Projeto Visto: ligando o Brasil a Portugal sem qualquer fronteira

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Certa vez, uma amiga brasileira me apresentou a um músico português bastante criativo e empenhado em conectar culturas, trocar experiências, sem qualquer tipo de fronteira. Era o Pedro da Costa Pereira que, por sua vez, me indicou a audição de um trabalho do qual fazia parte, o Projeto Visto. Na época, fiquei encantada.

O Projeto Visto tem como principal foco o intercâmbio entre a música feita no Brasil e em Portugal. Ou seja, os organizadores desse trabalho convidam bandas para trocarem experiências. Uma banda brasileira escolhe gravar a canção de uma portuguesa e, por sua vez, os músicos lusitanos selecionam canções tupiniquins.

O primeiro álbum deu tão certo, que o Projeto chegou a sua segunda edição. Para conhecer mais sobre esse trabalho (divulgado de maneira profissional e dentro de uma plataforma bem bacana pelo site brasileiro Scream & Yell), convidei o jornalista português Pedro Salgado, que também está por trás de tudo isso, para um bate-papo. Acompanhe a entrevista e ouça as canções do Projeto Visto II!

Cultuga. Você e o Pedro Marques Pereira são os responsáveis pela criação do Projeto Visto, certo? Como e quando surgiu essa ideia de organizar um intercâmbio entre músicos portugueses e brasileiros?

Pedro Salgado: Sim! A ideia surgiu em 2010, pouco depois de nos conhecermos, como resultado de partilharmos um gosto comum pelas novas cenas musicais de Portugal e Brasil e pelo facto, também, de desejarmos que os músicos/bandas dos dois países se conhecessem melhor, uma vez que falamos a mesma língua e ainda existe um grande desconhecimento por parte das duas realidades artísticas e respectivos públicos.

C. Como vocês apresentaram esse projeto para as bandas participantes?

P.S. O Projeto Visto foi apresentado como uma forma de promover um melhor conhecimento mútuo entre as músicas de Portugal e Brasil. E a maioria das bandas que contactámos estavam em sintonia com esse propósito e tinham interesse em descobrir novas propostas musicais dentro da língua portuguesa.

C. O que mais o surpreendeu dentro desse projeto?

P.S. Surpreendeu-me, principalmente, a disponibilidade dos músicos e, naturalmente, a forma como as bandas abordaram os temas, relendo-os com originalidade, mantendo a sua marca pessoal e dedicando parte do seu tempo a uma iniciativa que consideraram meritória.

C. As bandas já conheciam a cena musical do país intercambista? Em que esse conhecimento ou desconhecimento foi interessante para o projeto?

P.S. A maioria dos grupos já conhecia a nova cena musical dos dois países e facilmente identificaram os projectos com quem tinham afinidades sonoras. No caso dos brasileiros Plástico Lunar, a única excepção, sugerimos que fizessem uma versão da banda portuguesa Capitão Fausto e eles escolheram o tema “Litoral”, porque se enquadrava no imaginário psicadélico deles. Tanto o conhecimento como o desconhecimento foram benéficos, porque despertaram a curiosidade dos músicos envolvidos no Projeto Visto II sobre como seria a abordagem às faixas e o respectivo resultado final. Para além disso, foi interessante perceber o impacto positivo, por exemplo, da releitura original de “Movimento Perpétuo Associativo”, por parte da banda carioca Do Amor, o qual se traduziu numa boa recepção do público e também agradou aos autores do tema, os Deolinda.

C. O Scream & Yell é o responsável pela divulgação do projeto no meio virtual, certo? É também um intercâmbio Brasil-Portugal. Como e quando vocês se conheceram e estabeleceram essa parceria?

P.S. Sim! A adesão do Scream & Yell à iniciativa resulta da minha colaboração jornalística com esse portal que se iniciou em 2010. De uma forma geral, os trabalhos que tenho produzido sobre a nova cena musical portuguesa têm sido bem recebidos e despertaram  a curiosidade dos internautas brasileiros. Por isso, quando propusemos avançar com uma coletânea musical luso-brasileira (pouco depois de me tornar colaborador) demos seguimento a um interesse crescente desse segmento de público e a proposta foi aceite pelo Scream & Yell com satisfação.

C. Quais foram as dificuldades enfrentadas por vocês na produção desse projeto?

P.S. As principais dificuldades advêm da conciliação entre os timings dos músicos para a concretização das versões (e os nossos), bem como da recepção das cedências de direitos autorais dos temas. Normalmente, como sabemos que este tipo de iniciativas demoram algum tempo, procuramos dar alguma margem aos artistas e às editoras envolvidas, assegurando que os prazos do Projeto Visto sejam respeitados.

C. Quais são os próximos passos do Projeto Visto? Um encontro entre portugueses e brasileiros no palco é uma opção?

P.S. Ainda não definimos os próximos passos do Projeto Visto III e pretendemos, para já, avaliar o real impacto desta iniciativa nos músicos e públicos de Portugal e Brasil. Um encontro entre bandas portuguesas e brasileiras em palco é algo já falado e que nos agrada, pelas sinergias que poderá proporcionar e, principalmente, pelo estímulo a mais e melhores colaborações entre artistas dos dois países. No entanto, pretendemos usufruir um pouco mais o Projeto Visto II e futuramente abordaremos uma nova inciativa.

C. O Brasil exporta muito de sua música para Portugal, e tem esse material bem recebido no país. Porém, ainda há uma certa resistência do Brasil em receber a música portuguesa. Na sua opinião, a que se deve isso?

P.S. Julgo que isso acontece por duas ordens de razões. Por um lado, a indústria musical brasileira é muito protectora do produto nacional e o público brasileiro estranha as canções com sotaque português (porque nunca foi habituado a escutá-las). Por outro  lado, acredito que haja alguma falta de ambição das bandas e agentes musicais portugueses a tentarem uma travessia do atlântico, ancoradas nesse estigma do sotaque estranho (e na dimensão continental do Brasil) ou pelo facto de sentirem que já têm um público garantido em Portugal e começar do zero no Brasil não lhes garantirá sucesso ou reconhecimento. Contudo, a estadia rotativa do grupo mineiro Graveola e o Lixo Polifônico e residência permanente de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães (ambos em Lisboa), poderá abrir novos espaços para parcerias musicais luso-brasileiras e resultar (assim espero) na crença de que é possível ultrapassar várias barreiras.

C. Como jornalista do Scream & Yell, escrevendo inclusive sobre os novos nomes do cenário musical português, o que você percebe de mais curioso sobre os leitores brasileiros a respeito desse assunto?

P.S. A principal conclusão que retiro dos meus quase cinco anos de colaboração com o Scream & Yell é que os leitores brasileiros reagem muito bem às novidades que apresento. Refiro, por exemplo, a boa recepção à banda rock Os Pontos Negros (por alturas do álbum “Pequeno Almoço Continental”) ou à rapper Capicua. Nesses casos, e em muitos outros, a reacção é quase sempre a mesma: “Não fazíamos ideia de que se fazia tão boa música em Portugal”. Para além desse aspecto, o leitor do Scream & Yell surpreende-se com a diversidade e criatividade da nova cena musical portuguesa, contrariando alguns estereótipos anteriores que a conotavam com o folclore ou o fado, bem como alguns modelos bregas. Globalmente, é um público atento às tendências correntes e se as bandas exibidas tiverem qualidade ele responde positivamente.


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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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