Gorreana: visite as plantações de chá mais antigas de Portugal

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Você sabia que a plantação de chá mais antiga da Europa está nos Açores? Se trata da fábrica Gorreana, na Ilha de São Miguel – o meu xodó. Um espaço que tem suas portas abertas a todos que desejam conhecer o processo de fabricação do chá desde a sua fundação, em 1883.

Açores: Plantação de Chá Gorreana

As plantações estão inseridas nesse cenário paradisíaco da Ilha de São Miguel

Eu tomo chá preto todos os dias, seja frio ou calor. Quando vim morar em Lisboa, em 2013, fui ao mercado procurar marcas locais que pudesse experimentar. E a Gorreana logo me saltou a vista, pois era uma marca portuguesa super antiga. Decidi experimentar e, desde então, é algo que não falta aqui em casa. Virei fã, mesmo.

Em março desse ano, eu, o Rafa e a Flávia (do blog Almost Locals) fomos a Ilha de São Miguel em uma viagem de pesquisa. Assim, uma passagem pela Gorreana era algo que não poderia faltar no nosso roteiro. Fomos recebidos com muito carinho e um enorme sorriso pela Madalena Mota que dirige a fábrica ao lado de sua irmã – Sara.

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Uma família cheia de emoção

A Madalena sentou conosco em uma das mesas de prova do chá para contar sua história. Adianto que, na Gorreana, é tudo bastante rústico, um ambiente de fábrica mesmo, rodeado por um intenso e impecável trabalho na terra. O que não existe são formalidades. As portas estão sempre abertas para todos que quiserem ver como a fábrica funciona.

Aliás, ela nos contou que sempre foi assim, desde o início – em 1883, com a Sra. Ermelinda Gago da Câmara e o filho José Honorato. Sua família sempre permitiu a entrada da população ou de turistas a fábrica, como uma forma de fazer com que as pessoas participassem de seu processo e, certamente, se apaixonassem. Vemos o quanto os funcionários que ali trabalham fazem parte de uma família, pois estão há anos a frente de suas funções.

Açores: Plantação de Chá Gorreana

A Gorreana é uma sobrevivente da Ilha de São Miguel, pois nunca precisou parar ao longo desses mais de 130 anos de existência. Isso se deve a genialidade do bisavô da Madalena que percebeu uma forma de mover suas máquinas usando a água do terreno como fonte de energia. Assim, pagar as contas de eletricidade para a produção do chá nunca foi necessário. Imagina também como era a curiosidade das pessoas ao final do século XIX com essa “novidade”?

São 6 gerações da família envolvidas com a fábrica. A Madalena nos contou que sua avó chegou a ter laranjais – uma das grandes agriculturas do século XIX em São Miguel. Entretanto, a praga que assombrou toda a ilha também acabou com sua plantação. A chegada de novos produtos para o cultivo nos Açores, como foi o caso do chá, interessou sua família.

Hoje em dia, os EUA, o Canadá e a Alemanha são os principais consumidores da Gorreana fora de Portugal. Mas a venda em território nacional ainda é maior e bastante expressiva.

Ela também nos contou algo que achei bastante curioso. Antigamente, o chá era usado para aumentar o leite, sobretudo aos trabalhadores no meio de uma jornada dura. A cafeína dos chás preto e verde sempre foram fonte de energia. Mas, claro, o costume de acompanhar um chá com um bolo ou biscoitinho nunca deixou de estar presente.

Como a Madalena disse, o chá é transversal a todas as classes sociais –  ainda bem. Saber sobre o orgulho que ela tem por cada detalhe da Gorreana e a maneira como trata os seus funcionários, deixou os olhos do trio de cá marejados, confesso. Hora de tomar o último gole do chá e percorrer a plantação naquela manhã de sol maravilhosa…

Visita e percurso pedestre pelas plantações

Não é necessário agendamento, nem o pagamento de bilhete. Basta chegar a fábrica, que está aberta o ano todo. O acesso de carro é muito simples e feito por excelentes estradas. O único trânsito que nós pegamos foi o de vacas rs.

Ao chegar a Gorreana, passe pelo portal e estacione o carro lá dentro, como nós fizemos. Do lado esquerdo, encontre uma pequena sala que exibe o vídeo de explicação de como o chá é produzido. Depois, caminhe pelas demais salas para ver os trabalhadores e as máquinas em ação – geralmente entre os meses de abril a outubro, que é a época da colheita. Mas a visita pode ser feita o ano todo.

Açores: Plantação de Chá Gorreana

Açores: Plantação de Chá Gorreana

Açores: Plantação de Chá Gorreana

Há ainda uma a lojinha com toda a linha de produtos deles, mesinhas com cadeiras para provar gratuitamente os chás – onde estivemos com a Madalena – e ainda dois percursos pedestres pelas plantações –  oficialmente sinalizados – que podem ser feitos livremente.

Açores: Plantação de Chá Gorreana

Bora desvendar um dos percursos!

Como nós estávamos com o horário apertado, optamos pelo percurso pedestre mais curto – mas, certamente, não menos interessante, pois pudemos ver as plantações de chá e também o curso que a água faz para mover as máquinas da fábrica.

Açores: Plantação de Chá Gorreana

Entretanto, se você deseja fazer um desses percursos pedestres, as recomendações são as mesmas como qualquer outro. Use tênis confortáveis ou botas de caminhadas, leve uma garrafa de água e tenha atenção a sinalização. Esse é um percurso fácil, apenas com um ponto de dificuldade, com passagem sobre pedras, para fazer com calma. É lindíssimo para quem adora fotografar – principalmente no início da manhã. Não recomendo para crianças muito pequenas ou pessoas que tenham alguma limitação de mobilidade.

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Da plantação à fabricação do chá

A Gorreana mantém suas plantações – que são totalmente orgânicas – por 35 hectares e produzem cerca de 30 toneladas de chá anualmente. Aliás, você sabia que a origem das folhas do chá são da camellia sinensis?

Os apaixonados por chá podem já ter um conhecimento aprofundado sobre isso, mas as únicas bebidas que deveríamos chamar de chá são aquelas originais das folhas secas da camellia sinensis (de onde são extraídos os chás branco, preto ou verde). O restante são infusões de outras folhas, flores ou frutos – como os populares “chá de hortelã”, “chá de camomila”, ou “chá de frutos vermelhos”, por exemplo.

Açores: plantação de chá mais antiga da Europa

Engana-se quem pensa que, por ser da mesma planta, tal chá é igual no mundo todo. O tipo do solo, as condições atmosféricas e a maneira de processar as folhas alteram seu sabor e é isso que faz a diferença no produto final.

De acordo com o material que coletamos na Gorreana, o chá foi descoberto na China, a 2737 a.C. Entretanto, só chegou ao mundo ocidental no século XVI com as expedições portuguesas durante a Era dos Descobrimentos. A popularização e o comércio em larga escala veio anos mais tarde, no século XVIII, pelas mãos dos ingleses e holandeses.

Nos Açores, curiosamente foi um senhor chamado Jacinto Leite que trouxe sementes – estas vindas do Brasil – e iniciou a cultura por volta de 1820. Com a praga que atingiu as largas plantações de laranja na Ilha de São Miguel, como já comentei por aqui, o chá foi uma das saídas que os agricultores e empresários encontraram para prosperar nas terras micaelenses. 

Açores: Plantação de Chá Gorreana

Na Gorreana, há duas linhas de chás verdes e pretos. A Madalena também nos contou que já não é necessário plantar manualmente novas camélias por ali. As sementes caem no solo e já fazem esse processo de forma natural. Cada planta vive cerca de 90 anos, sendo necessário esperar os 6 primeiros para fazer a colheita inicial.

Gorreana
Endereço: Gorreana – 9625-304 Maia/ São Miguel – Açores (Portugal)
Contatos: (+351) 296 442 349/ gorreanazores@gmail.com
Horários: segunda a sexta, das 8h às 19h. Sábado e domingo, das 9h às 19h
Site: gorreana.pt

A série de reportagens #AçoresParaBrasileiros foi idealizada pelos blogs Cultuga e Almost Locals. A nossa visita à Ilha de São Miguel, nos Açores, contou com o apoio do VisitAzores, que organizou nosso roteiro; do Hotel VIP Executive Azores (Ponta Delgada), onde ficamos hospedados; da Autatlantis, que nos cedeu o carro durante nossa estadia na ilha, e da SATA – AzoresAirlines, que nos ofereceu os voos de Lisboa a Ponta Delgada e de Ponta Delgada a Lisboa.

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

2 comentários

    • Priscila Roque
      Priscila Roque em

      Obrigada pelo carinho, Lelio!
      Esse país é cheio dessas deliciosas riquezas – ainda bem 😀
      Seja sempre bem-vindo!

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