Tiago Tejo fala do projeto Pixelejo

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Seguimos com mais uma entrevista especial dentro do aniversário de 2 anos do Cultuga. O bate-papo de hoje é com o artista plástico luso Tiago Tejo, que tem 26 anos. Mesclando pixels com os tradicionais azulejos portugueses, ele criou o Pixelejo.

O projeto, que nasceu em 2008, já está se espalhando pelo mundo. Recentemente, ele ganhou uma mostra em Toulouse, na França. Por lá, apresentou painéis e até enormes sardinhas estampadas com sua ideia.

Foto: Facebook/ Pixelejo

Foto: Facebook/ Pixelejo

Em que consiste o seu trabalho Pixelejo?
Tiago – É o cruzamento de dois mundos que, num olhar fugaz, poderíamos dizer nada ter a ver, mas o meu trabalho é encontrar esses pontos de contato. O começo ocorre em 2008, há quatro anos. O projeto Pixelejo não gira em torno de um material próprio, mas sim de um conceito e dos desafios que o mesmo coloca. Dessa forma, qualquer material ou suporte é válido, desde que sustente os diálogos e objetivos que o conceito me coloca. Inicialmente, o suporte, se assim lhe podemos chamar, não era mais que pequenos ficheiros de computador. Entretanto foi usado em papel, porque assim me serviu numa abordagem cruzada com a arte de rua, ou em LEGO, pois nesses brinquedos de construção há a mesma gênese do mosaico, da composição pela repetição de parte iguais que só se tornam algo no conjunto.

Foto: Facebook/ Pixelejo

Foto: Facebook/ Pixelejo

Você faz grandes intervenções artísticas com esse projeto em Lisboa. Como é essa experiência?
Tiago – Em Lisboa e não só. A primeira grande parede que fiz foi no Porto e agora vou ter dois painéis aqui em Toulouse, onde estou a preparar uma nova exposição. A experiência é, obviamente, diferente de pequenos pedaços aqui e acolá pela cidade. De forma geral, prefiro os grandes formatos. A reação das pessoas tem sido boa.

Foto: Facebook/ Pixelejo

Foto: Facebook/ Pixelejo

Agora, você está com uma mostra em Toulouse. Você já teve esse projeto exposto em outro país?
Tiago – Começando pelo fim, não. É a primeira vez que este projeto sai comigo para fora de Portugal. Há imensa gente que o conhece fora de Portugal, mas esta é a primeira oportunidade de o expôr além fronteiras. Assim sendo, tomei esta ocasião para fazer uma espécie de balanço, ver se as fórmulas até aqui concebidas e aplicadas ainda fazem sentido ou se se aplicam da mesma forma num contexto onde não há uma tão grande tradição azulejar. Por outro lado, interessou ver como se adaptam as ideias que até agora ganharam forma na rua dentro de uma galeria.

Foto: Facebook/ Pixelejo

Foto: Facebook/ Pixelejo

Como juntar algo tão antigo, como os azulejos, e algo tão moderno, como os pixels?
Tiago – Há, acima de tudo, desafios nisto. É como um enorme laboratório dentro da minha cabeça. Talvez daqui saía algo, tanto pode sair de proveitoso como a maior porcaria de sempre, mas vamos testando e experimentando.

Esse projeto traz algo relacionado diretamente as suas raízes. Isso pode ser uma forma de homenagem ou referência?
Tiago – São, sobretudo, tanto para o azulejo como para o píxel, duas realidades com que convivo muito de perto e continuo a conviver. Vivo numa cidade (Lisboa) carregada de fachadas azulejadas e continuo a jogar jogos desenhados em píxel, diariamente. Tinha de pegar em algo. Por que não fazê-lo através de coisas que gosto e conheço bem? Antes houve o “Arrepio Cardíaco”, um livro de poesia. A relação não é tanto com Portugal, mas com a língua portuguesa.

Foto: Facebook/ Pixelejo

Foto: Facebook/ Pixelejo

E o próximo passo como artista? Você tem um novo projeto?
Tiago – Não faço a menor ideia… Há muita coisa a decorrer neste momento, na minha vida. Tudo coisas boas, felizmente. Isto é, não tenho tido sequer oportunidade de estar arredado de tudo para deixar tudo assentar, decompor e voltar a germinar.

Pixelejo: http://www.facebook.com/pixelejo
Tiago Tejo: http://www.facebook.com/tiagotejo


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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Tenho Lisboa como o meu lugar no mundo, o meu refúgio, a minha casa. Mas é também em Portugal, este país vivo e com tanto para contar, que me sinto completa. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, assumi como missão do Cultuga diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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