Guia para visitar o belíssimo Palácio da Pena, em Sintra

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Arrisco dizer que este é o passeio pelo palácio mais bonito de Portugal. Claro, (ainda) não conheço todos, mas certamente não há nada parecido com o conjunto que engloba este edifício romântico e colorido com o seu jardim envolvente. Veja como aproveitar a sua visita ao Palácio da Pena, em Sintra, com este guia!

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Guia para visitar o Palácio da Pena, em Sintra

Como chegar ao Palácio da Pena

O Palácio da Pena fica no alto da vila de Sintra, a 40 minutos de Lisboa.

Se você estiver de carro alugado, sugiro que vá no primeiro horário da manhã. Desta forma, poderá assegurar uma vaga em algum dos pequenos bolsões de estacionamento que ficam ao lado do Palácio. Atenção que o último deles tem uma pequena trilha até chegar ao palácio, não aconselhável para quem tem mobilidade reduzida.

Se você ou alguém da sua família/ grupo tem mobilidade reduzida, indico que deixe o carro na própria área da vila de Sintra, no centro histórico (há um estacionamento pago ao lado do Palácio Nacional de Sintra, aquele com duas chaminés longas e brancas, bem emblemáticas), e suba de táxi. Desta forma, vocês poderão entrar diretamente no parque com mais conforto.

No topo, o percurso a pé a partir do estacionamento/ Na esquerda, o ônibus 434 – Circuito da Pena/ Do lado direito, o bolsão de estacionamento

Para quem segue de transporte público, também é fácil. Vindo de Lisboa, você pegará o trem na estação do Rossio e vai descer na estação de Sintra, certo? A partir de lá, poderá pegar o ônibus 434 – Circuito da Pena, e descer em frente a entrada do parque do palácio.

Ónibus 434 Circuito da Pena Sintra

Percurso do 434 – Circuito da Pena

Lembre-se que, em Portugal, ônibus é chamado de autocarro e trem é chamado de comboio 🙂

Qual é a melhor época para a visita?

Ir a Sintra sempre vale a pena, seja em qualquer estação do ano. Somente não considere a visita em dias de fortes chuvas, visto que este palácio está localizado na parte mais alta da Serra de Sintra. Portanto, o vento, o frio e a chuva podem prejudicar o seu passeio e a área coberta de visita é somente na parte interior do Palácio.

Entretanto, para quem deseja fazer uma visita guiada – como foi o nosso caso, o ideal é ir fora da alta temporada mesmo. Estivemos lá em março para este passeio e conhecemos os detalhes com a querida guia Joana Antunes. Ela reforçou que durante a alta temporada não há visitas guiadas ao interior do palácio, claro, pela falta de espaço.

Portanto, se você está programando a sua ida a Sintra no verão, leve também um pouco de paciência para o passeio rs., mas não desanime, pois será lindo de qualquer forma.

Quais são os tipos de ingressos disponíveis?

Há dois tipos de ingresso para esta atração: parque ou parque + palácio. Isso significa que você poderá visitar somente o jardim envolvente e a área exterior do palácio ou escolher incluir na sua visita também um percurso interior (ideal para quem gosta de conhecer os salões, os utensílios, os costumes e o mobiliário).

Área interior do Palácio da Pena. No canto inferior direito, o primeiro banheiro construído neste palácio

Para os preços, também há uma variação entre a baixa e a alta temporada. Por isso, não vale a pena eu destacá-los aqui, visto que estão sujeitos a mudança.

Para comprar, você pode optar por fazê-lo pela Internet ou pessoalmente. Os ingressos diários não acabam, fique tranquilo. O que pode acontecer é você ter que pegar uma fila grande na bilheteria em épocas de alto fluxo. Por isso, quem compra pela Internet, segue direto ao portão de entrada.

Caso tenha o interesse nesta visita guiada que nós fizemos, ela acontece todos os dias às 14h30 e tem o custo de 5€ acrescido ao preço do ingresso. As visitas são em português, inglês e espanhol, de acordo com os interessados de cada dia, e não é necessário agendar. Em dias com alto fluxo de visitantes, sobretudo na Páscoa e nos meses de julho, agosto e primeira quinzena de setembro, a visita guiada não integra a área interior do palácio. A saída é a partir da lojinha, no edifício do café/ restaurante, na entrada do palácio (não na loja da entrada do parque).

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Afinal, Palácio da Pena ou Castelo da Pena?

Essa é uma dúvida de muita gente – e não por acaso. O nome oficial é mesmo Palácio Nacional da Pena, pois foi uma residência real (um palácio de verão da monarquia portuguesa). Entretanto, a confusão se faz presente, pois o formato exterior dele lembra muito um Castelo, ou seja, uma construção de vigia e guarda, e isso foi proposital.

O rei responsável por sua construção, D. Fernando II, é um sujeito típico do século XIX, romântico. E, em busca de um local para o seu palácio, encontrou nas ruínas do antigo Mosteiro de Nossa Senhora da Pena de Sintra, de 1503, o espaço perfeito.

A localização é mesmo mágica. Você vai perceber quando circular pelo exterior da construção. Ele está no topo da Serra de Sintra, ainda mais alto do que o Castelo dos Mouros.

Castelo dos Mouros, Sintra

Vista para o Castelo dos Mouros a partir do Palácio da Pena

Em seu imaginário estava tudo isso, mas também a vontade de sentir como se habitasse em um castelo medieval. E, mesmo sem seu uso efetivo de proteção, construiu aquele tradicional aspecto exterior aos moldes de uma fortaleza, com portão de correntes, torres de vigia e até um caminho da ronda, que oferece uma das vistas mais bonitas do parque.

Para completar essa mistura de muito bom gosto – na minha opinião – com a fantasia, o palácio ganhou todas aquelas cores, que o fez único e inconfundível na paisagem de Sintra. Um verdadeiro (e merecido) cartão postal.

Visita ao Parque e Palácio da Pena

Com os bilhetes em mãos, você passará por um portão de ferro e receberá um mapa bem marcado, com cada um dos pontos desta atração (essa é uma característica de todos os palácios de Sintra e também do Castelo dos Mouros. Facilita – e muito – a vida dos viajantes).

Você poderá optar por percorrer cerca de 700m em subida até a entrada do Palácio, que é bastante agradável. Caso você esteja cansado ou tenha baixa mobilidade, então o ideal é pegar o pequeno ônibus do parque (3€), que faz esse mesmo percurso rapidamente.

Cruz Alta: ponto mais alto da serra + melhor visão para o Palácio da Pena

Antes de começarmos a nossa visita guiada, eu e o Rafa fomos primeiro em busca da tão falada Cruz Alta, que marca o pico da Serra de Sintra. Afinal, queria fazer uma bela foto do palácio para estampar esse post (e o resultado a imagem principal do artigo, lá no início, ma-ra-vi-lho-sa). São mais 10 minutos a pé, seguindo pelo parque, a partir do palácio, também em subida.

Ao chegar lá, você terá que subir nas pedras para ter esta vista. Para quem não tem baixa mobilidade, é fácil e tranquilo. E o percurso também é lindíssimo, visto que o jardim é muito bem cuidado e segue os parâmetros do romantismo do palácio.

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O que você deve saber antes de visitar o Palácio

Em nossa visita com a guia Joana Antunes, aprendemos muito sobre a personalidade de D. Fernando II e a idealização deste local. Algo que também nos fascinou (e esta é a mágica de fazer uma visita guiada) foi identificar tantas conexões com outros monumentos importantes e personalidades da História de Portugal e do Brasil.

  • Como já disse por aqui, o responsável pela construção do palácio foi D. Fernando II – austríaco de nascimento e segundo marido de D. Maria II (filha de D. Pedro I e Maria Leopoldina e, consequentemente, irmã de D. Pedro II do Brasil).

Toda a pinta do bigodão de D. Fernando II/ Do lado direito, a área exterior da lanchonete e do restaurante do Palácio da Pena e a influência árabe presente em sua arquitetura

  • Entretanto, foi 7 anos após a morte de D. Maria II que D. Fernando II passou aqui uma história de amor com sua segunda esposa, Condessa D’Edla – uma cantora de ópera por quem era verdadeiramente apaixonado. Diferente da maioria dos reis e rainhas, eles dormiam juntos.
  • Antes do Palácio da Pena ser construído, havia aqui as ruínas do Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena de Sintra, obra de D. Manuel I, iniciado em 1503 – aquele mesmo, que foi rei na época da chegada dos portugueses ao Brasil, e o responsável pelo Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa (onde, inclusive, está sepultado).

Conseguimos ver aqui a área do antigo Mosteiro

  •  D. Fernando II adquire o terreno e o antigo mosteiro em 1838. Este Palácio permaneceu ativo de sua construção até o final da monarquia de Portugal, em 1910. Durante a visita, você  perceberá que os aposentos de D. Fernando II foram, depois, de D. Amélia. Os sucessores não permaneciam nos mesmos quartos dos antigos reis. Dava azar rs.

Cozinha com uma grande coleção de formas e até acessórios para fazer chocolate quente (NHAM!)

  • Na arquitetura estão referências a outros monumentos e fases da história de Portugal que você poderá identificar, como os gomos da Torre de Belém, em Lisboa, e a janela manuelina do Convento de Cristo, em Tomar.

Janela Manuelina no palácio, tal como a do Convento de Cristo, em Tomar

  • D. Fernando II, como um autêntico romântico, tinha o interior do palácio preenchido com muitos itens – somado ao seu gosto por vitrais e porcelanas. No romantismo, não há espaços vazios.
  • A história é importante, claro, mas confesso que a vista a partir do terraço da rainha também é incrível. Em um dia limpo, vemos a serra de Sintra, Lisboa e, inclusive, a foz do rio Tejo lá ao fundo.

  • A estrutura que vemos hoje é uma fusão da estrutura do antigo Mosteiro, que foi remodelada, com a construção do Palácio Novo. Por isso, ele também não é plenamente nivelado e tem várias partes, além desta marca também no revestimento exterior de cores e azulejos.

Serviços no Palácio da Pena

Há cafeteria e restaurante. Entretanto, com o alto fluxo de visitantes, pode não ser tão confortável fazer uma refeição por lá. De qualquer forma, para uma emergência está bem servido e sem preços exorbitantes (os pratos custam, em média 8€). Como esse pode ser o seu primeiro passeio da manhã e os palácios e parques de Sintra são enormes, leve SEMPRE um lanchinho, frutas, barras de cereais e água – principalmente se você viaja com crianças.

O Palácio tem uma lojinha muito boa de suvenires. Sempre recomendamos as lojas de museus e palácios para compras especiais, sobretudo pela qualidade dos produtos apresentados e da procedência, que é local.

Para quem tem mobilidade reduzida e precisa fazer uso de cadeira de rodas, o acesso a este monumento é limitado, infelizmente. A área interior do Palácio não é acessível pelo desnível entre os edifícios e degraus que possui. Entretanto, é possível aproveitar sua área exterior e parte da envolvente, bem como sua vista, apesar da inclinação. Veja as informações completas sobre a acessibilidade do parque, bem como banheiros, empréstimo de cadeira de rodas e meios de transporte.

Os horários e os preços variam de acordo com a época do ano. Todas as informações estão detalhadas no site dos Parques de Sintra. Vale destacar que o Palácio da Pena só fecha nos dia 25 de dezembro e 1 de janeiro.

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

2 comentários

    • Rafael Boro

      Você vai gostar ainda mais de Sintra quando voltar a Portugal e visitar o castelo e os palácios, Adolfo!
      Um grande abraço e seja sempre bem-vindo ao Cultuga! 🙂

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