A história da porcelana portuguesa no Museu Vista Alegre

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As porcelanas da Vista Alegre fazem parte do meu dia a dia, e sempre foi assim. Ainda que eu não tivesse consciência disso quando pequena, hoje consigo identificá-las desde os pratos decorativos na casa da avó até as peças que eu o Rafa somos apaixonados. Por isso, agora que estamos do lado de cá do Oceano, aproveitamos a nossa recente passagem pela região de Aveiro para visitar o Museu Vista Alegre, que fica dentro dessa fábrica histórica ainda em atividade. Um sonho.

Como incluir esse museu em seu roteiro para Portugal?

O Museu Vista Alegre fica localizado no histórico bairro operário da Fábrica Vista Alegre, em Ílhavo – cerca de 15 minutos da cidade de Aveiro, com boa sinalização e marcação no GPS. Por isso, incluir essa visita em seu roteiro para Portugal é bastante simples.

Nós optamos por passar um dia inteiro nas dependências da Vista Alegre, o que foi uma deliciosa imersão nesse universo da porcelana e que pode ser repetida por todos os visitantes.

Conhecemos o Museu Vista Alegre, a Capela Nossa Senhora da Penha de França (que já inspirou inúmeras coleções), as três lojas da marca (sendo uma delas outlet) e suas pequenas ruas com casinhas bem delicadas, recentemente restauradas. Ainda incluímos duas experiências: uma no atelier, quando pudemos pintar o nosso próprio prato Vista Alegre, e outra com uma pernoite no seu hotel temático Montebelo Vista Alegre Ílhavo. Tudo isso sem ter que tirar o carro do lugar.

Palácio da Vista Alegre

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Parede de pratos no hotel Vista Alegre

Pudemos pintar o nosso próprio prato Vista Alegre no atelier

Loja da Vista Alegre que fica logo na saída do Museu

A vila toda é um encanto

Uma outra sugestão para quem está com o roteiro mais enxuto, é fazer a visita a Vista Alegre em um bate-volta do Porto, quando você poderá conjugar também com uma passagem pela cidade de Aveiro. De carro, é rápido. E, para quem chega de trem a Veneza Portuguesa, basta pegar um táxi.

Quem segue de Lisboa ao Porto (ou vice-versa), de carro, pelo centro oeste do país (ou seja, passando por Fátima, Alcobaça, Óbidos, Batalha, etc.), também consegue dar um pulinho aqui fácil, fácil.

Como é a visita ao Museu Vista Alegre?

A visita não precisa de agendamento. Você poderá comprar o ingresso na hora, que também dará direito a entrar na Capela da Nossa Senhora da Penha de França.

O primeiro museu instalado por aqui datava de 1947 e estava instalado dentro do palácio, que foi residência do fundador da Vista Alegre.

Anos mais tarde, em 1964, ele foi mudado para o local em que está hoje, nos edifícios antigos da fábrica. Em 2014, passou por obras de renovação e foi reaberto em 2016. Agora, ele está mais moderno e quase dá para sentir o cheirinho da tinta fresca. Vale a pena conhecer.

Referências ao Brasil nos pratinhos

Inspiração do Rio de Janeiro

Fornos do século XX

Antes mesmo de passar a catraca, a exposição já começa: você pode entrar em um dos dois imponentes fornos que estão nessa mostra. Por dentro, veja as marcas de sua história e tente imaginar como tudo aquilo funcionava.

Eram 10 fornos como esse que trabalhavam ao mesmo tempo no início do século XX, com carvão e lenha, e cerca de 100 forneiros para operá-los, pois o controle da temperatura precisava ser constante para a queima de 5 a 6 mil peças por fornada.

Um trabalho nada fácil. Os forneiros precisavam perceber se as peças estavam prontas, só de olhar pelos pequenos buraquinhos do forno a tonalidade interior. Um erro aqui colocava em risco o serviço de tantos outros funcionários, dos moldes a decoração, além do prejuízo da fábrica, claro.

Forno na entrada do Museu

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Quase 200 anos de história

A fundação da fábrica Vista Alegre é de 1824 – ano que vemos marcado no logo, nas lojas e nas também nas peças.

Nas primeiras salas do museu conseguimos imaginar como era a vida nesse início do século XIX – época tão importante para o desenvolvimento da cultura e das artes em Portugal e na Europa.

Essa foi a primeira unidade industrial portuguesa dedicada a produção da porcelana. Ou seja, visitar não somente o museu, como todo o bairro operário da Vista Alegre, é também ter a oportunidade de mergulhar na origem da porcelana portuguesa, perto de completar dois séculos de vida.

José Ferreira Pinto Basto está representado em um busto. Ele era um sujeito ousado, um empreendedor a frente de seu tempo. Tendo em vista criar uma grande fábrica de louça, porcelana e vidraria, começou comprando a Quinta da Ermida, em 1812, e, quatro anos mais tarde, a Capela e os terrenos dos arredores, onde fundou a Vista Alegre.

Busto do fundador da Vista Alegre

Busto do fundador da Vista Alegre

O sucesso foi tanto que, 5 anos depois, a monarquia deu o título a Vista Alegre de Real Fábrica – um reconhecimento, sobretudo, pela sua arte.

O desenvolvimento da porcelana

Ao longo do percurso pelo museu, vemos também alguns “protótipos” do fundador e peças clássicas de sua origem. O início da fábrica se deu com a produção, principalmente, de vidros de grande qualidade. Na exposição, podemos ver peças desde 1826.

A porcelana veio alguns anos mais tarde, em 1832, pois o fundador desconhecia a fórmula perfeita dela. Estudos e alguns testes depois – que também estão expostos – levaram a descoberta de caulino (o minério que dá o tom branco) em abundância na região. Ele era ideal para a fabricação.

Há peças teste que, mesmo com falhas, foram guardadas pela empresa

A comunidade da fábrica

Outro ponto que chama a atenção no museu são peças que funcionam como testemunhas do tempo, como pincéis, malhas, fotografias, itens do time da Vista Alegre e até um carro de bombeiros – que é um dos mais antigos do país.

Um dos carros de bombeiro mais antigos de Portugal

Ao longo da nossa visita, percebemos o carinho que os antigos funcionários têm pela fábrica. Muitos formaram família e seus descendentes também trabalharam ali.

Uma coleção de respeito

Para absorver quase dois séculos da trajetória da Vista Alegre é necessário passar, pelo menos 1h30 entre as salas e corredores desse museu.

Vemos peças comemorativas, premiadas, as litofanias (quando uma fonte de luz permite ver à transparência da porcelana imagens de gravuras da época), a importância da imagem do animal em peças pintadas e esculpidas, inúmeros serviços e até peças contemporâneas desenhadas por artistas portugueses e internacionais.

Litofanias

As pinturas dos animais são feitas a mão. Impressionantes pela tonalidade e perfeição das pinceladas

Oficina de pintura manual

Um dos momentos que mais gostei da exposição foi, sem dúvidas, a área em que estão os artistas da fábrica pintando peças exclusivas ao vivo. É nesse contato que conseguimos entender a razão das peças da Vista Alegre serem mais do que um bem material…

Algumas das mãos de ouro da Vista Alegre no Museu

… A marca causa emoção e carinho em seus admiradores porque a arte está diretamente vinculada ao produto. Um trabalho de extremo bom gosto, delicadeza e, sobretudo, amor.

E a Capela da Nossa Senhora da Penha de França?

A visita se completa com a entrada na Capela da Nossa Senhora da Penha de França, a Capela da Vista Alegre – um espaço bastante curioso e que já inspirou diversas peças da marca.

Ela foi construída a pedido do Bispo de Miranda, D. Manuel de Moura Manuel, no século XVII. Aliás, seu túmulo, que se encontra junto ao altar, é de 1699 e foi esculpido por Claude Laprade.

Mas o que nos salta logo a vista é, sem dúvidas, a coleção de azulejos. Eles são bem anteriores a fábrica, de 1694, e foram pintados pelo espanhol Gabriel del Barco. Essa também foi uma das primeiras experiências figurativas a azul e branco na azulejaria portuguesa.

Aliás, por conta dessa capelinha, a Nossa Senhora da Penha de França também é padroeira da Vista Alegre. Assim, sempre no início de julho, a fábrica faz uma grande celebração, aberta ao público, em homenagem a ela com comida tradicional, música, missas especiais, procissão e, claro, oficinas de arte. Imperdível!

Serviço

Horário do Museu
Aberto todos os dias (exceto 1 de janeiro, domingo de Páscoa e 25 de dezembro)
De maio a setembro, das 10h às 19h30
De outubro a abril, das 10h às 19h

Visita à Oficina de Pintura Manual (dentro do museu)
Somente nos dias úteis, entre 10h15 e 12h30 e entre 14h e 16h30 (no horário normal de expediente dos artistas. Fecha na Páscoa, para férias de Verão, no recesso de Natal e dia 1 de janeiro)

Horário da Capela
Aberta todos os dias
De maio a setembro: 10h45 / 11h45 / 12h30 / 14h00 / 15h00 / 16h00 / 17h00 / 18h30
De outubro a abril: 10h45 / 11h45 / 15h00 / 16h00 / 17h00 / 18h00

Ingressos
O ingressos deve ser comprado na recepção do Museu. Entrada pela porta lateral,junto ao jardim da loja.

Preço Museu + Capela
Adulto: 6€ (18 – 64 anos)
Seniores (maiores de 65 anos) e jovens (6 – 17 anos): 3€
Entrada gratuita para crianças até aos 5 anos

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

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