Museu do Douro: mergulhe na história do vinho do Porto

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Eu garanto: Portugal tem museus muito interessantes e riquíssimos em informações para quem deseja conhecer mais sobre a cultura e a história do país. Hoje, apresento aqui um dos meus favoritos, o Museu do Douro.

Museu do Douro: mergulhe na história do vinho do Porto

Localizado no coração do Alto Douro Vinhateiro, ou seja, na região demarcada para a produção de vinho do Porto, e inserido em um edifício de grande valor patrimonial, o Museu do Douro documenta os fatos que levaram aquele local a se transformar em uma das mais importantes áreas para a produção de vinho no mundo.

Ele promove o valor de sua história por meio de programas para todas as idades, exposições itinerantes e o consumo de forma elegante e contemporânea, oferecendo outros espaços além das exposições, como um bonito wine bar e um restaurante com preço justo, alta qualidade e uma vista muito bonita.

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As informações são marcadas a fogo nas placas de pinho

Como chegar?

De carro, a partir do Porto, siga pela A4, sentido Vila Real, e depois desça pela A24 para o Peso da Régua – o Museu possui estacionamento. De transporte público, você pode optar pelo trem interregional que sai da estação Porto São Bento e vai direto ou então pegar uma parte do trecho com o trem urbano e seguir com o interregional até o fim do percurso (é uma baldeação bastante simples). Ele está localizado bem no centro da Régua, com fácil acesso a pé.

Você também pode conjugar essa visita com uma ida a Quinta da Pacheca, por exemplo, que fica a menos de 4km do Museu.

  • A Casa do Romezal é uma das nossas hospedagens favoritas no norte de Portugal. É uma verdadeira experiência em meio a paisagem incrível do Alto Douro. Recepção carinhosa e muito cuidado em cada detalhe

Como é a visita ao Museu do Douro?

Eu e o Rafa estivemos no Museu do Douro em novembro, quando a paisagem do outono, bastante avermelhada, deixou uma amosfera mágica. Para nós, essa foi uma experiência encantadora e essencial para entender a história de toda a região.

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Corredores do Museu do Douro

Fomos recebidos com muito carinho pelo guia Marco Barradas, que nos acompanhou por mais de uma hora, contando cada detalhe daquele espaço que guarda tantas memórias. Visitar o Museu do Douro é entender a raiz de um dos maiores símbolos do país, que é o vinho do Porto. O Marco sabe muito sobre o assunto e se mostra apaixonado por sua terra. Isso, certamente, faz toda a diferença quando participamos de uma visita guiada.

Um outro ponto que vale a pena destacar é que, apesar do Museu estar inserido em um edifício histórico, a construção foi adaptada para torná-lo uma atração de turismo acessível. 

A importância desse edifício para o vinho do Porto

O Museu do Douro está inserido na antiga casa da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro – uma espécie de empresa fundada por Maquês de Pombal no século XVIII que organizava e regulamentava a produção do vinho do Porto.

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Companhia Geral do Alto Douro

É nessa época que foi criada a Região Demarcada do Douro. Ou seja, somente dentro dessa área é que se podia produzir o Vinho do Porto (hoje também é assim, mas a forma de classificação mudou). Na altura, foram colocados os chamados “Marcos Pombalinos” nas melhores plantações (as vinhas), dentro das propriedades.

Ter um marco desses significava que tal proprietário estava autorizado a produzir e a comercializar o vinho (somente a título de curiosidade, no Museu é possível ver o primeiro marco e encontrar a lista, com orientação para GPS, de 116 dos 335 criados). A Companhia passava, então, a ter o controle dessa produção e comércio.

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Algumas castas presentes no Douro Vinhateiro e o primeiro Marco Pombalino

Muitas décadas mais tarde, foi fundado ali o Museu do Douro. Desde 2008 ele guarda documentações da época e mantém alguns espaços como original, principalmente em sua área exterior.

Uma das relíquias do Museu é o barco rabelo restaurado que recebe o visitante ainda no jardim. Essa é uma importante embarcação do Douro, pois foram com barcos como esse que as quintas produtoras faziam o transporte do vinho até as caves de Vila Nova de Gaia, junto ao Porto. Ele tem um “rabo comprido” (por isso rabelo), que era o leme, permitindo manobrá-lo. No museu há vídeos de arquivo que mostram esses barcos em ação, evidenciando também o quanto navegar no Douro era difícil e perigoso.

Com a construção das barragens e o domínio do rio Douro, a navegação se tornou segura e também turística, com a inclusão de percursos em barcos tradicionais para os viajantes (facilmente encontrados nas margens do Douro, tanto na Régua como em Pinhão) e também cruzeiros sofisticados ao longo do ano.

O que ver na exposição?

A exposição permanente conta a história da região de forma completa e abrangente e está dividida em dois andares. Para explicar cada momento ao visitante, o Museu construiu a mostra toda em painéis de pinho com marcações feitas a fogo – com o mesmo material e modo que o Vinho do Porto é exportado.

No piso térreo, em ordem cronológica, retornamos mais de 2 mil anos, época em que possivelmente os romanos já produziam vinho por aqui. Ultrapassamos alguns séculos até chegar a fase em que a Ordem de Cister se instalou na região, entre os séculos XII e XV, implementando formas de cultivo e seleção de castas. Chegamos até o momento atual, com a construção das barragens e a produção em quintas com vinhas centenárias e socalcos (os muros que oferecem suporte as vinhas) com mais de 400 anos.

Um outro momento com grande destaque na exposição é o reconhecimento do Alto Douro Vinhateiro como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Vê-se aqui toda a documentação que explica cada um dos detalhes que tornam essa região única –  como as quintas, os mortórios, a linha do caminho de ferro, as aldeias vinhateiras e as casas típicas.

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Paisagem do Alto Douro Vinhateiro no Peso da Régua

Durante a mostra, vemos uma área dividida pelas estações do ano. Isso também é importante para que o visitante entenda o ciclo da vinha e as transformações tão marcantes da paisagem do Alto Douro, sempre ilustrado por vídeos, fotografias e exemplos de instrumentos.

O ciclo vai desde a plantação da videira até o vinho na garrafa, já no final do verão e início do outono, no mês de setembro, quando a região recebe milhares de visitantes que desejam celebrar esse momento e participar das vindimas (da colheita a pisa das uvas).

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Trajes típicos e antigos usados nas vindimas

Você ainda vai aprender sobre as cerca de 100 castas certificadas para a produção de vinho do Porto e do Douro – todas portuguesas (somente a título de curiosidade, aqui também são plantadas castas estrangeiras, mas elas não podem ser usadas nesses vinhos. Quando são produzidos vinhos com elas, eles se encaixam somente na categoria de vinhos durienses).

O Museu tem catalogado diversas quintas do Douro – disponíveis para pesquisa livre em um monitor touch. Você poderá acessar as informações sobre cada um dos locais, com distância, número de hectares e castas plantadas, além das indicações do GPS, caso deseje fazer uma visita.

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Aromas dos vinhos da região são apresentados aos visitantes do Museu

No andar superior ainda vemos mais sobre a produção do vinho em uma enorme parede com inúmeros rótulos, simulação dos aromas, explicação sobre suas cores e apresentação de instrumentos para engarrafar. Junto deles, dados sobre o consumo mundial dos vinhos do Porto e Douro e outros itens históricos usados para o consumo.

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Cálices de Vinho do Porto

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Instrumento usado para engarrafar o vinho

Como se programar para a visita ao Museu do Douro?

Ir ao Museu do Douro pode ser um ponto de partida importante para quem deseja visitar a região antes de conhecer as quintas, as aldeias, fazer um passeio de barco ou uma viagem de trem, por exemplo.

Se deseja fazer uma visita guiada (que eu recomendo vivamente), vale a pena contactá-los com antecedência para o agendamento. Porém, ainda que você pretenda conhecer o Museu por conta própria, considere incluir os programas especiais, que pode incluir a passagem de ida e volta para quem viaja de trem a partir do Porto, um almoço com uma vista muito bonita, além de diversas provas de vinho.

Endereço
Rua Marquês de Pombal – 5050-282 Peso da Régua
Coordenadas GPS: Latitude: 41.09’39.5N; Longitude: 7.47’26.100
Contato: (+351) 254 310 190 e geral@museudodouro.pt

Horário
Verão (1 de março a 31 de outubro): todos os dias, das 10h às 18:00
Inverno (1 de novembro até 28 de fevereiro): todos os dias, das 10h às 17h30
Acesso até 15 minutos antes do encerramento
Fecha nos dias 25 de dezembro, 1 de janeiro, 1 de maio)

Ingressos
Individual: 6€
Senior (maiores 65): 3€
Estudante (12 até 25 anos): 3€
Entradas gratuitas para crianças até aos 12 anos e portadores de deficiência
Entrada livre no Dia Internacional de Museus, em 18 de maio

Ingressos combinados: veja aqui todos os programas

Acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida a todos os espaços públicos e expositivos do Museu do Douro. Elevador, instalações sanitárias adaptadas e cadeira de rodas. Estacionamento gratuito no Museu do Douro e também estacionamento público a 100 metros.

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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