[Série Luso-Brasileiros] Conheça a história do Rodrigo Oliveira

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Vamos para mais uma história que conecta, semanalmente, aqui no Cultuga, luso-brasileiros com curiosidades e descobertas sobre suas raízes (veja todas as que já publicamos).

Hoje trago o depoimento do Rodrigo Coelho Oliveira, de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, que tem sua base atualmente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ele me contou sobre o avô Joaquim Amadeu, já falecido, que saiu jovem do concelho de Paredes, distrito do Porto, rumo ao Brasil.

“Joaquim Ferreira (na época, com 28 anos), pai de meu avô, deixou Paços de Ferreira em 1946 com destino ao Rio de Janeiro.

Em 1950, a mãe de meu avô, Maria de Barros (na época, com 30 anos), deixou Paredes com destino ao Rio, junto com meu avô, Joaquim Amadeu (na época, com 10 anos), e seus quatro irmãos.

Em 1951, veio para o Rio, por fim, a avó de meu avô, mãe de sua mãe, Esperança (na época, com 53 anos), com seu outro filho Agostinho – de cuja idade àquela época eu não tenho registro.”

É a ficha de imigração da bisa, com destaque para o nome do avô do Rodrigo, que está no topo desse post. Ele ainda acrescentou detalhes sobre o local em que sua família viveu no Brasil:

“No princípio, moraram todos no centro da cidade do Rio de Janeiro, numa rua chamada General Pedra, que já não existe mais. Hoje essa região corresponde a um bairro chamado Cidade Nova, onde encontra-se a garagem do Metrô Rio. Com o tempo, o progresso e as mudanças no centro do Rio expulsaram as famílias para os morros, periferias ou para outras cidades. Meu avô, depois de se casar, foi morar na cidade de Nova Iguaçu, região metropolitana do Rio. E lá morou até morrer.”

O Rodrigo explicou como foi que descobriu suas origens portuguesas:

“Eu me mudei para o Rio Grande do Sul, onde famílias alemãs e italianas é o que mais há. E as famílias com essas descendências são tradicionalistas demais e transmitem muito bem isso para os de fora. Eu nunca tinha parado para pensar que essas famílias não possuem linhagem portuguesa na sua ancestralidade.

Na minha cabeça limitada, todo brasileiro teria sangue português nas veias e principalmente porque, desde pequeno, eu tinha contato com muitos ‘portugas’ no Rio de Janeiro, no meu bairro. Todo mundo tinha um na família. Para mim, todo ‘velho muito velho’ era um português. Que isso tinha de especial para mim? Nada, àquela época.

Depois de constatar minha falta de informação, comecei a procurar minhas origens, até para poder confrontar com as pessoas com quem eu convivo no sul, que adoram enaltecer suas origens.

Depois de ter reunido documentos de imigração de alguns ancestrais meus, meu companheiro – que é gaúcho e descendente de alemães – começou a me questionar porquê eu não buscava ter dupla cidadania, já que tantas pessoas queriam ter essa possibilidade aqui no sul e a Alemanha inviabiliza na maioria dos casos.

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Rodrigo e o avô (arquivo pessoal)

Daí em diante cacei tudo quanto era documento do meu avô e de seus precedentes e, ao ler seu assento de nascimento, tão detalhado, eu me senti vendo um filme. Lendo um livro. Aquilo fechou algumas lacunas de história na minha cabeça. Lá eu descobri que meu avô era da região do Porto, arredores de Paços de Ferreira, do concelho de Paredes.

Levantar informações sobre Paredes revelou ao Rodrigo mais do que o seu avô poderia ter contado:

“Durante minha infância, meu avô pouco falava do local onde vivia, pois deixara Portugal com 10 anos. Sobre a vida dos pais, o mesmo acontecera, já que ele não lembrava de muita coisa.

No entanto, meu avô e seu pai eram marceneiros. E sempre ouvi dizer que eram muito bons e talentosos no que faziam. Meus tios e meus primos, todos tinham objetos e móveis de madeira lindos e desenhados por meu avô.

Posteriormente, li na Wikipedia que “o concelho de Paredes possui uma grande tradição na indústria do mobiliário, assegurando cerca de 65% da produção de mobiliário nacional. A disponibilidade de capitais, graças ao regresso dos brasileiros de torna-viagem, nos finais do século XIX e inicio do século XX, contribuiu para o desenvolvimento desta indústria. A relação tradição/modernidade da arte de trabalhar a madeira nas suas diferentes vertentes sustentam um produto turístico-cultural denominado ‘Rota dos Móveis’.”

Rodrigo já esteve em Portugal, mas em uma passagem rápida. Agora, quer visitar Paredes e, também, levar sua mãe para conhecer a terra da família.

“Tenho muita curiosidade. Um dos motivos é tentar encontrar um elo entre a minha família que veio para o Brasil na década de 50 e a que ficou naquela região.

Uma das irmãs de meu avô diz que ainda há parentes lá, mas ela própria não tem contato com eles. Ela também não me deu nenhum detalhe sobre o nome deles, onde exatamente moram, etc.

Eu nunca falei com nenhum deles, mas, com certeza, se houvesse um modo de contactá-los eu teria muito prazer e ficaria muito emocionado de ter uma oportunidade dessas, depois de décadas de história.

Eu acho uma lástima ter feito o caminho de volta a Portugal, que meu avô SEMPRE dizia querer fazer, e não achar o elo que me une até hoje àquele lugar. Eu arrisco dizer que meu avô nunca foi a Lisboa, nem mesmo antes de ter vindo embora para o Rio de Janeiro.

Referências a Portugal na casa do Rodrigo

Referências a Portugal na casa do Rodrigo

Casamento do avô do Rodrigo (foto: arquivo pessoal)

Casamento do avô do Rodrigo (foto: arquivo pessoal)

Outra coisa que me interessa muito é conhecer os costumes e o clima do lugar de onde minha família veio, pois muitas vezes as atitudes e o jeito das pessoas são explicados pelo local onde vivem e como vivem. Quero sentir o contraste de estar lá, assim como meus parentes sentiram quando saíram de um vilarejo e chegaram ao Rio de Janeiro para começar a vida do zero.”

Aproveito para agradecer, mais uma vez, ao Rodrigo pelo carinho e por ter dividido um pouco de sua história aqui no Cultuga :)

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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