Viseu: uma parada estratégica para o seu roteiro em Portugal

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Você começa a montar o seu roteiro de viagem para Portugal, inclui as cidades clássicas – como Lisboa, Porto e os arredores de cada uma delas – mas, ao pesquisar mais a fundo o país, percebe que há outros locais que deseja conhecer e se perde na organização da rota. Algo soa familiar aqui? Então, tome nota de mais um bom ponto estratégico para a sua viagem: Viseu.

Viseu fica na região centro, praticamente entre a Serra da Estrela e o Alto Douro Vinhateiro. A cidade conecta as duas regiões por meio de boas estradas rápidas. Acho que, dizendo isso, já consegui solucionar o seu problema, né? 🙂 Ideal para quem tem como objetivo percorrer o interior de Portugal, passando por entre aldeias e vinhedos.

Quando fomos a Viseu, estávamos em uma viagem de pesquisa pelo país. Usamos a cidade como “respiro” de um percurso entre Aveiro (quando tivemos uma experiência deliciosa nos arredores, com o hotel da Vista Alegre) e o Alto Douro Vinhateiro (com uma pausa para conhecer a Margarida e o Rafa, da Casa do Romezal). Fizemos base no Palácio dos Melos, um hotel que faz parte da paisagem histórica da cidade e que fica no coração de Viseu. Um verdadeiro mergulho no universo português do século XV.

A noite de Viseu tem uma iluminação especial

Para que você possa aproveitar também essa passagem pela região, listo aqui os bons motivos que nos levaram até Viseu.

Ah, o vinho do Dão…

Viseu fica na Região Demarcada do Dão, a segunda mais antiga de Portugal para a produção de vinho, atrás apenas do Vale do Douro. Isso significa que você vai ter ótimos vinhos para provar durante a sua estadia por lá e também levá-los para o Brasil.

Os especialistas costumam destacar a elegância, a leveza e a delicadeza de todos os vinhos produzidos nas encostas do rio Dão – do tinto, do branco, do rosé e até do seu espumante. Somente a título de curiosidade, o grande valor dos tintos dessa região se deve, principalmente, a Touriga Nacional, a casta mais nobre de Portugal.

Se você deseja fazer um roteiro de enoturismo por Portugal, uma opção bem interessante é seguir em um percurso circular pelo norte-centro, partindo do Porto com suas caves, passando pelos vinhos verdes, no Minho, seguindo ao Alto Douro Vinhateiro, para provar os do Douro e os vinhos do Porto, seguindo pela região do Dão, passando por Viseu, e chegando a região da Bairrada, com seus vinhos e espumantes.

Dá-lhe Viriato (o doce e o herói)

Viriato foi o grande líder dos Lusitanos entre os anos de 147 e 139 a.C. e também o responsável por derrotar os romanos durante a invasão da Península Ibérica.

A lenda conta que esse herói português nasceu na região de Viseu. Ok, não há provas concretas – sobretudo pela época em que ele viveu e a falta de documentos e o financiamento para estudos arqueológicos. Porém, a sua figura passou a ser associada a cidade por conta da existência de uma fortificação, denominada de “Cava de Viriato” (hoje com teorias relacionadas ao período islâmico, bem posterior a época de Viriato).

Há uma estátua do Viriato em Lisboa, que todo mundo passa, mas quase ninguém presta a atenção. O Viriato está retratado no Arco da Rua Augusta. É a primeira estátua, olhando para o arco, do lado esquerdo. Depois dele, segue o Vasco da Gama, o Marquês de Pombal e o Nuno Álvares Pereira (este, patrono da infantaria portuguesa e santo – canonizado em 2009).

Mas as referências que trago aqui são do século XX, quando o nome de Viriato foi parar nas confeitarias viseenses. Surgia, então, um doce no formato da letra V. Aproveito para deixar a minha dica, pois são muitas as pastelarias produzem e vendem esse bolo macio coberto com doce de ovos e côco ralado.

Nos dias em que ficamos em Viseu, provamos (e aprovamos) os Viriatos da Pastelaria Horta, a mais antiga da cidade, e também no café da manhã do Palácio dos Melos.

Museus de Viseu: sempre uma boa escolha

Os amantes dos museus vão se sentir no paraíso em Viseu. Ao todo, são nove – oito municipais e um nacional.

Durante a nossa visita a cidade, optamos por conhecer o Museu Nacional de Grão Vasco, pois já sabíamos da boa fama que tinha seu acervo, principalmente voltado para a arte sacra, e também do seu expressivo edifício de granito, requalificado pelo arquiteto português Eduardo Souto, que tínhamos curiosidade de conhecer.

Vasco Fernandes, popularmente conhecido como Grão Vasco, foi um pintor do século XVI nascido em Viseu, que deu o seu contributo ao Renascimento português. Entretanto, no espaço museológico, além de parte de sua obra, há ainda pinturas de seus contemporâneos e colaboradores, além de peças de arqueologia, porcelana oriental, faiança portuguesa e mobiliários provenientes da Sé de Viseu e de outras igrejas da região.

Para se ter uma noção da importância desse artista e da expressividade do local, em 2016, ano do centenário do museu, 115 mil pessoas visitaram o espaço.

Com mais tempo na cidade ou para os apaixonados por arte sacra e história local, vale destacar ainda as visitas os museus Almeida Moreira, da Catedral de Viseu e o da Misericórdia.

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Festas populares de Viseu

Viseu tem uma programação cultural e popular intensa o ano todo. A Câmara Municipal tem trabalhado na promoção, principalmente, gastronômica e turística da cidade. Isso tem refletido diretamente na agenda com grandes eventos e uma participação ativa da população e dos viajantes.

Mas o ápice das festas viseenses acontece nos meses de agosto e setembro, na Feira de São Mateus, a mais antiga da Península Ibérica, com 625 anos de existência. Há shows, artesanato, gastronomia e até um parque de diversões. Em 2016, foram mais de 1 milhão de visitantes.

Também vale destacar as Festas Populares de junho, a Festa das Vindimas e a extensa programação musical e teatral do Teatro Viriato.

A chance de dormir em um palácio português

Sempre que eu e a Priscila viajamos por Portugal, gostamos de ficar em hospedagens charmosas ou históricas, principalmente quando seguimos em pesquisa cultural pelo país para produzir novos conteúdos ao Cultuga. Em Viseu não poderia ser diferente.

Fomos conhecer o Hotel Palácio dos Melos por ter essas características, além de sua localização ser bem central, com fácil acesso a pé as principais atrações da cidade. Assim, foi bem simples interagir com a região – de manhã até a noite – e sentir melhor a atmosfera do lugar.

Do lado direito da fachada está a Porta do Soar de Cima/ Arco dos Melos

Porta do Soar de Cima/ Arco dos Melos, anexado ao Palácio

A história do Palácio está ligada (literalmente) a uma antiga porta da muralha afonsina que cercava a cidade no século XV – a Porta do Soar de Cima/ Arco dos Melos. Tem até um acesso para a parte superior desta muralha a partir do hotel. Recomendo a experiência para quem deseja absorver um pouco do espaço.

A riqueza do centro histórico

A melhor forma de aproveitar e conhecer o centro histórico de uma cidade portuguesa é “batendo perna” por suas pequenas ruas. Em Viseu não poderia ser diferente.

Sugiro que você sinta a vida local a partir da Rua do Comércio, respire a história dos edifícios e a beleza da estreita Rua Direita, percorra o desenho geométrico da calçada portuguesa da Rua Formosa e aprecie o painel de azulejos do Rossio (ou, oficialmente, “Praça da República”), com mais de 80 anos. Essa é uma boa amostra do que vai encontrar ao longo do passeio.

Palácio do Gelo: um dos shoppings mais bonitos de Portugal

Muitos turistas brasileiros que visitam Portugal aproveitam o bom preço praticado no comércio para fazer umas comprinhasos shoppings de Lisboa e os outlets quase sempre estão no roteiro de viagem. Se você é um desses, deixo também a indicação para que tire algumas horas e conheça o Palácio do Gelo.

São mais de 150 lojas (incluindo um bom supermercado) espalhadas pelos sete pisos do edifício. Há também seis salas de cinema e um Bar de Gelo, onde tudo é feito com gelo, até mesmo os copos de cocktails (os mais jovens, certamente, vão se divertir bastante).

Esse shopping é ainda uma boa pausa para quem está fazendo um roteiro por Portugal com crianças. É nele que está a pista de gelo mais famosa de Portugal, com 600 m². Os pequenos podem brincar sempre, independente da temperatura que estiver do lado de fora. Crianças de até 12 anos pagam 2,50€ (30 min) e 3,50€ (60 min). Adultos pagam 3,50 € (30 min) e 4,50€ (60 min).

Para entender o valor das “rotundas”

Andar pelas rotundas (rotatórias no Brasil) de Viseu não é um “senhor” motivo para os turistas que visitam a cidade, mas algo curioso – e que você não vai ter como evitar rs.

São milhares espalhadas pelas ruas, avenidas e estradas de Portugal, mas a “Capital Nacional da Rotunda” é Viseu. Você consegue imaginar quantas rotatórias são? Não? Então deixe o telefone, o tablet ou o computador em um lugar seguro ao ler a próxima frase. São quase 200 rotundas. Vou repetir: DUZENTAS!

Caso você se perca na cidade e precise de ajuda, com certeza as indicações que vai ouvir serão algo desse tipo: “Siga por essa avenida. Passe a primeira rotunda, a segunda e, na terceira, vire à direita. Continue por mais alguns metros e você vai logo ver outra rotunda. Vá pela segunda saída, que o restaurante é logo alí” rs.

Ah, ao terminar de ler esse texto, a Câmara já deve ter construído outra rotunda em Viseu…! 😀

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Veja também o índice de artigos do Cultuga para ajudar no planejamento do seu roteiro com muitas dicas, sugestões de rota e outras informações sobre Portugal 🙂

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Sobre o autor

Rafael Boro

Sou jornalista, tenho 33 anos e, apesar de ter nascido em São Paulo, adotei Lisboa como minha cidade. Gosto de apreciar a gastronomia lusa e, sempre que posso, vou a um café ou a um restaurante que não conheço. Lisboa também me trouxe um time de futebol do coração, o Sporting, mesmo tendo o tênis como o meu principal esporte. Troco fácil os transportes públicos por uma longa caminhada. Na minha playlist de música portuguesa não falta David Fonseca e Tara Perdida.

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