Cozinha internacional e clima acolhedor no Akla

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Já foi o tempo em que jantar em um restaurante de hotel era apenas para hóspedes ou por falta de opção na cidade. Há cada vez mais hotéis em Portugal, principalmente em Lisboa, que possuem ótimos restaurantes e que valem a visita.

Inserido no hotel InterContinental Lisbon, bem ao lado do Parque Eduardo VII, o Restaurante Akla foi aberto em 2017 com a proposta de juntar a culinária internacional e os sabores típicos portugueses. Pode soar intimidador para alguns, por ser tratar de um hotel 5 estrelas mais tradicional. Mas foi por esse motivo que aceitamos o convite deles e ir lá tirar a prova.

Lendo previamente algumas opiniões sobre o Akla, percebemos que se tratava de um local que poderia chamar a atenção dos viajantes – tal como dos lisboetas – que buscam um lugar mais calmo em meio a agitação da cidade. Uma atmosfera acolhedora para fazer uma merecida pausa, mas sem parecer que se trata de um restaurante de hotel.

As criações gastronômicas ficam a cargo do Eddy Melo, um açoriano da Ilha Terceira que viveu e trabalhou muitos anos no Canadá.

Como foi o nosso jantar no restaurante Akla

O ambiente e o serviço

Não se intimide ao entrar no lobby do hotel para chegar até o restaurante. Ele fica a poucos passos, à esquerda. Há também uma entrada exclusiva do restaurante pela Rua Marquês Subserra. Optamos pela primeira e fomos bem recepcionados pelos funcionários do hotel.

Apesar do Akla ser amplo, com 88 lugares, o ambiente é intimista, parecendo que você está em um pequeno restaurante moderno. Os painéis de azulejos temáticos de Portugal saltam aos olhos e contrastam bem com a madeira das paredes. A música era agradável e estava com o volume ideal para conversarmos.

Se você gosta da história do país como a gente, vai reconhecer o Terreiro do Paço antes do Terremoto de 1755 perto da porta principal

Um bom hotel 5 estrelas preza pelo atendimento. Reparamos que o mesmo acontece aqui, claro. Os funcionários que nos atenderam também no restaurante foram solícitos, humorados, deram sugestões de pratos e bebidas e ainda explicaram cada um deles. Percebemos o mesmo tratamento nas demais mesas.

Todo esse clima encaixa-se perfeitamente para um jantar especial a dois. Entretanto, também vimos famílias e um pequeno grupo de amigos.

O couvert e a entrada

Após nos acomodarmos, foi nos servido um leve creme frio de cogumelos com parmesão e tomate, acompanhado de um cesto de pães (cereais, alfarroba, cebola e focaccia) e azeite Herdade do Esporão.

Para complementar o início do jantar, pedi um ceviche de atum açoriano – só de ler a palavra “açoriano” meus olhos brilharam e a saudade bateu, confesso. Foi na Ilha de São Miguel que comi o melhor atum em Portugal.

O atum era cortado em tiras finas, que lembravam sushi, regado com azeite. Nessa receita não havia Leite de Tigre, geralmente usado nos ceviches. O prato não tem tanta acidez, fazendo com que o sabor do atum sobressaia.

Senti somente falta do adocicado do abacate. Ele estava no prato, mas não era doce. Os outros ingredientes – a cenoura orgânica picante e as ovas Tobiko Wasabi – completaram a composição do paladar e das cores “desenhadas” no louça branca.

Para harmonizar, o sommelier da casa sugeriu um espumante de vinho verde Côto de Mamoelas ou um Moscatel Galego Branco Piano, do Douro. Por ser algo novo para mim, fiquei com o primeiro, o espumante. Ele é diferente dos tradicionais da Bairrada e tem o frescor que eu gosto do Alvarinho.

Pratos principais

O menu agrada todos os paladares, passando pelos peixes, inclusive o bacalhau, as massas e as carnes grelhadas. Para quem procura pratos mais leves ou lanches, há opções de saladas e de hambúrgueres.

A Pri não demorou muito para escolher o lombo bovino (filet mignon) maturado  (para ela, o ponto é sempre bem passado rs. – não tem quem a convença do contrário) acompanhado de batata assada e salada. Como eu gosto de experimentar outros sabores, e vários pratos pareciam muito interessantes, aceitei a sugestão da hostess, que era um risotto de abóbora Mugango assada e vieiras com aspargos.

Foi, sim, uma ótima escolha. O risotto estava cremoso, suave, com pouco sal e, unindo todos os ingredientes, formava uma ótima equipe italiana. As vieiras estavam bem grelhadas e macias. Comprovei porque esse é um dos pratos que mais sai no restaurante.

A cara da Pri ao cortar e comer a carne foi a prova de que estava muito bom. Pena que não fotografei esse momento rs. Por ser feito no Josper, um equipamento que é a mescla de uma grelha com carvão 100% vegetal e de um forno, o sabor é muito parecido com o do churrasco (e que acaba sempre por nos remeter a aquela memória afetiva da carne que comíamos com mais frequência no Brasil).

Durante a semana, no almoço, o restaurante tem a opção de Menu Executivo, a partir de 19,50€, com buffet de entradas e sobremesas ou buffet de pratos principais e sobremesa, além de uma bebida.

Hora dos doces!

O menu focado na culinária internacional segue também na penúltima parte do jantar: a sobremesa – o final sempre será o café rs.

Para experimentar propostas bem diferentes, pedimos duas. O toque português ficou para a torta de requeijão (ricota) com creme de maçã, sorbet de abóbora e canela. Essa é aquela típica sobremesa para quem não gosta de coisas muito doces. Por conta do queijo, ela acaba sendo um pouco “pesada”, mas a  refrescância do sorbet e das folhas de hortelã quebram isso. Foi um bom complemento para o meu risotto.

A Pri optou por uma mousse de chocolate com praliné de avelã. Entretanto, o visual foge do convencional, pois a mousse é servida em um prato e sustentada por uma ganache, formando um rolinho com sabor leve e macio.

Ah… Já deixo um aviso, as sobremesas são bem servidas e dá para dividir! 😉

Para quem deseja passar as festas de fim de ano em Lisboa, o Akla é uma ótima opção para o Natal (jantar do dia 24 e almoço do dia 25 de dezembro) e o Réveillon (para o almoço de 1 de janeiro, visto que especificamente a ceia de 31 de dezembro é feita no último piso do hotel). É importante fazer a reserva com antecedência, pois muitos hóspedes do InterContinental escolhem aproveitar esses momentos festivos neste restaurante.

Restaurante Akla – Lisboa
Endereço: Rua Castilho, 149 (há uma entrada exclusiva para o restaurante na Rua Marquês Subserra)
Contato: (+351) 213 818 700 e lisha.reception@ihg.com
Horário: todos os dias, das 12h às 15h e das 19h às 22h30
Preço: média de 35€ por pessoa
Facebook: facebook.com/akla.restaurant

Nós fomos conhecer o restaurante a convite do Akla. Nesse artigo, expressamos a nossa opinião pessoal, sem qualquer interferência editorial. O Cultuga somente aceita convites ou faz parcerias com empresas que tenham propostas autênticas, que agregam valor a Portugal e que se enquadram ao nosso perfil.

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Sobre o autor

Rafael Boro

Sou jornalista, tenho 34 anos e, apesar de ter nascido em São Paulo, adotei Lisboa como minha cidade. Gosto de apreciar a gastronomia lusa e, sempre que posso, vou a um café ou a um restaurante que não conheço. Lisboa também me trouxe um time de futebol do coração, o Sporting, mesmo tendo o tênis como o meu principal esporte. Troco fácil os transportes públicos por uma longa caminhada. Na minha playlist de música portuguesa não falta David Fonseca e Tiago Bettencourt.

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