Um bate-papo com o chef português José Avillez

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Na primeira quinzena de setembro, foi aberto oficialmente o programa Portugal dos Sabores. O evento, que faz parte da agenda do Ano de Portugal no Brasil, reunirá chefs de cozinha dos dois países para trocas de experiências gastronômicas bem interessantes.

Um dos chefs portugueses que esteve no Brasil para o lançamento do programa foi José Avillez – dono de um dos restaurantes mais respeitados de Lisboa, o Belcanto. Jovem, ele já passou por diversas cozinhas famosas e, desde o ano passado, mantém seu projeto próprio com os restaurantes Cantinho do Avillez e Belcanto, além de oferecer outros serviços de por meio das José Avillez Consultoria, José Avillez Catering e o take-away JA Em Casa.

Formado em Comunicação Empresarial, ele já publicou livros e participa ativamente de programas de TV e Internet. Ele é, certamente, um dos maiores nomes da culinária portuguesa contemporânea. Acompanhe o nosso bate-papo:

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Quando você sentiu o primeiro interesse pela cozinha?
José – Desde pequeno sempre gostei de cozinha. Lembro-me de chegar a casa e ir logo à cozinha espreitar as panelas. Adorava provar tudo. Mas o interesse mais sério  só surgiu  quando estava no último ano da faculdade de Comunicação Empresarial. Foi nessa altura que surgiu a oportunidade de fazer um primeiro estágio e aí percebi, sem qualquer dúvida, que a cozinha era o meu caminho.

Qual é o seu maior prazer na profissão?
José – É trabalhar com uma enorme paixão para dar cada vez mais prazer a quem se senta à minha mesa. A paixão é o motor que, todos os dias, me leva a querer oferecer mais e melhor aos outros.

Esse é o primeiro intercâmbio que você faz com chefs brasileiros?
José – Já fiz outros eventos no Brasil e já cozinhei em Portugal com chefs brasileiros mas esta é a primeira vez com este formato e organização! Aqui temos oportunidade de trocar experiências e conhecimentos.

O que você achou da proposta do Portugal dos Sabores, em promover esses encontros?
José – Fiquei muito honrado por me terem convidado a participar nesta iniciativa. Estes encontros aproximam os dois países que têm uma ligação histórica privilegiada, promovem e dão a conhecer as cozinhas dos dois países e criam momentos muito importantes de partilha, reflexão e intercâmbio. O resultado é muito enriquecedor e interessante.

No que mais se aproxima a culinária portuguesa da brasileira?
José – Pela ligação histórica há vários pontos em comum. Os portugueses trouxeram para o Brasil uma cozinha rica em tradições, heranças e influências resultantes da presença de vários povos na Península Ibérias e dos Descobrimentos. Os portugueses trouxeram a laranja, o limão, os figos, a cebola, o alho, a cenoura, os coentros, a cana de acúcar, o arroz, os porcos, as vacas, as galinhas… Formas de preparação (queijos, manteiga, azeite, conservas, doces à base de ovos) e temperos (cravo, canela, gengibre, noz moscada).

Como você administra tantos projetos que levam o seu nome sendo tão jovem?
José – Com o apoio de uma excelente equipe que partilha a minha paixão e que, tal como eu, procura sempre ir mais além.

Sua graduação ajudou nesse setor?
José – Sim, sem dúvida. Estudar é fundamental porque abre os nossos horinzontes, ensina-nos a pensar, a questionar, a alargar horizontes e a ter método de trabalho. Por isso, quando alguém me diz que gostava de trabalhar em cozinha, o meu primeiro conselho é que estudem o máximo que puderem e que, de preferência, façam a faculdade.

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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