Casa da Padaria: o melhor lugar para dormir no Piódão

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O Piódão é um daqueles lugarejos de filme, sabe? Depois de rodar por uma longa e sinuosa estrada serra adentro, lá está essa aldeia, que é um cartão postal de qualquer ângulo que se vê. Casas de pedra escura, o xisto, que parecem ter sido construídas sobre um plano arquitetônico muito particular e uma paisagem envolvente que já foi riquíssima para a agricultura local. Só por aí, já te digo: não faça em bate-volta. Escolha dormir no Piódão para ter uma experiência do por-do-sol ao nascer do dia nesse local mágico.

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Sente o clima…

Diferente das aldeias da Serra da Lousã, que falamos recentemente por aqui, o Piódão é uma aldeia maior, tem mais habitantes permanentes e fica mais próxima da Serra da Estrela. Ela faz parte da chamada Rota das Aldeias Históricas de PortugalAssim, você poderá facilmente conjugar uma pernoite aqui em um roteiro que passe pela própria Serra da Estrela, por exemplo.

Nessa viagem que fizemos ao Piódão tivemos a companhia dos pais do Rafa. Assim, buscávamos uma hospedagem que pudesse se adequar ao perfil de nós quatro, que adoramos conversar com as pessoas e se envolver com os apaixonados pela terra. Por isso, a escolha da Casa da Padaria foi unânime.

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Frente da Casa da Padaria, na aldeia do Piódão

Na verdade, já tínhamos lido tanto sobre essa casa e indicado para vários clientes nossos da consultoria de viagem, que a escolha para visitar essa aldeia teve quase o mesmo peso da vontade de conhecer pessoalmente a Sra. Goretti e o Sr. António, proprietários dessa casa simpática e acolhedora, que fica no coração do Piódão.

Hospedagem na Aldeia do Piódão: como é a Casa da Padaria

As primeiras impressões

Chegamos a Casa da Padaria no início da tarde. Ao tocar o sino da típica construção de xisto com dois andares, a Sra. Goretti abriu a porta com um imenso sorriso: parecia que já estava nos esperando.

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Campainha a moda antiga

Ao entrar, sentimos aquele clima afável e rústico de casa de vó (portuguesa, como a minha rs.). Luz baixa, mobiliário tradicional e com um estado de conservação surpreendente, toalhas e cortinas feitas a mão, além da imensa cortesia de quem recebe uma família.

Subimos as escadas e encontramos o corredor dos quartos. No total, são 4 – sendo que dois deles estavam reservados para nós naquela noite. Apesar deles não estarem no Booking, aconselho que você solicite a reserva por e-mail, se o seu objetivo é dormir aqui. Durante o tempo que conversamos na recepção, vimos alguns viajantes batendo a sua porta, perguntando se havia um quarto vago. Para não correr o risco, entre em contato antecipadamente.

Da janela de todos os quartos conseguimos ver a serra e o Piódão, com aquela imensidão de verde que parece abraçar as casas de xisto. Localizada na própria aldeia, essa era uma antiga padaria (por isso o nome) dos pais do Sr. António, marido da Sra. Goretti. Aliás, quando ele era pequeno, fazia a entrega do pão em muitas casas.

Com o casamento, o serviço militar e o trabalho, o casal acabou por viver em diversas partes do país – principalmente em Coimbra e Loulé (no Algarve). Aposentados, eles retornaram a aldeia de origem do Sr. António, que ele guardava com imensa saudade, para reabrir essa casa que ficou desativada por quase 30 anos.

Foi em 1998 que eles começaram a transformação dessa padaria desativada em um alojamento de Turismo Rural, sendo a residência permanente deles anos mais tarde, em 2009. Mas, o que realmente nos fascinou é o amor que eles têm por receber as pessoas.

A Sra. Goretti (já deu para perceber que nos apaixonamos por ela, né?) se conecta aos viajantes de uma forma muito pessoal, não importa a nacionalidade. Não foram poucas as vezes que vimos seus olhos brilharem, com lágrimas tímidas, que misturavam a alegria e a saudade, contando histórias de diversos hóspedes que passaram por aqui nesses anos. O livro de visitas, que fica na porta da Casa, não a deixa mentir. É um carinho mútuo.

Como chegar

Nós partimos de Castelo de Vide rumo ao Piódão. Entretanto, não é um trajeto que eu aconselho para quem está fazendo um roteiro mais enxuto e tem pouco tempo para percorrer o país. É melhor conectar a pernoite por aqui com outra cidade/ região mais próxima, quando você poderá ver mais coisas diferentes e menor tempo.

Assim, o ideal é partir de Coimbra ou da Serra da Lousã, por exemplo, quando você vai demorar entre 1h30 e 2h para chegar. Uma outra sugestão, como já disse por aqui, é incluir o Piódão no seu percurso pela Serra da Estrela (a distância entre o Piódão e a Covilhã é também de 1h30, aproximadamente).

Porém, dá também para seguir de Lisboa direto. São quase 300km. Se essa for a sua opção, saia bem cedo, pois as estradas da Serra do Açor são pequenas, algumas mais lentas. Do Porto, a mesma coisa. Entretanto, o percurso será um pouco mais rápido, pois são 200km.

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Na estrada para o Piódão

Acomodações

Todos os quartos ficam no andar superior da casa, acessados somente pelas escadas. Portanto, se você está viajando com uma mala grande, deixe-a no carro (não tem problema algum) e leve para a Casa da Padaria somente o que você vai usar em um saco ou uma mochila. Foi o que fizemos e deu super certo.

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Detalhe da escada que liga a recepção aos quartos e o banheiro do nosso quarto

Confesso que o que mais nos chamou a atenção foi a limpeza. Das roupas de cama bordadas e branquíssimas ao banheiro com uma louça e metais que brilhavam. Impecável.

Estar aqui é fazer uma viagem no tempo, é mergulhar na casa da avó, como disse no início. Quarto aconchegante, banho quente e com ducha forte, uma pequena televisão, espaço para os nossos pertences e um amanhecer por aquela janela emoldurada com uma cortina feita a mão que ficará para sempre na nossa memória.

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A vista ao amanhecer… Até a névoa é charmosa

Talvez o único “inconveniente” aqui seja a falha no wi-fi dentro dos quartos. Entretanto, na sala de jogos, logo na entrada da Casa, funciona direitinho. Mas, quer saber? Isso não foi um problema. A graça de estar no Piódão é poder se desligar do mundo tecnológico e sentir um morador desse local tão pitoresco.

Café da manhã

A memória viva da antiga padaria está em um lugar que não poderia ser mais propício: a sala de café da manhã. Nela, vemos o tradicional forno a lenha, utensílios utilizados para a fabricação artesanal do pão, além de muitas fotos de família.

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Forno antigo usado na padaria do pai do Sr. António

O cheiro de café da manhã se espalha pelos corredores, e é tão convidativo. Nesse cenário, fazemos o desjejum, que é uma perdição com tanta fartura. Dá vontade de passar o dia nessa sala onde, há tempos, se fez muito pão para a região.

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Foto da época da padaria, nessa mesma sala

A Sra. Goretti prepara muito do que é servido aos hóspedes. Sentamos diante de uma grande variedade de produtos regionais, com queijos, presunto, pães, bolos, frutas e as geléias… Tudo passado por suas mãos com muito dom.

Facilidades e serviços

Para entreter a família, ao fim do dia passamos na pequena sala de jogos, bem retrô, para partidas e palitinho e dominó.

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Rafa e o sogro jogando dominó

O pagamento é feito somente em dinheiro, cartões de crédito não são aceitos.

Como os carros não são permitidos dentro do Piódão, você estacionará logo na estrada da aldeia – há algumas vagas no largo da Igreja Matriz. Não tem erro. Até a Casa da Padaria, são 5 minutos de caminhada, com placas de sinalização.

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Fala se não vale a pena dormir uma noite por aqui?

Casa da Padaria
Endereço: Rua Cónego Manuel Fernandes Nogueira 6285-018 – Piódão
Contatos e reservas: casa.padaria@sapo.pt – (+351) 235 732 773 – 964 889 498
Site: www.casadapadaria.com

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

2 comentários

  1. Marcos Antonio Magalhães em

    Pri e Rafa adorei a reportagem sobre Piodão estava na nossa lista de aldeias a serem conhecidas assim como Monsanto e Idanha, mas infelizmente não deu tempo, optamos numa decisão em conjunto pela Ilha da Madeira…..quem sabe na próxima viagem.

    Parabéns

    • Rafael Boro

      Olá, Marcos
      Tudo bom?
      O Piódão é fabuloso!
      A Ilha da Madeira também é muito especial. O que vocês podem fazer na próxima viagem é uma rota por várias aldeias históricas e de xisto. Tenho certeza que será inesquecível. 🙂
      Um grande abraço!

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