Susana Ventura faz um convite à navegação

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Para comemorar o 2º ano do Cultuga no ar, convidei a escritora e professora brasileira Susana Ventura para um bate-papo. Ela acabou de lançar um livro dedicado a formação da literatura portuguesa chamado Convite à Navegação – Uma Conversa Sobre a Literatura Portuguesa, pela Editora Peirópolis.

Com enorme carinho e dedicação, ela aceitou o convite e me surpreendeu com sua história. Confesso que essa entrevista foi muito marcante para mim. Pude perceber em suas palavras o cuidado em produzir essa obra e a paixão que tem pelo assunto.

A Susana Ventura é doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Como professora e pesquisadora das literaturas de língua portuguesa, tem trabalhado em diferentes universidades brasileiras, portuguesas e francesas ministrando cursos e palestras.

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Quando e como surgiu o seu interesse pela literatura portuguesa?
Susana – Surgiu ali pelos 10 anos de idade. Minha mãe era professora da Rede Estadual e se preparava para um concurso público para progredir na carreira. Então ela voltou a estudar, começou a fazer um curso aos finais de semana e a trazer muito material para casa. A família se envolveu no projeto dela: ouvíamos as narrativas das aulas, muito animadas, ministradas por grandes professores, como Antonio Medina Rodrigues, da USP, e a ler em conjunto parte dos textos literários. Era uma delícia ouvir os relatos das aulas – animadas, plenas, instigantes e poder partilhar da leitura. Eram professores muito bons, capazes de motivar um público que já trabalhava muito e que nos finais de semana se dedicava a estudar para o concurso. Na minha casa, fazíamos leituras em voz alta de poemas e trechos de romances e meus pais lembravam de outros textos –  que haviam declamado ou pelos quais haviam passado na escola. Lembro-me de uma mistura das literaturas portuguesa e brasileira e do meu encantamento com Castro Alves, Manuel Bandeira, Camões, Camilo Castelo Branco entre vários outros.

Para reunir um assunto tão amplo em uma única obra foi preciso fazer um recorte de seus estudos, certo? Como você fez essa delimitação?
Susana – Sim, sem dúvida  foi preciso escolher sobre o que falar – o que seria mais importante para realmente convidar alguém a começar a conhecer a literatura portuguesa? A opção recaiu sobre o período que vai do início da formação de língua e literatura até o marco representado pela obra de Camões, com laçadas para escritores muito presentes no leitor contemporâneo: Fernando  Pessoa e José Saramago sobretudo. Achei que mapear bem o início e dar relevo a obras significativas para o leitor do Brasil – como aquela de Gil Vicente, tão presente e revivida no trabalho de Ariano Suassuna – seria um caminho seguro.

Qual é o seu autor português preferido?
Susana – A literatura portuguesa é muito rica e não consigo escolher apenas um deles. Somente no tempo presente há dezenas de ótimos escritores em atividade, cada um com um projeto próprio e muito bem definido. Pensando em termos de literatura ocidental,  a literatura portuguesa é, no momento, das mais ricas e fecundas. E há todo o passado literário português, com autores que fazem parte de minha vida, como Gil Vicente, Camões, Mariana Alcoforado, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Fernando Pessoa… é muita gente interessante, muita obra instigante, não dá para escolher um autor só mesmo.

O livro traz no título a palavra “convite”. Ou seja, nos dá a impressão de que a obra possa ser lida por todos, desde aqueles que já conhecem bastante do assunto até os “marinheiros de primeira viagem”…
Susana – A palavra convite é mesmo uma boa chave de entrada para o livro – convite para uma conversa, para uma aproximação. E pensando em marinheiros de primeira viagem e até em marinheiros antes da primeira viagem, quando navegar sequer era um sonho.  Por isso tentei fazer um livro que fosse interessante para todos os leitores fluentes que queiram saber mais sobre a literatura portuguesa e que contasse sobre sua história, a história dos homens e mulheres que a construíram e sobre seus sonhos, como aparecem também nas obras literárias. Tentei manter um clima de conversa, num registro simples e preciso, mas sem perder o sabor de um bate-papo.

A partir de setembro, teremos “O Ano de Portugal no Brasil”. Na sua opinião, o que poderia ser feito para que houvesse a popularização de novos autores portugueses no País e novos nomes brasileiros em Portugal?
Susana – Muito já tem sido feito, embora não seja tão evidente à primeira vista. O trabalho de formiga dos professores do Ensino  Médio e dos cursos de Letras que pacientemente  e há muito tempo aproximam os escritores portugueses dos alunos.  Os últimos anos foram também marcados pela ampliação do espaço dado aos escritores portugueses – especialmente os contemporâneos – nos catálogos de editoras brasileiras. O Prêmio Nobel concedido a Saramago em 1998 abriu caminho para a entrada de vários escritores novos – como Dulce Maria Cardoso, e mais recentemente Valter Hugo Mãe e José Luís Peixoto – e a dinamização da publicação e visibilidade de  vários escritores que já eram publicados aqui, como Helder Macedo, Teolinda Gersão, Lídia Jorge e especialmente Lobo Antunes. No que diz respeito à literatura para crianças e jovens, o já expressivo catálogo da Editora Peirópolis ganhou estofo em anos recentes e pode ser hoje considerado a melhor maneira para o jovem leitor brasileiro entrar em contato com a literatura portuguesa feita especialmente para ele ou que pode por ele ser usufruída em plenitude. Acho que o Ano de Portugal no Brasil nos trará uma grande dinamização em termos de conhecimento mútuo e trocas culturais por meio da literatura. É esperar para ver!


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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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