Roteiro: o que fazer em Coimbra?

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Confesso: todas as vezes que chego a Coimbra, ao pisar na cidade, parece que de algum lado da minha mente uma voz sempre canta “Coimbra é uma liçããããão/ De sonho e tradiçããããão“. Só por este argumento mágico, já diria que vale a pena conhecer a antiga capital de Portugal. E, olha, a Universidade não é seu único atrativo. Te conto hoje por aqui o que fazer em Coimbra e como incluir essa cidade tão particular em seu roteiro de Portugal.

Roteiro: o que fazer em Coimbra?

Coimbra costuma dividir opiniões entre os viajantes. Há quem saia de lá encantado, há quem não veja a menor graça. Portanto, o objetivo desse artigo é te apresentar a cidade de uma maneira mais completa para que você possa perceber os valores que Coimbra têm para oferecer ao seu roteiro.

Quanto tempo ficar e como incluir no roteiro?

Sempre que alguém me pergunta quanto tempo ficar em uma determinada cidade, pergunto de volta quanto tempo a pessoa tem disponível. É sempre muito delicado responder. Para conhecer Coimbra com profundidade, são necessários – pelo menos – dois dias completos. 

Se você está indo pela primeira vez a Portugal, pode usar Coimbra como uma pernoite estratégica no percurso entre Lisboa e o Porto, seja de carro alugado, seja trem ou ônibus e eleger os principais pontos que deseja conhecer ao longo desse período.

Se você já esteve em viagem por Portugal anteriormente ou deseja conhecer essa região com mais profundidade em um roteiro alternativo, poderá fazer de Coimbra uma base fácil para diversos bate-voltas com carro alugado, permanecendo por lá mais dias. 

A rede hoteleira de Coimbra não é muito extensa, mas está em um momento de crescimento – quando já conseguimos encontrar bons locais para pernoite com variedade de preços, edifícios renovados e ótima localização.

Onde dormir em Coimbra: veja as nossas indicações

Como chegar a Coimbra

Coimbra está localizada de forma estratégica no percurso entre Lisboa e o Porto. Por isso, chegar até a cidade é realmente muito fácil, com bons acessos de carro alugado ou transporte público.

Carro: a partir de Lisboa, são 200km a norte, sempre pela A1 (se desejar, poderá fazer uma parada no caminho, em Fátima). Quem viaja a partir do Porto, então utiliza a mesma estrada, a A1, mas sentido sul por 130km.

Trem: para quem viaja de transporte público, o trem é a melhor forma de acesso a cidade. Coimbra tem duas estações de trem. A estação Coimbra (que fica no centro histórico da cidade) e a estação Coimbra-B (que fica fora do centro histórico, a de 2km de distância). Quem viaja com os trens de longo curso, chamados  Alfapendular ou Intercidades, desce na estação Coimbra-B. De lá, é preciso utilizar um trem urbano para chegar ao centro histórico (entretanto, não é necessário comprar uma nova passagem). A partir de Lisboa (estação Santa Apolónia ou Oriente), a viagem demora entre 1h30 e 2h. A partir do Porto (estação Porto Campanhã), a viagem demora 1h aproximadamente. Os bilhetes são vendidos pessoalmente nas bilheterias ou pela Internet no site da CP. Para quem viaja de localizações mais próximas, como Aveiro ou Figueira da Foz, o percurso é feito em trens regionais, custam mais barato, e param diretamente na estação Coimbra, no centro histórico.

Ônibus: para quem viaja de ônibus, o desembarque em Coimbra é feito na Rodoviária da Beira Litoral, cerca de 1km de distância do centro histórico (uma caminhada de 15 minutos, aproximadamente). A partir de Lisboa, os ônibus saem da rodoviária Lisboa Sete Rios e a viagem demora 2h20 (aproximadamente). A partir do Porto, os ônibus saem do Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto e a viagem demora 1h25. As passagens podem ser compradas pessoalmente ou no site da Rede Expressos.

Centro histórico de Coimbra

Para descobrir a essência de uma cidade portuguesa basta caminhar pelo seu centro histórico. Separe pelo menos 1 hora para perambular sem rumo e descubra o comércio popular e as pessoas do centro de Coimbra.

Centro histórico de Coimbra

Além de percorrer as famosas ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, entre o Largo da Portagem e a Praça 8 de Maio, para ver edifícios muito bonitos, use também as ruelas e escadinhas que estão a sua esquerda, na chamada Baixa da cidade, para conhecer a Praça do Comércio, o charmoso Largo do Romal, além das lojas e pequenas pastelarias que se escondem por ali em um percurso mais plano.

Centro histórico de Coimbra

Largo do Romal

Casa medieval de Coimbra

Casa medieval: uma das mais antigas da cidade (entre as ruas Sargento-Mor, dos Gatos e Adro de Cima)

Para comprar lembrancinhas no centro histórico de Coimbra, deixo como sugestão as Livrarias Almedina (para livros originais portugueses), a loja de discos Lucky Lux (para LPs e CDs de artistas portugueses), a belíssima Chronospaper (com materiais de papelaria originais e muita coisa feita artesanalmente) e as lojas A de Amor (que reúne trabalhos de artesãos espalhados por todo o país).

Feito isso, percorra agora o outro lado da rua Ferreira Borges, virando a direita na Porta de Almedina/ da Barbacã, onde também está a Torre de Almedina e a rua Quebra Costas. Essa área tem escadarias mais íngremes e ladeiras, pois esse era o principal acesso para a cidade medieval, bem como a subida ao seu Castelo (destruído no século XVIII. O Castelo de Coimbra ficava localizado onde hoje é a Praça D. Dinis, junto a Universidade).

Centro histórico de Coimbra

São poucas as memórias visíveis das muralhas, sobretudo pelas mudanças expressivas e ampliações que a  cidade e, sobretudo, a Universidade ganharam ao longo dos últimos séculos. Porém, se olharmos para o chão, vemos em alguns locais dessa região a marcação em uma placa de metal do percurso que a muralha fazia. Parte dessa cerca também foi incorporada aos edifícios que estão lá hoje.

Muralha de Coimbra

Essa marca indica o percurso da antiga muralha de Coimbra

Universidade de Coimbra (com a Biblioteca Joanina)

A Universidade é aquela visita indispensável para quem deseja conhecer Coimbra. Conhecer sua estrutura e interiores também é mergulhar na história de Portugal e nas tradições da região.

Somente a título de curiosidade, todo o seu complexo foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2013. O lugar que a Universidade está já foi anteriormente ocupado pelo Castelo de Coimbra e pelo Palácio da Família Real Portuguesa.

Apesar da faceta estudantil não ser a única característica de Coimbra, ela é bastante presente nas ruas da cidade e em sua atmosfera por todo o ano.

A começar por um dos principais símbolos de Coimbra, que é a Torre da Universidade, vista de diversos pontos do centro histórico.

Vista para a cidade de Coimbra

Torre da Universidade no topo da cidade (vista a partir da Ponte de Santa Clara)

Por entre as ruas, vemos também repúblicas estudantis – algumas já reconhecidas pela Câmara de Coimbra (a prefeitura) por seu interesse histórico ou cultural.

E, claro, o vai-e-vem dos próprios estudantes no período letivo (que começa em setembro e termina maio, tendo os meses de junho e julho para exames e o mês de agosto para as férias de verão – quando não sobra um único aluno na cidade rs.) – por vezes, com aqueles trajes tradicionais cobertos por uma capa preta (também inspiração para a escritora J.K. Rowling ao criar o uniforme dos estudantes na saga Harry Potter).

Estudantes com o tradicional traje preto no Paço das Escolas

Os ingressos são vendidos em diversos pontos, mas sugiro que você os compre no edifício da Biblioteca Central, em frente a Faculdade de Letras. A visita não é guiada. Portanto, a partir do mapa que a Universidade oferece, você pode escolher a ordem, os locais que deseja conhecer e o tempo que poderá dispor para cada um deles. Neste artigo, conto em detalhes o que você deve saber para aproveitar melhor a sua visita a Universidade de Coimbra.

Aqueduto de São Sebastião e Jardim Botânico

O Jardim Botânico de Coimbra foi uma grata surpresa para nós. Decidimos visitá-lo ao fim da tarde. Como era um dia de bastante sol, a luz estava lindíssima.

Em meio aos carros passando e o fluxo de estudantes, por ser um dia de semana, bastou descer a Universidade de Coimbra junto ao Aqueduto de São Sebastião (construído no século XVI sobre as ruínas de um antigo aqueduto romano para melhorar o abastecimento de água da cidade) e passar pelos portões de ferro para sentir a tranquilidade. É um excelente ponto de descanso este jardim muito bem cuidado.

Aqueduto de Coimbra

O Jardim Botânico fundado no século XVIII pelo Marquês de Pombal na ocasião da reformulação do ensino na Universidade de Coimbra. Este jardim servia como parte complementar dos estudos de história natural e medicina. 

Jardim Botânico de Coimbra

Na ocasião da nossa visita, uma parte dele ainda estava interditada em decorrência das marcas deixadas pelo Furacão Leslie, que passou por Coimbra em 2018. Entretanto, há espaços já recompostos e muito bonitos que valem a pena e não comprometeu o nosso passeio.

O Fado de Coimbra também está vinculado a Universidade! Saiba mais neste artigo!

Sé Nova de Coimbra

A Sé Nova de Coimbra faz parte do mesmo edifício do Colégio de Jesus, hoje pertencente a Universidade de Coimbra. Portanto, se deseja visitá-la, poderá combinar com esse próprio percurso, pois é realmente logo ao lado e esta a visita é bem rápida.

Roteiro em Coimbra: Sé Nova

A entrada eles sugerem uma contribuição de 1€ para as obras da igreja – o que não é um ingresso “oficial” e sim uma oferta.

A igreja é parte do colégio jesuíta (o primeiro de Portugal) que foi inaugurado aqui no século XVII. Por isso, notamos no exterior e no interior referências jesuítas, como a arquitetura sóbria e pouco ornamentada, além das imagens dos santos jesuítas Inácio de Loyola, Francisco de Borja, Francisco Xavier e Estanislau Kostka.

Roteiro em Coimbra: Sé Nova

Santo António também esteve de passagem por Coimbra em um período de sua vida

Ela passou a se chamar Sé Nova no século XVIII, depois da extinção da Companhia de Jesus pelo Marquês de Pombal e da transferência da Sede Episcopal da Sé Velha para cá. Da antiga Sé também veio a pia batismal, que fica do lado esquerdo da entrada, e o cadeiral de madeira posicionado na capela-mor.

Museu Nacional Machado de Castro

Vizinho a Sé Nova de Coimbra, está o Museu Nacional Machado de Castro – um dos melhores museus de Portugal e que, em 2019, completa 100 anos de existência. Eu guardava uma expectativa imensa nessa visita e, ainda assim, fui surpreendida – seja pelo espaço, seja pelas peças do acervo.

A sugestão é que o início da visita seja feito pelo criptopórtico, que são galerias romanas do século I d.C. que davam sustentação aos edifícios do forum da cidade de Aeminium – ou seja, centro político, administrativo e religioso da Coimbra romana.

Roteiro em Coimbra: Museu Nacional Machado de Castro

Depois, passamos para as coleções. Poderia dizer que é um museu voltado a arte sacra, mas não é. Em seu acervo estão peças de antigas igrejas, conventos e mosteiros de Coimbra em sua maioria, mas a exposição tem como objetivo central guiar o visitante para a história e o desenvolvimento artístico da escultura em Portugal e na Europa.

O Joaquim Machado de Castro foi um dos principais artistas da escultura em Portugal. Nasceu em Coimbra no século XVIII e não somente fez obras expressivas (de arte sacra e estátuas para a família real portuguesa), como também escreveu sobre a técnica, enriquecendo os estudos dessa área. Somente a título de curiosidade, foi ele que fez a escultura do rei D. José I, que fica no centro da emblemática Praça do Comércio, em Lisboa.

Há ainda salas com coleções de pintura, arqueologia, desenho, mobiliário, cerâmica, ourivesaria e joalheria – como o bonito tesouro da Rainha Santa Isabel (padroeira de Coimbra e responsável pela remodelação do Convento de Santa Clara-a-Velha no século XIV) e azulejos utilizados como base visual para o ensino da matemática e da astronomia nos colégios da Companhia de Jesus, no século XVIII .

Entre as preciosidades que mais me marcaram nessa visita está, sem dúvidas, a Última Ceia composta por 13 esculturas de terracota em tamanho natural, datada de 1534, e feita pelo francês Hodart.

Roteiro em Coimbra: Museu Nacional Machado de Castro

Detalhe da impressionante sala da Última Ceia

Esta obra foi encomendada na época para ser colocada no refeitório do Mosteiro de Santa Cruz. Entretanto, depois da extinção das ordens religiosas, em 1834, essas esculturas se espalharam pela cidade e sofreram pela fragilidade do material e mal cuidado das peças. Desde a década de 1930, tais peças começaram a ser novamente procuradas e reunidas. O que parecia impossível, foi repensado e apresentado de maneira genial por esse museu em uma sala única.

Outras duas peças que me marcaram foi a Capela do Tesoureiro, do português João de Ruão, trazida da abandonada igreja de São Domingos, e os vestígios do claustro da igreja de São João de Almedina (a igreja que fica no mesmo pátio do museu), sobretudo por suas dimensões e impacto visual de ambas ao meio da exposição.

O ingresso custa 6€ e dá direito a visita completa das coleções com o criptopórtico. Vale MUITO a pena. Separe 2 horas do seu roteiro para fazê-lo (no mínimo). Se estiver perto da hora do almoço, o restaurante do museu é ótimo, tem bom custo-benefício e uma vista muito bonita. Como fomos durante a semana, pegamos o menu de almoço por 9,90€ (buffet de saladas e algumas opções quentes, água ou uma taça de vinho e sobremesa incluídos).

Sé Velha de Coimbra

Essa é uma igreja medieval de estilo românico construída na primeira metade do século XII, durante o reinado do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques – e que teve uma remodelação e ampliação poucas décadas depois, ao mesmo tempo em que era erguida a Sé de Lisboa e pelo mesmo arquiteto, o Mestre Roberto.

Roteiro em Coimbra: Sé Velha

Vista aérea da Sé Velha a partir do Museu Nacional Machado de Castro

Nas construções românicas, percebemos a estrutura de paredes fortes e grossas, a semelhança de fortalezas. Os principais edifícios religiosos dessa época eram construídos dessa forma para que pudessem oferecer suporte e proteção ao território e auxiliar na conversão da população ao longo da reconquista cristã frente aos mouros.

O largo em que ela está localizado, infelizmente, é ocupado por vagas de estacionamento por toda sua volta. Dessa forma, deixamos de poder apreciar a sua estrutura exterior de maneira completa. Mas é uma igreja que vale a visita, sobretudo pelo documento histórico que ela representa.

Roteiro em Coimbra: Sé VelhaRoteiro em Coimbra: Sé Velha

A entrada tem o custo de 2,50€ e permite ver a estrutura interior da igreja e também seu claustro que faz a transição do românico para o gótico, construído entre os anos de 1218 e 1223, e que guarda o túmulo de D. Sesnando Davides – que conquistou Coimbra em 1064 e foi responsável pela convivência pacífica entre as comunidades muçulmanas, cristãs e judaicas na cidade.

Mosteiro e Igreja de Santa Cruz

Este é mais um documento vivo da história de Coimbra que vale a pena ser conhecido. O Mosteiro de Santa Cruz foi construído na Idade Média, em 1131, durante o reinado de D. Afonso Henriquescomo já disse, o primeiro rei de Portugal – e traz como sua principal marca o ensino e a formação dos principais intelectuais da época.Roteiro em Coimbra: Mosteiro de Santa Cruz

Um dos frequentadores do Mosteiro de Santa Cruz foi Santo António, que nasceu sob o nome de Fernando Martins de Bulhões em Lisboa (morreu perto de Pádua, na Itália) e esteve em Coimbra durante um período da sua vida para se aprofundar em estudos teológicos, no início do século XIII.

Ele tinha paixão pelo conhecimento e não desejava viver em clausura. Depois de assistir a chegada ao Mosteiro de Santa Cruz dos ossos de 5 frades franciscanos que foram decapitados em Marrocos e o culto que gerou-se a volta deles (frei Otto, frei Berardo, frei Pedro, frei Acúrsio e frei Adjuto – canonizados e chamados também de Cinco Mártires de Marrocos), ingressou para a Ordem dos Franciscanos, passando a viver no modesto eremitério de Santo Antão de Coimbra, fora do centro da cidade. Foi nesta mesma época que ele deixou o nome Fernando e passou a adotar António.

Roteiro em Coimbra: Mosteiro de Santa Cruz

Imagem de Santo António com o hábito do Mosteiro de Santa Cruz – diferente daquele marrom – o franciscano – que costumamos ver nas imagens tradicionais

O que vemos hoje em sua fachada e interiores é, principalmente, fruto de uma grande remodelação feita no início do século XVI a pedido do rei D. Manuel I – o Venturoso. Na época, o Mosteiro de Santa Cruz estava muito degradado e sua importância histórica fez com que o rei investisse em sua reestruturação.

Foi nesta época também que os restos mortais de D. Afonso Henriques e seu filho D. Sancho I, os dois primeiros reis de Portugal, foram trasladados de seus túmulos primitivos para ganharem lugar de honra junto a capela-mor da igreja.

Roteiro em Coimbra: Mosteiro de Santa Cruz

Túmulo de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal

A entrada do Mosteiro se faz por sua igreja, que tem acesso gratuito e exibe uma coleção de azulejos por toda sua volta que nos enchem os olhos.

A visita completa ao Mosteiro custa 3€ e vale a pena, pois assim é possível ter acesso a capela-mor para ver os túmulos dos primeiros reis em detalhes, subir ao coro-alto para ver o impressionante cadeiral além de percorrer as demais salas interiores e os claustros, também muito bonitos. Logo a entrada, eles nos entregam um folheto com mais explicações para que possa acompanhar todo o percurso.

Somente a título de curiosidade, o vizinho, Café Santa Cruz, está instalado em uma antiga igreja que foi construída no século XVI para servir a população após as reformas do Mosteiro de Santa Cruz, visto que a igreja do Mosteiro passou a ser de uso exclusivo dos frades. O edifício teve diversos usos ao longo dos séculos, mas foi remodelado em 1923 e adaptado para a abertura  desde café e restaurante.

Doces portugueses imperdíveis para provar na sua viagem

Portugal dos Pequenitos

Eu tinha um desejo antigo de conhecer como era esse parque temático internamente. Afinal, todos os meus amigos portugueses – dos 8 aos 80 anos – já tinham ido algum dia visitar esse local, seja com a família, seja em excursão na época de escola.

O Portugal dos Pequenitos é o parque temático mais antigo de Portugal, inaugurado na primavera de 1940. Por dentro, ele reúne edifícios e monumentos portugueses emblemáticos em escala menor para oferecer as crianças a possibilidade de interagir e conhecer mais a história do país. Ele passou por algumas ampliações e remodelações ao longo da história. Por isso, também consegue se manter muito bonito e atual.

A área que mais me encantou foi o complexo das casas regionais, que fica ao fundo do parque. Foram construídas ali diversas casinhas que representam características arquitetônicas típicas de todo o país, seja em material utilizado, seja em cores, detalhes das janelas, da chaminé… Tudo realmente pensado ao pormenor. Casas do Alentejo, do Algarve, do Minho, da região de Lisboa, e até das aldeias do xisto (como as da Serra da Lousã, por exemplo).

Roteiro em Coimbra: Portugal dos Pequenitos

Ao fundo, um típico solar de Lisboa

Roteiro em Coimbra: Portugal dos Pequenitos

Rafa “visitando” uma casa de xisto

Outra parte que chamou muito a minha atenção foi a área monumental que representa Lisboa. A construção mescla elementos da Baixa e da Praça do Comércio com o bairro de Belém, tendo em destaque o Arco da Rua Augusta com as estátuas moldadas de maneira mais divertida, a calçada portuguesa em miniatura feita com enorme capricho, além de recortes da Casa dos Bicos, da Torre de Belém e do Mosteiro dos Jerónimos. A representação monumental do resto do país segue a mesma linha. Uma graça. Roteiro em Coimbra: Portugal dos PequenitosRoteiro em Coimbra: Portugal dos Pequenitos

Entretanto, deixo também aqui a referência de uma área que, particularmente, não gostei. Logo na entrada, foram construídos pavilhões que trazem informações sobre as colônias portuguesas e também dos arquipélagos portugueses da Madeira e dos Açores.

É uma pena ainda vermos os colonizados sendo retratados como povos antigos, exóticos e inferiores. Não gosto da forma romanceada de transmitir isso as crianças – especialmente no pavilhão do Brasil, que é formado por um barco e exibe uma animação sobre o encontro entre índios e portugueses. Mas isso é a minha opinião e que não muda a boa experiência que tive no restante do parque.

Recomendo a visita ao Portugal dos Pequenitos vivamente, sobretudo ao apaixonados pela cultura portuguesa – como eu – ou que estejam viajando a Portugal com crianças. Separe, pelo menos, 1 hora para percorrer o parque.

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Eu já perdi a conta de quantas vezes fomos a Coimbra antes de visitar o interior do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Passávamos sempre por ele ao chegar na cidade e, confesso, me impressionava com as ruínas. Mas, como é possível vê-las do lado de fora, fomos deixando a visita “para outro dia” e tal dia nunca mais chegava.

Roteiro em Coimbra: Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Vista exterior da ruína

Em março deste ano, eu e o Rafa decidimos passar dois dias completos em Coimbra para fecharmos algumas dessas pendências e revisitar locais que já não entrávamos há alguns anos. E, finalmente, fizemos a visita ao Mosteiro de Santa-Clara-a-Velha.

Pessoalmente, adoro conhecer ruínas aqui em Portugal. Tenho a sensação de estar dentro de um documento resistente. E, neste caso, é exatamente o que esse mosteiro é. Ele foi construído no século XIV sobre um antigo convento primitivo já a Santa Clara e sofreu ao longo de toda a sua história com as cheias do rio Mondego.

Não faz tanto tempo assim, lembro-me em detalhes de quando fomos a Coimbra em 2016 e o Mosteiro estava alagado (e, claro, fechado para visitas). Esse é um acontecimento que sempre permeou sua história.

Roteiro em Coimbra: Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Roteiro em Coimbra: Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

A cheia do rio Mondego mais recente que atingiu as ruínas do Mosteiro foi em 2016

Roteiro em Coimbra: Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

A visita é realmente enriquecedora. Começa pela exibição de um filme com 15 minutos de duração que explica sua idealização e (re)construção pela Rainha Santa Isabel – também padroeira de Coimbra. Foi ela que reativou o antigo convento e o transformou em um mosteiro a Santa Clara de Assis, do qual ela também era devota e onde passou muito tempo de sua vida.

A D. Isabel de Aragão – nascida no norte da Espanha – casou-se aos 11 anos de idade por procuração com o rei português D. Dinis que, na época, tinha 19. O acordo nupcial envolvia a doação a ela, inclusive, das vilas de Óbidos, Porto de Mós e Abrantes, além de 12 castelos. Dele, teve 2 filhos: Constança e Afonso (este, também futuro rei de Portugal).

Desde criança ela tinha paixão pela vida religiosa e, ao longo de sua trajetória, sempre foi muito lembrada pela caridade e proximidade com o povo – sobretudo aos doentes e mais pobres.

Em testamento, deixou a vontade de ser enterrada no Mosteiro. Lá esteve desde 1336 até sua trasladação para o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova – fundado no século XVII para substituir o antigo e oferecer segurança as irmãs clarissas e ao patrimônio religioso.

Nesse mesmo século, seu túmulo foi aberto e o corpo estava incorrupto. Foi, assim, canonizada. Por isso, é também chamada de Rainha Santa Isabel e passou a padroeira de Coimbra.

Em datas raras e especiais, sua mão é exibida aos fiéis. Provavelmente, a próxima exibição será em 2025, quando completam 400 anos de sua canonização.

Diversas peças de seu tesouro também estão incorporadas na exposição do Museu Nacional de Machado de Castro.

Depois, é recomendado que você percorra primeiro a exposição sobre a história do local, a  bem como os costumes e demais informações que envolvem as irmãs clarissas, para então percorrer a área exterior e, finalmente, entrar nas ruínas.

Tal sequência é importante até para compreender a complexidade desse edifício, que foi transformado século a século para tentar resistir as cheias – até tornar-se insustentável e cair ao abandono. Assim, foi construído um novo edifício mais acima na colina, o que chamamos hoje de Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e também pode ser visitado (fica a 1,5km, aproximadamente, em um percurso a pé em subida).

Vizinho ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e ao Portugal dos Pequenitos está o Convento de São Francisco, recém remodelado para receber exposições e espetáculos. Durante a sua visita a Coimbra, fique de olho também na agenda cultural do Convento. ;)

Quinta das Lágrimas

A Quinta das Lágrimas é um dos passeios mais clássicos de Coimbra, sobretudo pelo misticismo envolvente na famosa história de amor proibido da realeza portuguesa – entre D. Pedro e D. Inês de Castro.

O acesso é bastante simples. Para quem está de carro, é possível estacionar a volta da entrada e, para quem está a pé, consegue fazer uma dobradinha bem bacana com o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e/ ou com Portugal dos Pequenitos, por exemplo.

Aqui, voltamos quase 700 anos na história. Em meados do século XIV, o filho do rei de Portugal D. Afonso IV, o jovem Pedro, casou-se com Constança Manuel. Entretanto, apesar do casamento, ele marcava encontros secretos com a dama de companhia da sua esposa, Inês de Castro.

Segundo a tradição popular, o cenário dessa paixão seria a Fonte dos Amores, na Quinta das Lágrimas. Isso porque a água que corre aqui fazia a conexão entre a Quinta e a residência real. Pedro enviaria cartas a sua amada em barquinhos de madeira por ela.

Roteiro em Coimbra: Quinta das LágrimasRoteiro em Coimbra: Quinta das Lágrimas

O rei, que não aprovava o relacionamento, mandou Inês para fora de Portugal. Entretanto, em 1345, a esposa de Pedro faleceu. Pedro foi buscar Inês e o casal passou a viver junto – mesmo sem a aprovação do rei. Eles tiveram quatro filhos e moraram no antigo Paço de Santa Clara, junto ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.

D. Afonso IV manda degolar Inês em 1355, não somente pelo relacionamento do filho, mas porque também temia perder Portugal para Castela.

Pedro nunca perdoou o pai e viveu em vingança. Com a morte do rei dois anos depois, Pedro é o sucessor do trono português e mata os homens que assassinaram Inês, tirando também o coração deles.

Como se não bastasse, pede a exumação do corpo de Inês e coroa ela como rainha de Portugal, fazendo com que as figuras da corte tivessem que beijar a mão de sua amada depois de morta.

Os restos mortais de D. Inês de Castro e D. Pedro I estão na igreja do Mosteiro de Alcobaça. Os túmulos foram feitos a pedido dele para que pudessem descansar juntos pela eternidade (ainda que estejam posicionados um em cada lado da igreja nos dias de hoje. A justificativa para tal posição é como se estivessem frente a frente para o reencontro na ressurreição).

Não deixe de passar também pela Fonte das Lágrimas – que foi batizada assim por Camões, em “Os Lusíadas”. Preste atenção nas algas vermelhas que cobrem as pedras desta fonte. Segundo a lenda, essa fonte nasceu das lágrimas choradas por D. Inês em seu assassinato e o sangue dela teria ficado preso as rochas – por isso, ainda vermelhas.

Roteiro em Coimbra: Quinta das Lágrimas

Ambas as fontes fazem parte de um Jardim Medieval que foi recriado para ambientar essa história de amor. Há ainda um Jardim Romântico com diversas espécies botânicas raras. Percorrer os jardins da Quinta é estar em um pequeno pedaço de paraíso para recarregar as energias e se inspirar. Ela está muito bem preservada, principalmente porque hoje alberga um hotel (que divide os quartos entre um edifício histórico do século XIX e outro mais moderno) e uma escola de golfe.

Roteiro em Coimbra: Quinta das Lágrimas

Este é um passeio delicioso para um fim de tarde ensolarado e a entrada custa 2,50€. Separe, pelo menos, 1 hora para ficar por aqui.

Não sabe por onde começar o planejamento da sua viagem a Portugal? Veja aqui uma seleção com os artigos mais lidos do nosso blog para organizar o seu roteiro.

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Sobre o autor

Priscila Roque

Sou jornalista especializada em cultura e fotógrafa. Foi preciso passar dos 30 anos para assumir que Lisboa é, realmente, o meu lugar no mundo. Mas a paixão por Portugal começou bem mais cedo, ainda na adolescência, quando descobri alguns músicos locais. Os meus pais são portugueses imigrados no Brasil. Depois de fazer o caminho inverso deles, trocando São Paulo por Lisboa, quero agora, com o Cultuga, diminuir a distância que separa o Brasil de Portugal.

2 comentários

    • Priscila Roque
      Priscila Roque em

      Olá, Natalie!
      Tudo certo por aqui :)

      Viva! Muito obrigada pelo carinho e confiança, sempre!
      Um grande beijo

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