Visita a Quinta da Aveleda, o berço do vinho Casal Garcia

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Se você chegou até aqui, tenho a certeza que já ouviu falar do Casal Garcia. Esse é, certamente, o vinho verde branco português mais conhecido no mundo e exportado para o Brasil desde a década de 50.

Na mesa da minha família ele sempre esteve presente e, por isso, eu e o Rafa programamos uma visita ao local em que é produzido o Casal Garcia, na Quinta da Aveleda, durante a nossa passagem mais recente pelo norte português. É fácil de chegar e já adianto: você vai se surpreender!

O que é a região dos vinhos verdes?

A Quinta da Aveleda, produtora dos vinhos Casal Garcia (e não só), fica localizada na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, no norte português. Essa foi uma área delimitada oficialmente em 1908 no que chamamos de entre Douro e Minho (pois faz fronteira com esses rios).

Se engana quem pensa que o nome verde vem da cor do vinho ou da uva. O ponto é que, em sua origem, as uvas eram colhidas antes de seu amadurecimento completo, sejam brancas ou tintas. Por isso, para diferenciar dos demais vinhos com uvas maduras, esses aqui foram chamados de verdes (A Revista de Vinhos explica).

Esse é o segundo tipo de vinho mais consumido em Portugal (perdendo para os alentejanos). Possivelmente, uma das principais razões é o seu preço, que oferece bom custo/ benefício, e a refrescância do branco, que acompanha bem as refeições.

Além do Casal Garcia que todo mundo conhece, a Quinta da Aveleda ainda produz uma gama de outros vinhos verdes (brancos e rosés) e também Douro, queijos e aguardente. E foi isso que nós fomos ver in loco.

Faça um ensaio fotográfico romântico no norte de Portugal

Por dentro do processo de fabricação da aguardente Adega Velha

Como chegar a Quinta da Aveleda?

Depois de passar a manhã no Alto Douro Vinhateiro, colocamos o endereço na Quinta da Aveleda no GPS e encontramos o caminho com muita facilidade. Do Peso da Régua para lá é 1 hora, sempre pela A4 – moleza. O estacionamento é amplo e gratuito.

Para quem segue de carro a partir do Porto, também é via A4 por pouco mais de meia hora. Outra excelente sugestão é conjugar essa visita com um passeio a Guimarães. São 40 minutinhos, por estradas rápidas e bem sinalizadas.

Viajar de transporte público também não é um bicho de sete cabeças. Dá para ir de trem urbano a partir do Porto – São Bento e descer na estação de Paredes em menos de uma hora. Então, basta pegar um táxi, pois são 5 minutos de percurso até lá.

Visitando a Quinta da Aveleda

A nossa visita começou na porta da lojinha, que fica na entrada da Quinta da Aveleda. Fomos recebidos com muito carinho pela equipe e seguimos dali em um percurso guiado. Portanto, se você também pretende incluir esse local no seu roteiro, lembre-se de contactá-los antes, pois as visitas são sempre acompanhadas. 

A família Guedes e a história da Quinta

Essa é uma área gerida pela mesma família desde 1870, os Guedes, começando por Manuel Pedro Guedes (1837-1899) que, cansado da vida da capital, mudou-se para a Aveleda e passou a se dedicar as vinhas. Logo no início de sua produção, acabou por receber prêmios importantes em concursos internacionais, como o de Berlim (1888), o de Paris (1889) e o de Sevilha (1929), que fortaleceram o seu nome e alavancaram o lançamento dos vinhos.

As altas exportações de vinho verde para o Brasil, a partir da década de 1950, foi um dos estímulos financeiros que mais contribuíram para o desenvolvimento da Quinta, com a construção de novos edifícios, além da ampliação dos jardins e parques (estes merecem um capítulo a parte).

As gerações posteriores do Sr. Manuel continuaram levando o nome da empresa. Atualmente, é a sua 4ª geração que gere os negócios da Quinta, composta por Fernando, Luís, António, Maria Isabel, Maria Helena e Roberto, além dos 14 primos que compõem a 5ª geração.

Entretanto, a história da Quinta é ainda anterior a essa fase. Há registros do século XVI que comprovam que esse terreno sempre foi uma propriedade agrícola, passando de mão em mão. Durante o percurso guiado, mergulhamos nessa trajetória impulsionada, principalmente, pelos vinhos e também por uma área natural que é uma verdadeira pintura.

Um jardim de tirar o fôlego

Estava ansiosa para caminhar pelos jardins românticos da quinta, que são bem famosos, tidos como um dos maiores tesouros botânicos de Portugal.

Começamos pelos arredores da casa principal (internamente adornada por um painel de azulejos de Jorge Colaço – o mesmo artista que pintou aqueles da estação de São Bento, no Porto).

Painel de Jorge Colaço

Passamos por raras espécies de plantas, lagos, corredores de folhas e algumas árvores centenárias, mas o que realmente chamou a nossa atenção foi o cuidado, com uma poda impecável, parecendo um cenário de filme, sabe?

Visitamos a quinta no auge do outono e vimos folhas de todas as cores. Mas, para nos deixar com o desejo de voltar, a nossa guia ainda disse que aquela paisagem na primavera, com o colorido das flores, fica ainda mais marcante. E eu acredito.

Toda essa estrutura visitável é mantida da mesma forma há décadas. Por isso, esse também é um dos jardins românticos mais bem conservados de Portugal. Em 2011, ainda recebeu o prêmio Best of Wine Tourism na categoria de “Arquitetura, Parques e Jardins”.

Ao longo do percurso observamos também um dos maiores troféus da Aveleda: uma janela Manuelina do século XVI. Segundo a tradição, foi a partir dela que D. João IV teria sido aclamado Rei de Portugal. Esse foi, posteriormente, um presente ao Sr. Manuel Guedes, que encontrou um espaço de honra aqui no jardim.

A janela Manuelina do século XVI

Há ainda outras construções que levam alguma mágica ao percurso, como as casas, a Fonte das 4 Irmãs, da década de 20, que homenageia as quatro filhas do proprietário, além de cada uma das estações do ano, e a Torre das Cabras, com três andares, que abriga uma casinha para as cabras anãs (veja no artigo do blog O Porto Encanta também o museu e a zona de engarrafamento, que não tivemos a oportunidade de visitar desta vez).

As vinhas e as provas de vinhos

Fechamos a nossa visita na sala de provas, com uma vista lindíssima das vinhas da Aveleda. São 184 hectares no total, dentro da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, principalmente das castas Loureiro, Fernão Pires, Alvarinho, Arinto e Trajadura.

O sol caiu, deixando aquele bonito fim de tarde para cobrir o nosso descanso. Sentamos nas mesinhas de fora e pudemos conhecer o vinho Quinta da Aveleda Loureiro & Alvarinho 2015 acompanhado de um queijinho. Não poderia ter terminado melhor 😀

Uma breve passada na loja da Aveleda para se despedir, aquela que também foi o nosso ponto de partida. Quem quiser, poderá levar daqui toda a linha Casal Garcia e Aveleda, além dos vinhos tintos Charamba, a aguardente Adega Velha e os queijos locais.

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Veja também o índice de artigos do Cultuga para ajudar no planejamento do seu roteiro com muitas dicas, sugestões de rota e outras informações sobre Portugal 🙂

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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