6 coisas que você precisa saber antes de viajar à Ilha da Madeira

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“Por que eu demorei tanto para ir a Ilha da Madeira?”, ainda me pergunto constantemente. A minha mãe nasceu no alto do Funchal, no Hospital dos Marmeleiros, e a minha família materna tem origem na cidade de Santana – aquela gracinha de cartão-postal da ilha, com casinhas que mais parecem de bonecas.

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Santana, na Ilha da Madeira: a terra da minha família

A minha história com a Ilha da Madeira

Vivo em Lisboa com o Rafa há exatos 4 anos, mas vim pela primeira vez a Portugal há 10. Durante todo esse período, já percorremos tanto do país, que certamente ultrapassamos as 100 cidades, vilas e aldeias visitadas.

Para quem está chegando agora aqui no Cultuga, talvez não saiba. Mas sou filha de portugueses imigrados no Brasil. Portanto, a minha mãe madeirense, como disse, e o meu pai é da Gafanha da Nazaré, a 15 minutinhos de Aveiro – local em que já estive inúmeras vezes.

Mas, qual foi a razão de eu ter demorado tanto para conhecer esse outro lado das minhas raízes portuguesas? Isso é algo que também estou em busca da resposta. Mas essa experiência emocionante não poderia ter vindo em melhor hora.

Nesse último mês de março completei 35 anos. Para celebrar a data, escolhi conhecer essa terra que também é minha. Trazer para perto da minha história uma peça que estava faltando. E assim foi feito.

Fui com o Rafa e com uma grande amiga nossa, a Patrícia Guerreiro (que, aliás, tem um excelente tour guiado aqui no Cultuga sobre a Revolução dos Cravos)desvendar cada cantinho da Ilha da Madeira. De quebra, prolongamos a viagem e também fomos a Ilha do Porto Santo, outra pérola portuguesa nesse imenso Oceano Atlântico.

E a boa notícia é que, a partir de hoje, você poderá acompanhar aqui no Cultuga uma série de posts sobre esse lugar que, agora, também está no meu coração.

Creio que não teria forma melhor de começar essa série de artigos com as informações essenciais e mais importantes para quem deseja montar um roteiro para conhecer a Ilha da Madeira pela primeira vez. Então, tome nota:

O que você precisa saber sobre a Ilha da Madeira

1. A Ilha da Madeira faz parte de um arquipélago

Pode parecer uma frase estranha, mas muita gente não sabe que a Ilha da Madeira faz parte do Arquipélago da Madeira. Além dela, ainda há a Ilha do Porto Santo (facilmente visitável, seja de barco, seja de avião, e também habitada), além das Desertas e Selvagens (essas, reservas naturais acessadas somente de barco). De alguns pontos da Ilha da Madeira conseguimos vê-las.

A Ilha do Porto Santo foi a primeira descoberta pelos navegadores portugueses, em 1418. Ela ganhou esse nome, pois salvou tal grupo de uma forte tempestade em alto mar.

Vista para a Ilha do Porto Santo a partir do nosso navio, o Lobo Marinho, da Porto Santo Line

A Ilha da Madeira, bem maior e mais expressiva, foi encontrada no ano seguinte por Tristão Vaz Teixeira, Bartolomeu Perestrelo e João Gonçalves Zarco e, possivelmente, tinha essa matéria-prima em abundância. Porém, foi somente em 1425 que foi dado início ao processo de colonização e povoamento em ambas. Ok, mas essa parte é assunto para outro post.

2. Não fique menos de 5 dias na Ilha da Madeira

Essa é uma ilha para desfrutar da natureza e da boa comida. São 57km de comprimento e 22km de largura, em um total de 741 km2. Se parearmos com as referências que temos no Brasil, parece um local para explorar em uma viagem rápida. Mas não se engane. A Madeira tem muitas montanhas e, para atravessar de um lado a outro, você precisará subir e descer muito.

Além disso, estamos diante de uma ilha bastante desenvolvida na área turística, com muitas atividades para serem feitas. Por lá, andamos poucos quilômetros e já temos muito mais por explorar.

Sou do partido de que é preciso tempo para absorver as riquezas de uma cidade e da própria natureza. Não dá para chegar na Ponta de São Lourenço, estacionar o carro, passar por ali 10 minutos, tirar uma foto e ir embora.

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Você tem certeza de que ficaria aqui só 10 minutinhos?

Para consumir tamanha beleza daquele imenso oceano de azul profundo, é preciso, ao menos, fazer um pequeno percurso pedestre (há muitos por toda a Ilha) e parar ali, diante do mar, para refletir o quanto somos pequeninos nesse mundãodemeuDeus. É ou não é?

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É preciso tempo para contemplar o pôr-do-sol na Praia do Vigário, em Câmara de Lobos

3. O Cristiano Ronaldo é madeirense (ele é quase o rei da ilha rs.)

Essa é uma informação importante para esse momento da Ilha, acredite. Ok, sou suspeita para falar pois, depois que me mudei para Portugal, criei um afeto pelo Cristiano Ronaldo e passei a entender o que é toda aquela pose (que me atirem pedras! Eu não ligo rs.).

Há um exagero em ter tanto de Cristiano Ronaldo espalhado pela Ilha da Madeira? Tem, tem sim – sobretudo na recente mudança do nome do Aeroporto, por exemplo.

[pausa para o meu momento piegas]

Porém, ele é um cara que nunca virou as costas para sua terra, para sua origem e isso é, sim, muito bonito. Ele tem enorme carinho pela Madeira e pelas pessoas que admiram o seu trabalho. O seu bairro de nascimento era um dos mais simples do Funchal e, nesse momento em que está no auge da carreira, investe muito na Ilha para o seu crescimento e desenvolvimento turístico e, sobretudo, social.

Na mídia internacional, há muito sobre o seu hotel e o museu, mas o que pouca gente sabe é sobre o enorme coração do madeirense nos bastidores e dos seus esforços para momentos difíceis da terra.

Tudo isso para dizer que, sim, faz sentido ouvir e ver muito de CR7 na Madeira. Que há muitos motivos para ter orgulho do melhor jogador do mundo, não somente por seu futebol – que é impecável – como a figura que ele é.

[voltamos, agora, a programação normal]

4. Dirigir na Ilha da Madeira não é para amadores

Dá para conhecer a Ilha da Madeira de transporte público? Hum… Dá, mas você dependerá dos horários deles, que não são em grande frequência, e terá alguma limitação para visitar locais de grande beleza natural – e que não são assim tão escondidos.

Mas se essa for a sua única opção, veja as informações dos transportes urbanos e interurbanos e as sugestões de percursos daqueles ônibus de dois andares, o hop-on hop-off.

Na minha opinião, o ideal é mesmo ter o suporte de um carro alugado e/ ou programar um tour, seja privativo ou em grupo, para que possa chegar com facilidade e rapidez aos pontos de interesse.

Nós tivemos todas as experiências para sentir os pontos positivos e negativos de cada uma delas: ficamos sem carro nos dois primeiros dias, fizemos um tour de um dia em excursão (com a Lido Tours, que opera com vans confortáveis, para grupos pequenos e tem grande experiência em conduzir nas estradas da Madeira),  e, então, alugamos um carro por mais dois dias.

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Curral das Freiras a partir do Miradouro Eira do Serrado: um “pequeno” desafio viário

O balanço que faço dessa viagem é que, dependendo da sua proposta, até vale a pena ficar um ou dois dias sem carro no Funchal (você pode, inclusive, fazer um bate-volta a Ilha do Porto Santo com navio Lobo Marinho – que vamos contar em breve como é por aqui), pegar um tour (ou mais) para áreas da ilha com estradas mais difíceis (fizemos esse tour para o lado leste da ilha, que tem áreas mais rurais que gostávamos de visitar) e, então, usamos o carro para voltar a alguns pontos do leste em que gostaríamos de ficar mais tempo e também para conhecer o lado oeste da ilha.

São, realmente, muitas subidas e descidas, muitos túneis e, nem sempre, com asfalto lisinho, impecável. Por isso, para quem não está acostumado a dirigir nessas condições, ficar com o carro todos os dias da viagem pode ser bastante cansativo (e olha que o Rafa já tinha dirigido pelas curvas da Serra da Lousã, da Ilha de São Miguel, da Serra da Estrela, da Serra do Açor, do Alto Douro Vinhateiro…).

Porém, se você deseja ter essa experiência, use o carro para alcançar as praias e passear por excelentes e lindas estradas, como o percurso que liga a Câmara de Lobos a Porto Moniz, passando pelo Paul da Serra, por exemplo. Para percursos mais difíceis, como o Pico do Arieiro ou os arredores de Santana, um tour poderá deixá-lo mais relaxado.

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Paul da Serra: das estradas que mais gostamos na Madeira

5. A melhor época para ir a Madeira é… O ano todo!

O mais bacana da Ilha da Madeira é que, não importa a época que você vá, há sempre algo para fazer. Ainda que o tempo não seja o melhor no inverno, por exemplo, há intermináveis festas para se esbaldar (como disse a nossa querida guia do incrível projeto History Telles) e as paisagens estão lá, sempre lindas e imaculadas para que possamos desfrutar.

Claro que o inverno pode ser mais chuvoso, mas você já viu o tamanho da festa de Ano Novo que acontece na Madeira? É a maior queima de fogos do país! (dá uma olhada na agenda do VisitMadeira antes de embarcar).

Nós viajamos agora em março e pegamos temperaturas amenas, com pouquíssima chuva. A parte ruim é que não estava quente o suficiente para os banhos nas praias ou um mergulho nas lindíssimas piscinas naturais de Porto Moniz (mas, atenção, que elas não estavam fechadas. No dia seguinte ao que estivemos por lá, conhecemos um casal português que estava em viagem pela Ilha da Madeira, que não deixou de mergulhar, não).

Ir fora de temporada significa um fluxo mais ameno no turismo e melhores preços na rede hoteleira. Mas a verdade é que, se você programar a viagem com bastante antecedência (até mesmo no verão ou durante as maiores festas da cidade – como o Ano Novo, o Carnaval e a Festa das Flores, por exemplo), consegue fazer um excelente e confortável roteiro sem ter que gastar os olhos da cara.

6. Pousando na Ilha da Madeira com emoção 

Essa é uma fama antiga da Ilha da Madeira que permanece. Mas, posso contar um segredinho? O nosso voo não teve, assim, tanta emoção. Confesso que achei mais bonito do que tenso.

Porém, contudo, entretanto, sei que tivemos sorte.

A sensação que se tem é que realmente você pousará na água, pois a pista fica na beirada da ilha. E voar bem pertinho do mar é uma sensação absolutamente incrível.

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Um pedacinho da famosa pista do Aeroporto da Madeira

O que acontece é que, normalmente, há ventos intensos por ali e as balançadas antes de pousar são frequentes. Isso é o que assusta um pouco as pessoas. Mas não deixe de viajar por isso, mesmo. Fomos de Lisboa ao Funchal de TAP – uma companhia aérea que tem uma larga experiência nesse trajeto.

[e, deixa eu contar: fiquei super orgulhosa de ver que o nosso voo de volta, do Funchal a Lisboa, foi pilotado por uma mulher. Engana-se quem pensa que uma empresa tradicional não reconhece o valor profissional de uma mulher em um mercado tão dominado pelos homens. Palmas para a TAP!]

Ter a Madeira aqui no Cultuga, agora, enche o meu peito de alegria. Queria ter a chance de dizer aos meus avós maternos, já falecidos, o quanto esse pedacinho da nossa história me trouxe orgulho.

Diria também que as lágrimas nos olhos era só de imaginar o tamanho da surpresa deles, se pudessem hoje ver o quanto essa nossa terra cresceu, se desenvolveu e está linda, viva e transformada.

Mas que bom que posso compartilhar isso hoje com a minha mãe – e toda a minha família – e com você, nosso querido leitor! Seja bem-vindo, arquipélago da Madeira, ao Cultuga! Agora, essa terra também é nossa 😀

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Veja também o índice de artigos do Cultuga para ajudar no planejamento do seu roteiro com muitas dicas, sugestões de rota e outras informações sobre Portugal e ilhas portuguesas 🙂

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

12 comentários

  1. Marta Riesco em

    Oi Priscila, sou a Marta, dentista. Adorei a matéria e vou acrescentar uma dica da ilha. Estive lá em Setembro e aluguei uma Scooter. Para quem dirige mota, é uma excelente opção para percorrer a ilha.

  2. Luciana Nunes em

    Olá, sou filha de portugueses e meu marido tb e vamos em setembro de 2017 como 2 filhos e nossos pais a Portugal .Pesquisando na internet descobri o Cultuga e amei! Quanta informação e que fotos maravilhosas! Até desisti da Espanha para conhecer mais a fundo tantos lugares… Obrigado!!! bjs

    • Rafael Boro
      Rafael Boro em

      Olá, Luciana
      Tudo bem?
      Tão bom saber que gostou do Cultuga! 🙂 Esse é o melhor feedback que podemos receber. Obrigado pelo carinho!
      Você e a sua família vão amar Portugal. É um país pequeno, mas com tantos cantinhos incríveis para descobrir. Tenho certeza que será uma viagem muito especial, principalmente por você poder conhecer a terra dos seus pais.
      Um grande abraço e boa viagem!

    • Rafael Boro
      Rafael Boro em

      Olá, Eduardo
      Tudo ótimo e com você?
      Ficamos felizes que tenha gostado do nosso trabalho! 🙂
      Você vai gostar muito da Madeira. É um lugar especial e cheio de belezas naturais incríveis!
      Um grande abraço e boa viagem!

  3. Priscilla Castro em

    Ola, qual é o lado do avião para sentar que tem a vista do mar quando pousa em madeira vindo de lisboa? Vou apara la agora em junho e ainda não selecionei meu assento, se puder me ajudar agradeceria muito.
    Obrigada 🙂

    Priscilla Castro

    • Rafael Boro
      Rafael Boro em

      Olá, Priscilla
      Tudo bem?
      Reserve um assento do lado direito do avião. Foi o lugar onde nós ficamos e conseguimos ter uma vista muito bonita da ilha e do mar no momento da manobra feita para pousar. 🙂
      Um grande abraço e aproveite muito a maravilhosa Madeira!

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