro
4. Ricardo Ribeiro - Moreninha da Travessa
5. Mariza - Há Uma Música do Povo
6. Camané - Sei De Um Rio
7. Aldina Duarte - Princesa Prometida
8. Cristina Branco - Bomba Relógio
9. Marco Rodrigues - Tantas Lisboas
10. Cuca Roseta - Saudades do Brasil em Portugal
11. António Zambujo - Amor de Mel, Amor de Fel
12. Raquel Tavares - Rosa da Madragoa
13. Mafalda Arnauth - Audácia
14. Ana Sofia Varela - Vivendo Sem Mim
15. Helder Moutinho - A Saudade
16. Dulce Pontes - Fado-Mãe
17. Paulo Bragança - Que Fazes aí Lisboa
18. Joana Amendoeira - Fado dos Azulejos
19. Kátia Guerreiro - Asas
20. Mísia -  Rapsódia dos Três Poetas

CD 2:

1. Amália Rodrigues - Barco Negro
2. Maria Teresa de Noronha - Fado das Horas
3. Max - A Júlia Florista
4. Alfredo Marceneiro - Há Festa na Mouraria
5. Lucília do Carmo - Maria Madalena
6. Manuel de Almeida - Fado Bailado
7. Tony de Matos - Lisboa Antiga
8. Beatriz da Conceição - Madrugada Sem Sono
9. Fernando Farinha - Guitarras de Lisboa
10. Vicente da Câmara - A Moda das Tranças Pretas
11. Argentina Santos - A Minha Pronúncia
12. João Ferreira-Rosa - Embuçado
13. Tristão da Silva - Aquela Janela Virada Para o Mar
14. Teresa Tarouca - Cai Chuva do Céu Cinzento
15. Fernando Maurício - Igreja de Santo Estevão
16. Rodrigo - Se a Vida Fosse uma Feira
17. Hermínia Silva - Fado da Sina
18. Carlos Ramos - Canto o Fado
19. Francisco José - Nem às Paredes Confesso
20. Maria da Fé - Até Que a Voz Me Doa

Fado - World Heritage
Selo: Universal Music
Preço médio: R$ 39,90
Para comprar online: Fnac e Saraiva

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cultuga no "Portugal Dentro de Nós"

Adriana Cambaúva, Priscila Roque e Antonio Quintal
Na última quinta-feira, estive nos estúdios da rádio Trianon 740 AM, em São Paulo, a convite da querida  Adriana Cambaúva. Por lá, conversamos sobre o Cultuga durante o programa "Portugal Dentro de Nós", de Martins Araújo, juntamente com Antonio Quintal.

Foi uma grande experiência. Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por rádio (e ainda mais pela cultura da terrinha). Espero que possamos continuar juntos nesse objetivo de popularizar Portugal do lado de cá.

Para quem não acompanhou, aqui estão alguns trechos:




O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 17h às 18h, na rádio Trianon 740 AM.
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