Álvaro Silveira e seu “dois desenhos a conversar”

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O post de hoje reserva uma dica especial para quem acessa ao Facebook o tempo todo. Trata-se de uma página com ilustrações tugas que satirizam cenas simples do cotidiano. Esse é o “dois desenhos a conversar“, de Álvaro Silveira, natural de Vila Nova de Gaia.

Desde março desse ano, o cartunista publica suas tirinhas com dois personagens de traços simples, um magenta e outro ciano. Tamanho sucesso já lhe rendeu até mesmo um novo convite de trabalho em uma produtora do Porto.

Publicidade, teatro e vídeo estão entre os seus afazeres diários. Aos 30 anos, o desenhista é um profissional autônomo. Mas a brincadeira acabou se tornando algo sério. Hoje, ele já soma mais de 10 mil usuários em sua página. Acompanhe a nossa conversa!

Álvaro Silveira

Álvaro Silveira

Entrando em seu site, é possível ver que o seu trabalho nas artes e na cultura é bastante rico, por atuar em diversas vertentes. Quando você foi despertado por esses assuntos? Como tudo começou?
Álvaro – Acho que desde muito novo precisei de atenção e, por isso, sempre gostei de ser o palhaço da rua. Isto numa análise psicológica meio a bricar, meio a sério. Mas é verdade, acho que sou – acima de tudo – extremamente curioso e gosto de experimentar tudo e mais alguma coisa dentro do campo da criatividade. Quanto mais perto de um público, melhor. Às vezes, os amigos mais próximos acusam-me de nunca estar quieto num sítio e não ser estável nas minhas decisões de “carreira”. Acho que isso faz parte da minha vontade de querer absorver e aproveitar todas os meios possíveis para extravasar qualquer coisa que anda aqui para dentro. É por isso que adoro o teatro, o audiovisual, a HQ, a ilustração, a escrita criativa… Vejo isso como uma boa tertúlia entre amigos amplificada e se as puder manter juntas, ótimo.

Hoje você continua com trabalhos no teatro e na música, por exemplo, além das ilustrações?
Álvaro – Sim, continuo a estar envolvido nessas coisas, como sempre estarei. Em breve, vai estrear uma peça na qual atuo com mais três colegas do grupo de teatro Estaca Zero. Foi um processo que me deu imenso prazer porque foi uma co-criação original completamente caótica que teve que ter o dedo de um encenador paciente e metódico como é o Hugo Sousa (do grupo Cabeças no Ar e Pés na Terra) para por ordem na casa. É uma comédia e estou ansioso para saber como as pessoas irão reagir. Há uns meses fizemos uma ante estreia num festival e correu bastante bem, estavam lá alguns grupos brasileiros também, só por curiosidade :)

Na música, todas as oportunidades e convites partiram da minha faceta de “palhaço”, do que por qualidades musicais. Apenas “canto” e dou o corpo ao manifesto. Neste momento, estou num projecto de nome CRUD com membros de Holocausto Canibal, uma banda grindcore já com muitos anos, aqui do Porto. Vai ser, portanto, música da pesada para rachar cabeças. Às vezes também é preciso.

Depois, há uma série de projetos pessoais (estou já há algum tempo a tentar fazer sozinho uma websérie de terror/comédia animada de nome São Cipriano) e em colaboração na área audiovisual (estou a escrever um argumento para uma produtora portuguesa de nome Filmesdamente) e banda desenhada (estou a colaborar com Diogo Jesus da Lodaçal Comix para o lançamento de uma banda desenhada um pouco mais séria do que os dois desenhos) que quero trazer à luz do dia. Dormir é uma perda de tempo :)

ddac_pinturaComo surgiu a página do Facebook “dois desenhos a conversar”?
Álvaro – Não planeei nada. Foi um mero exercício de experimentação de piadas em tiras tradicionais de cartoon e achei que devia publicar a ver no que dava, e pronto, aconteceu. Quando comecei a reparar, estava tudo a falar daquilo. Não vou dizer que não o pretendia ou esperava, mas aconteceu tudo muito rápido e ainda hoje acho estranho estar, por exemplo, a dar esta entrevista por causa deles. Só lhes tenho a agradecer, abriram-se muitas portas.

Qual é o próximo passo para o “dois desenhos”? Vi que você pensa em um livro…
Álvaro – Sim, adorava ver pessoas na rua com um livrinho dos “ddac” debaixo do braço. Acho que iria ficar com uma sensação de dever cumprido: No mínimo teria vivido para editar um livro que divertiu meia centena de pessoas. É uma visão bonita. Na prática, estou já em conversações com algumas pessoas e entidades para avaliar essa possibilidade. Vamos ver o que acontece.

O assunto “Ano de Portugal no Brasil” e “Ano do Brasil em Portugal” já chegou a conversa de seus dois desenhos?
Álvaro – Por acaso já aconteceu uma piada ou outra acerca da relação Portugal/ Brasil e acho que as pessoas, tanto “lá” como “cá”, reagem sempre com impulsividade entre o amor e o ódio.  Ultimamente, tem recaído muito sobre a questão do acordo ortográfico que, muitas das vezes, torna-se ridícula pelos argumentos levantados. Isso me levou, há uns tempos, a fazer uma piada um pouco ambígua sobre o mesmo – e foi curioso reparar que brasileiros e portugueses a interpretaram segundo as suas opiniões e tudo terminou numa verdadeira discussão cultural. Acho que, cada vez mais, as pessoas tentam se agarrar à sua cultura porque se sentem absorvidas (ameaçadas talvez) pela globalização. Julgo que têm medo de se sentir ignoradas, perdidas enquando elementos de uma grande massa cultural global que cresce continuamente e elimina os mais “pequenos”. Acho que o caminho mais indicado seria o de abraçar novas experiências, abrir novos caminhos, guardar um bocadinho as bandeiras, geografias, egos, paradigmas e ouvir o vizinho sem complexos e preconceitos. Se partirmos para essa descoberta, vamos acabar por partilhar a nossa identidade com outras culturas de uma forma muito mais saudável e ao mesmo tempo preservar a nossa através de um intercâmbio natural, ou seja, integrando-a na corrente mundial. Uma vez um grupo musical que aprecio bastante disse isto: “Não há nada pior do que tolerar. Tolerar é dizer “tu ai e eu aqui, ok respeito-te, mas deixa-me estar e eu deixo-te estar”, a atitude correcta seria abraçar “ai tu fazes assim? Que giro deixa-me experimentar! Eu faço assim, queres experimentar?”. Enfim, já ouvi dizer que a linguiça faz imenso sucesso nos EUA e nós aqui fartamo-nos de comer hamburgueres. Equilibrio é a palavra chave.

ddac_fim_do_mundo

Quais são as suas inspirações para o trabalho, de um modo geral? Onde busca referências?
Álvaro – As referências estão sempre à minha volta, nunca me desvio da minha rotina diária por causa dos dois desenhos, acabei por automotizar uma parte do cérebro que me alerta, em diversos contextos, que uma determinada coisa pode ter piada. É muito simples. Ainda ontem, a minha avó estava-me a falar de um amigo dela que tinha patenteado um motor a água ao fim de 15 anos de pesquisa árdua. Quer queiram quer não a vida é muito engraçada e só é preciso estar atento a ela.

Quais artistas ou trabalhos você indicaria para quem quer conhecer mais sobre banda desenhada portuguesa, ilustrações ou artes de um modo geral?
Álvaro – Em Portugal existe muita gente talentosa e que merece muito mais destaque do que eu porque, realmente, lutam todos os dias pelos seus sonhos há mais tempo do que eu, contra tudo e todos, como se diz por aqui na gíria futebolística. Posso falar do trabalho feito pelo Diogo Jesus da Lodaçal Comix, um verdadeiro puto em corpo e espírito, cujo trabalho feito em prol da banda desenhada independente (uso aqui a palavra independente em todos os seus sentidos possíveis) é bastante importante e, acima de tudo, divertido. Posso falar do trabalho de um homem chamado João Leitão que luta todos os dias para colocar conteúdos audiovisuais de qualidade na televisão. Espreitem o piloto www.capitaofalcao.com, por favor, e tirem as vossas conclusões. Podia falar de muita gente e projectos, Bruno Aleixo, Bondage, o trabalho cinematográfico do Tiago Guedes de Carvalho e Frederico Serra, etc… Criativos geniais que merecem toda a atenção. Deixo aqui um convite ao público brasileiro a espreitar estas coisas e acho que isso já esta a acontecer muito graças as redes sociais.

Aposto que estou a me esquecer de montes de gente e projetos, mas deixo aqui a dica que realmente em Portugal existe muita gente criativa a despontar que merece mais oportunidades e não as tem. Não por falta de esforço, mas porque realmente os “donos do dinheiro” têm medo de arriscar e preferem apostar nos mesmos conteúdos seguros e chatos (os nichos em Portugal também não têm grande expressão, o que também não ajuda muito à vertente comercial dos projetos), o que acaba por frustrar todas estas mentes criativas e destiná-las a trabalhos em call-centers ou serviços de copa ou de estiva à moda antiga (sem desprimor para esses trabalhos). Enfim, termino esta entrevista com este sabor azedo nas palavras, mas com esperança de quem semeia irá colher mais tarde ou mais cedo, aqui ou “lá fora.”

dois desenhos a conversar: http://www.facebook.com/doisdesenhosaconversar
blog: http://www.idiotaprofissional.blogspot.pt


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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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